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CAPÍTULO 8. A vida não para, ela continua

—Você pode pedir o que quiser do serviço de quarto. E não se preocupe com a família, eu disse a eles que eles perderam o voo. Virei bem cedo amanhã para acompanhá— la à clínica. Estará bem?

— Sim, obrigado. Sinto muito pela festa de boas— vindas.

— Oh, não se preocupe com esse bebê. Eu quero que você fique calmo, descanse esta noite. Eu sei o que você está pensando, mas você não fez nada de errado Mia, senão as mães que procuram seus bebês, que os amam antes mesmo de concebê— los, não abortariam. Seja objetivo, mantenha a subjetividade para enfrentar a perda, não se culpe por ela.

Antes de sair, meu pai me deu um beijo na testa e um abraço em Ramsés, o que me surpreendeu muito. Eles não podiam fazer a curetagem na hora, não havia sala de cirurgia disponível, mas podiam fazer a primeira coisa amanhã de manhã. Eu me recusei a ir para a fazenda , além de não estar de bom humor, tinha que descansar, então Ameth confessou que haviam preparado uma grande festa para minha chegada, afinal, embora eu os tivesse conhecido quando Nicole, minha prima, deu até o nascimento, eu não havia compartilhado com eles o suficiente, exceto por alguns memes que eles eventualmente me encaminharam.

Ameth nos hospedou em um hotel perto da clínica, recusando— se a deixar Hayden, Fernando ou Mike pagarem qualquer coisa. Em uma das muitas conversas que tive com meu pai, contei a ele sobre algumas das deficiências que tive quando criança ou como minha mãe e eu tínhamos pouco dinheiro, algo que pesava muito sobre ele, embora sua ausência em minha crescimento não era sua responsabilidade. Por isso não queria que ninguém pagasse o hotel nem a clínica, queria assumir a sua responsabilidade de pai, coisa que fazia sempre que podia.

— Mike e Fernando...— murmurei, sentando— me na cama, cansada física e emocionalmente.

— Também não se preocupe com eles— , disse— me Ramsés.

— Você viu os rostos deles. Eles tentaram esconder, mas estavam tão tristes — eu me lembrei.

Hayden falou com eles quando Ramses e eu estávamos no cubículo sendo atendidos pelo médico, e ele explicou tudo o que sabia até então, então quando ligou novamente para contar o diagnóstico, foi uma ligação mais rápida, como um curativo que você tem que arrancar de uma vez, não é como se tivesse que ser explicado muito depois da frase “aborto espontâneo”. A parte difícil foi quando tive que falar com eles no caminho para o hotel.

Eles me deram as mesmas palavras de encorajamento e força que todos me disseram enquanto me viam chorar e chorar. Quiseram vir logo, mas pedi que não largassem todas as coisas que tinham que fazer, porque se não deixassem tudo em ordem, não poderiam ficar tanto tempo quanto queríamos.

Demorei muito para convencê— los, eles costumavam ser muito teimosos quando se empenhavam nisso.

O hotel era simples mas muito limpo e confortável, meu quarto tinha uma varanda bem grande de onde dava pra ver a avenida principal e um shopping enorme. Havia muito barulho, mas achei reconfortante, tanto que fiquei muito tempo observando os veículos e as pessoas que passavam pela rua, distraídas pela curiosidade de saber quem eram, o que faziam ali, onde estavam indo.

O mundo não parou porque uma vida foi perdida, às centenas ou talvez milhares, porque a vida do meu bebê tinha muita certeza de que não era a única que havia se perdido naquele dia em todo o mundo. Era difícil admitir, mas a vida seguia seu rumo. Quantas daquelas pessoas que ele estava olhando agora não haviam perdido alguém em suas vidas? E lá continuaram, vivendo.

Morte, separações, divórcios, esquecimentos, remoções, migrações, inimizades, traições. Havia muitas maneiras de perder uma pessoa, mas a vida não para, continue, não era isso que você sempre quis explicar para Hayden quando pensava que tinha perdido tudo?

— Preparei a banheira para você — Ramsés me abraçou por trás, acompanhando com o olhar o que eu via.

— Aquele homem que está sentado ali pode estar esperando seu par.

— Pode ser, ou talvez tenham plantado, faz muito tempo que está aí.

— Talvez tenha sido ele quem deixou seu encontro esperando e está sentado lá sem saber o que fazer.—

— Ou talvez ele esteja muito ansioso e tenha chegado muito antes do tempo.—

Eu gosto mais dessa ideia. Talvez ele a perseguiu por um tempo e ela não entendeu os diretos que ele estava jogando para ela. Talvez ele a surpreenda no meio do shopping e a beije, então finalmente fica claro para ela o quanto ela o deixa louco.

— Você sofreu de ansiedade comigo?

— Acho adorável que você ainda mantenha essa inocência.— Ansiedade é pouca, querida, mal dormi.

— Pensando em mim e como fazer ele prestar atenção em você?

— Nisso e nas maneiras de foder você.— Eu realmente não dormia porque estava sempre duro.

— Ramsés!— Sua sinceridade esmagadora nunca deixava de me surpreender. Você é um especialista em matar momentos românticos.

— Eu não mato, só levo para outro nível, mas também sei ser romântico... Vamos, a água vai esfriar.

Não sei quando ela organizou tudo isso no banheiro, mas a banheira não era só cheia de água, mas com bolhas laranja, com um cheiro incrível que ela não conseguia identificar, uma mistura da água e das velas que ela havia acendido.

Eu olhei para ele surpreso e dei a ele meu primeiro sorriso do dia.

Gabriel me ajudou. Queria ser útil enquanto esperávamos pela sua cirurgia.

— Mas eles não sabiam que estávamos indo para um hotel.

— Eu tinha certeza que ele iria te levar para um hotel quando você saísse de lá, não queria que você tivesse que lidar com toda a sua família depois disso. Então ele se encarregou de encontrar o hotel e conseguir tudo isso. Para você, para nós dois.

Ramsés beijou— me com ternura, respirando suavemente e confortando— me com o seu hálito quente. Delicadamente ele começou a me despir, tirando cuidadosamente cada uma das minhas roupas. Não tinha nada de sexy ou erótico nisso, era o reflexo do amor mais puro que ele devia estar me professando naquele momento.

E ele disse que não era romântico...

Ele me ajudou a entrar na banheira, não precisei de ajuda para isso, mas deixei ele cuidar de mim, afinal cada pessoa se cura de um jeito.

Relaxei no chuveiro, fechei os olhos e tentei não pensar em mais nada, mesmo sendo uma tarefa árdua, mas a voz de John Legend começou a vibrar nas paredes, ajudando a me acalmar.

Ramsés estava tocando música para mim, e isso facilitou muito para eu aproveitar o banho, porque me concentrei em cada uma das letras das músicas, sem pensar em mais nada.

Uma vez deitada na cama, ao lado de Ramsés, os nervos voltaram a tomar conta de mim. Eu sei que deveria estar relaxado, mas não consegui. Eu entendi porque Ramsés não queria que eu fosse mandada para casa para esperar que o feto fosse expelido naturalmente, certamente seria uma tortura saber que ele ainda estava dentro de mim, sem vida, porque era justamente a tortura que eu estava vivendo.

Esperei que o Ramsés adormecesse e peguei no telemóvel, não ia dormir mas talvez conseguisse cansar— me o suficiente até o sono me vencer.

A primeira coisa que fiz foi a última coisa que deveria ter feito: aborto no Google. E o que consegui foi catastrófico para minha ansiedade, principalmente quando li que o percentual de sofrer um novo aborto havia aumentado consideravelmente. Eu teria que passar por isso de novo?

Eu estava quebrando a cabeça em duas quando recebi uma mensagem da Marypaz perguntando como eu estava com a barriga, algo que ela me perguntava duas ou até três vezes ao dia, desde que descobriu que estava grávida.

Abri o grupo de chat que compartilhei com ela e com a Mikaela, e a primeira coisa que escrevi foi: “não posso te ligar”, porque o que eu ia falar, não podia dizer em voz alta, dificilmente escreva para eles.

E então digitei tudo o que havia acontecido, desde a dor de estômago que se transformou em sangramento no avião, até a curetagem que eu faria amanhã cedo.

E não esperei pelas respostas, não queria as mesmas palavras de apoio, já as sabia de cor, então desliguei o celular sabendo que me odiariam um pouco por isso.

Ramsés me levantou às cinco da manhã, um pouco mais cedo do que havíamos combinado. Percebi que ele estava ansioso e, para minha surpresa, um pouco feliz.

— O que aconteceu?— Eu perguntei enquanto me sentava.

Ele estava ajoelhado na cama, com as mãos tremendo um pouco. Ele abriu uma delas e na palma da mão havia um anel.

Um anel.

Não apenas qualquer anel.

O anel.

Aquele anel.

— Ramsés...— Eu engasguei, incapaz de acreditar no que estava vendo.

— Case comigo.

— Você está louco?— , foi a única coisa que consegui responder. Este não é o caminho, nem as razões corretas. Não, minha resposta é não, claro que não, não assim.

Ele riu e eu pensei que ele estava brincando com toda essa proposta, mas agora ele estava segurando o anel, aquele anel, entre o polegar e o indicador, bem na frente dos meus olhos.

— Diz que sim.

— Não— , eu disse a ele e guardei o anel, mas ele riu de novo e o colocou de volta no meu rosto.

— Vamos lá, o que é que custou a você?—

— Não pode ser assim que você me propõe.—

—Eu já fiz uma vez e você ainda disse não e dessa vez eu fui mais romântico.

— Porque não era o momento, nem é hoje.

Ele riu de novo e colocou o anel no meu rosto, incitando— me enquanto eu tentava afastá— lo de mim.

— O suficiente. Eu não quero que você me pergunte porque eu vou, nós vamos... hoje não, não assim.

Seu sorriso não deixou seu rosto.

— Sempre quis casar com você, grávida ou não, mas quando descobri que estava grávida, fui com meu pai comprar a aliança, porque não queria esperar. Você será minha esposa, um dia, mas será, vou conseguir convencê— la ou forçá— la a isso em uma cerimônia secreta, o que ocorrer primeiro. Así que hoy es tan buen día como cualquiera, porque no te lo pido porque hoy vayamos a abortar, pero hoy es un excelente día porque te veo tan fuerte a pesar de toda la mierda que estamos viviendo, que me recuerdas más que nunca el por que te amo. Então hoje, para mim, é um dia tão bom quanto qualquer outro e tão ruim quanto qualquer outro, porque hoje vejo sua essência, porque apesar do dia cinza em que vivemos, você não sai, continua iluminando minha vida.

— Mas hoje não, porque não quero me lembrar do dia em que ficamos noivos, como o dia em que perdemos a gravidez.

— Tudo bem— , ele concedeu, — mas eu não queria esperar, porque queria que você soubesse que nada mudou em mim, que isso não afetará nosso amor para pior, apenas para melhor.— Seja qual for a decisão que você tomou, ter ou não, eu ainda ia te pedir em casamento, por isso eu faço e por isso farei quantas vezes forem necessárias até você dizer sim. E você vai entrar naquela sala de cirurgia e precisa saber que estou orgulhoso de você e que te amo.

— Você está nervoso.— Ele estava finalmente entendendo o que estava acontecendo. Amor, você mesmo disse que era uma operação simples, quinze minutos, que eu não deveria me preocupar.

— Eu sei, mas temo que você entre na sala de cirurgia e saia uma pessoa diferente.—

— Como isso pôde acontecer?—

— Eu li que depois de passar por isso, as mulheres mudam, que muitos casais não superam uma perda, que muitas mulheres culpam seus parceiros porque sentem que todo o fardo está sobre eles, não sentem o apoio do namorado, que eles não…

— Isso não vai acontecer conosco, não vai acontecer comigo.— Meu amor, se estou são hoje é por sua causa, por sua ajuda e apoio. Você não precisa me pedir em casamento para garantir nosso relacionamento.

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— Querida, você acordou — Ramsés acariciou meus cabelos.

Minhas pálpebras estavam pesadas, mas consegui abrir os olhos para perceber que estava na sala da clínica.

tudo acabou

Ele não estava mais dentro de mim.

eu não estava mais grávida

Já não.

— Tudo saiu como deveria ter acontecido — e fiquei grato por ele não ter dito que tudo tinha corrido bem, porque nada poderia ficar bem com uma curetagem. Você ficará aqui por uma ou duas horas e iremos para o hotel. Amanhã iremos à casa de Ameth.

Eu não conseguia falar, sentia as lágrimas queimando minha garganta. Ameth, Gabriel, Ulises, Jeremy e Hayden também estavam na pequena sala. Todos expressaram seu apoio a mim de diferentes maneiras, nenhuma como a de Gabriel, que me deu um beijinho na boca que fez meu pai suspirar de surpresa.

Ramsés não reagiu, não sei se o fez porque não me criou tensão ou porque sabia que o amor que existia entre nós não era uma ameaça para ele. Éramos irmãos, amigos, apenas isso.

— Isso é normal?— Ameth sussurrou.

— Sim, você vai se acostumar com isso— , Hayden respondeu no mesmo sussurro, — mas nunca é demais ter cuidado, às vezes Ramsés não é tão tolerante.—

— Com licença— , disse o médico, entrando na sala. Estou aqui para... Oh, Amelia, você está acordada agora, isso é bom. Como se sente? Dor, cãibras?

Eu neguei, porque não sentia nada disso.

— Ok, isso é bom.— Vou mantê— lo sob observação por mais uma hora. Uma enfermeira virá tirar uma amostra de sangue, quero verificar todos os seus valores. Se eles saírem em ordem, você pode sair. Meu plantão acabou, então não serei eu quem vai te dar alta médica, mas vou te dar todas as instruções. Peço que descanse por 24 horas. Nada de fazer esforços físicos, levantar objetos pesados. Sem sexo por quinze dias.

Ramsés rosnou ao fundo.

— Peço que fique alerta caso tenha sangramento abundante, como se tivesse o dia mais forte da menstruação. Você pode ter sangramentos menores, mas não se assuste. Ela também está atenta a outros sintomas como febre, tontura, corrimento vaginal fétido, cólicas, cólicas. Se você tiver algum desses sintomas, quero que venha imediatamente. Vou marcar uma consulta de seguimento onde teremos de voltar a falar de métodos contraceptivos, desta vez mais eficazes. Sei que você ficará aqui de férias por alguns dias, então faremos a consulta de acompanhamento antes de você sair. E vou deixar meu número de telefone para o Dr. Hayden para que eles possam entrar em contato comigo em caso de dúvidas.

Olhei para Hayden e suas bochechas estavam vermelhas e Ulises, por outro lado, parecia bastante divertido.

Pobre médica, seu gaydard estava completamente danificado.

.

.

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Fiquei surpreso comigo mesmo, porque pensei que não ia conseguir levantar hoje de manhã, que não ia conseguir falar sem chorar, que não ia ter apetite. Mas não foi assim. Claro que fiquei triste, muito triste, mas não desanimado como pensei que ficaria. Então não achei necessário ficarmos mais uma noite naquele hotel.

Saímos de manhã para a casa de Ameth, a casa da família, a minha família. E troquei a tristeza por ansiedade e empolgação. A casa para onde íamos era a casa dos meus avós, de Amara e Moseth, Ameth disse— nos que o seu pai tinha herdado aquela terra do seu avô, que tinha construído uma pequena quinta, com a qual tinha conseguido sustentar a família e seus 4 filhos. Aquele sítio foi herdado por Moisés, o filho mais novo, o único que quis assumir os negócios da família, deixando de lado a carreira de professor de literatura.

E Amara o apoiou em seu sonho.

Moseth transformou a pequena fazenda da família em uma indústria com a ajuda de Amara, e assim eles criaram seus filhos: Amath, a filha mais velha, Ameth, o filho do meio, e Amith, o mais novo.

As crianças queriam fazer parte dos negócios da família, que cresceram tanto que Ameth não quis me explicar. E cada um assumiu uma divisão da empresa, mantendo o patrimônio familiar.

—”A verdadeira herança não é a fazenda, nem o negócio, é a família, são os valores, a ética, a perseverança, a tenacidade, a humildade”, era o que meu pai sempre nos dizia, e era não está errado — nós, Ameth, contamos.

Claro que a casa do meu avô, meu bisavô, ficou muito pequena, e a fazenda passou por várias reformas e ampliações ao longo do tempo, porque eles estavam comprando um pouco do terreno ao redor.

— Meus irmãos moram na cidade, prefiro ficar na fazenda, embora vá todos os dias aos escritórios. Somos unidos, comprometidos com a família acima de tudo, e a empresa também é uma família, por isso procuramos dar a cada um um espaço dentro da empresa naquilo que gosta de fazer. Acho que se alguém quisesse estudar para ser astronauta, teríamos que lançar a divisão espacial Maggio e colocar algum satélite em órbita — rio. Nas datas importantes todos nós nos reunimos, sem falta, por isso foi tão difícil quando a Coli saiu, porque ela fazia questão de colocar uma grande distância entre ela e a família, e por isso meu irmão ainda tem dificuldade de entender o que ele fez com ... mas Taylor manteve sua palavra, e ele e Tay Tay também fazem parte de nossa família.

— Eu tinha pensado em adoção, você teria me deserdado?— , minha pergunta foi totalmente sincera.

— Claro que não. Quando eu digo que ele colocou distância entre nós, não é porque ele foi para outra cidade, mas porque ele mal fala conosco, ele não vem aqui há muito tempo. Distância não é igual a distância e Amith é muito tradicionalista e adora ter o controle de tudo, então foi difícil para ela entender que Coli era uma adulta capaz de tomar suas próprias decisões, e bom, tenho que admitir que Nicole sempre foi a mais rebelde, ela nem tentou impedir que seus pais descobrissem suas escapadas como você faz ou como Enrique tenta, ela gostava que eles descobrissem cada escapada ou cada piercing ou tatuagem. E não tenho nada contra isso, vou deixar claro, mas sua filha de 13 anos fugindo de você para outra cidade, falsificando uma identidade, e voltando tatuada com umas letras chinesas que temos certeza que não dizer o que ela pediu que eles fizessem e um piercing que infeccionou depois de 4 dias, é uma paternidade complicada.

— O que diz a tatuagem?— perguntou Ramsés.

Ameth sorriu: — Diga a Enrique para contar a você. Afinal, foi sua grande ideia.

— Sua ideia?!

— Não, a ideia foi do Coli, mas ele confiava que uma criança iria procurar a tradução na internet. Uma garota confiando em um garoto. Olha, aqui começa a fazenda.

E na nossa frente havia enormes portas de madeira, meu pai baixou a janela e dois senhores se aproximaram. Eles o cumprimentaram com carinho e respeito, e meu pai respondeu com uma familiaridade que achei agradável.

— Esta é Amelia,— ele me apresentou.

— Meu Deus, senhorita, o sangue de Maggio corre em você, você é muito parecida com Dona Amara— , comentou um deles.

— Bem— vinda, senhorita Amelia, já é hora de você chegar em casa— , acrescentou o segundo cavalheiro e os dois se afastaram.

As portas começaram a se abrir e minha ansiedade me fez sentar na ponta do assento.

—”Welcome to Jurassic Park”— Gabriel tentou imitar a voz daquele filme, e isso nos fez rir.

— Sim, é a piada mais popular, mas em nossa defesa, nossas portas foram as primeiras que as de James Cameron, embora a dele seja mais ostensiva.

Era uma estrada longa e pavimentada, com trechos de terra verde de ambos os lados até onde a vista alcançava. Filmamos por cinco minutos antes de podermos ver a casa e então todos ficaram de queixo caído.

— Quando você diz fazenda, imaginamos uma casinha, um celeiro, um lugar para as galinhas, outro para as vacas, os cavalos...— gaguejei, sentindo— me bobo.

— Mas se tivermos, à sua direita está o celeiro, estão os estábulos, um pouco mais adiante estão os porcos, cheiram mal, mas você vai se acostumar. E as galinhas e as vacas estão do lado esquerdo, embora o que se produz seja apenas para o nosso consumo, são mais como animais de estimação, devo dizer— vos. Os meninos até têm nomes.

— Também imaginei um lago— , confessei.

Ameth riu alto: — O lago fica atrás da casa, mostro depois, quando fizermos o passeio.—

— Quantos acres tem isso?— Hayden perguntou.

— Acho que são uns 26 mil. A terra é de 65.000 acres.

— 100 milhas quadradas?!— Jeremy estava voando pela janela. Diga— me que não faremos o passeio a cavalo porque…

— Ficaríamos sem bunda ou órgãos de qualquer tipo— , acrescentou Gabriel, também atordoado.

— Faremos o passeio em vans, mas podemos andar a cavalo, numa distância menor.

— O que se faz com tanta terra? — minha cabeça não conseguia medir o tamanho.

—Entramos pelo lado residencial, mas temos uma entrada separada para o lado comercial. A área residencial ocupa apenas um quarto do terreno.

Eu me senti sobrecarregado, então quando a van Ameth nos pegou parou, eu não consegui nem sair.

A fazenda era uma mansão, uma porra de uma mansão.

— Respira querida, é muita coisa para processar em um dia.

— Eu nem sei quanto é um acre ou um hectare— , sussurrei para Ramsés enquanto caminhávamos para a porta da casa.

Nem eu, então pesquisei no Google. Um quarteirão equivale a 1,7 acres. E também não sei quanto é.

— Amelia, se for muito, me diga.— Eles sabem que perderam o voo e estão muito cansados, então se for demais para você, eu encerro a reunião.

— Obrigado, embora eu não ache que você terá problemas com isso.—

— Ok então, seja bem vinda filha...

E Ameth abriu a porta da frente e me conduziu primeiro.

— Bem— vindo!— Gritos, aplausos, assobios, confetes me cumprimentaram entre as vozes de todos os presentes.

A casa era enfeitada com balões rosa e prata de tamanhos variados, uma enorme placa que dizia “BEM— VINDO” e pendurada em uma das paredes mais compridas da sala, logo acima de uma enorme mesa que tinha uma travessa de queijo derretido e alguns presentes. Mas aquela não era a única mesa, em outra estava a comida, muita comida, de todos os tipos, e em outra mesa as bebidas que me pareciam ridiculamente refrescantes para o calor sufocante do Texas. Os garçons estavam de lado, esperando ordens para começar a nos servir.

Fui apertada por abraços sem fim, e muitos lábios salpicados de beijos em minhas bochechas. Também vi lágrimas que esperava serem de alegria e muitas palavras que tive dificuldade em entender.

Foi uma corrida familiar em nossa direção. Minha família O'Pherer sorriu ao ser saudada com o mesmo calor que me deram, e fiquei consolado ao ver que eles pareciam tão atormentados quanto eu.

Mas foi um fardo bom.

— Eu estava esperando por você, irmãzinha— , disse Enrique do outro lado da sala.

Era um rosto familiar, um rosto familiar e um rosto que eu estava morrendo de vontade de ver há muito tempo.

Caminhei rapidamente e nos abraçamos fortemente. Vi meu pai e minha vó Amara chorarem só de nos ver, e o abracei mais forte, pois agora entendi que essa família havia perdido uma filha, que agora havia voltado. Eu os entendia agora um pouco mais.

Enrique então cumprimentou os O'Pherers e finalmente fez o que havia implorado secretamente algumas semanas atrás. Eu os conheci na clínica, mas não conseguia me lembrar de seus rostos ou nomes, então pedi a ele que me ajudasse.

— Vou apresentá— los: Família, eles são o Dr. Hayden Michia, ele é o padrinho de Ramses O'Pherer, namorado da minha irmã. Este é Gabriel O'Pherer, irmão de Ramsés. Jeremy é filho de Hayden e Ulises é o namorado dela.

E abri os olhos imensamente, não estava nos planos tirar Hayden do armário, não sabia o que ele queria.

— Namorado de Hayden, eu quis dizer— , esclareceu Enrique, alheio a qualquer sinal que eu pudesse estar fazendo dele, — mas é como o caso de Miguelito— , acrescentou piscando e a família assentiu em compreensão, ele iria perguntar mais tarde quem era Miguelito . E desse lado temos: Amara, a melhor avó do mundo, meu tio Amith e sua esposa Paula, são os pais da Nicole, Coli, como o chamamos. E há minha tia Amath, seu marido Unai e seus filhos: meu primo Unam, meu primo Naith e Rapunzel.

— Imbecil, meu nome é Pat— , disse o garoto de 11 anos de cabelos castanhos.

— Na verdade, seu nome é Moama, mas acho que Rapunzel combina mais com você considerando seu cabelo comprido.—

As duas iam ter uma discussão que parecia comum na família, mas minha avó as interrompeu.

— Ah, chega de tantas apresentações, eu os conheço desde sempre e os nomes ainda são difíceis para mim. Vamos comer, você deve estar com fome e eu cozinhei para você por muito tempo — minha avó Amara me arrastou até a mesa de comida, algumas coisas faziam parte de um bufê, mas muitas outras eram comida caseira.

Peguei um prato e pedi para ela me servir só o que ela preparou, eu queria comer da comida dela.

— Você tem que me dizer o que gosta de comer, eu me encarregarei de prepará— lo, e também alguns dos meus pratos mais emblemáticos. Espero que você não seja daqueles que contam calorias, porque minha comida não tem nada de dietético.

Comemos de tudo, bebemos de tudo. Minha família Maggio não parava de falar, me contando anedotas, parece que eles estavam tentando me atualizar depois de tantos anos longe. Também me explicaram quem era Miguelito, é o menino que manda na cavalaria. Todos na casa sabiam que ele era gay, mas ele não queria que sua família soubesse ainda.

A manhã foi ficando tarde e a tarde foi noite, e sem perceber era hora de ir para a cama. Não fizemos o passeio que meu pai havia prometido, estávamos todos tão entretidos que não vimos o tempo passar, mas até Amith e Amath anunciarem que tinham que partir, o caminho até a cidade foi um pouco longo . Os meninos ficariam, afinal estavam de férias.

— Vou te mostrar os quartos— , disse Enrique enquanto subíamos ao primeiro andar da casa e nos mostrou onde cada um de nós dormiria. Aqui estarão Jeremy, Ramsés e Gabriel, neste outro Hayden e Ulises. Nisso Naith e Valiente dormirão...

— É PAT!— , gritou o mencionado acima e Enrique riu.

— Este é o meu quarto, estarei aqui com a Unam.

— Por que Unam não dorme com Naith e Pat?— Ramsés perguntou depois que os três eram irmãos.

— É um quarto grande, mas com duas camas de solteiro. O meu tem duas camas, então… E este é o quarto da sua irmã.

— Um quarto só para mim? Isso não era necessário.

— É o seu quarto.

—Sim, você já disse, mas todos vão dividir o quarto e eu...

Enrique torceu o sorriso e abriu a porta: — Não é um quarto qualquer, é o seu quarto.

A julgar por toda a ante— sala que Enrique deu, fiquei com medo. Imaginei encontrar um quarto de bebê, decorado para me receber quando eu fosse recém— nascido e antes de Rosalía desaparecer comigo, fiquei horrorizado que fosse assim, mas quando entramos era um quarto normal. Muito grande, confortável e com decoração nova, mas não era um quarto de criança.

— Eu aposto que você pensou que encontraria um berço e as coisas de bebê que o papai comprou para você.— Eu balancei a cabeça rindo. Desde que o encontramos, o quarto foi remodelado, bastante modernizado. Embora talvez se você tivesse pegado seu velho berço não se sentiria incomodado quando descobrisse que meu pai quer que você durma com a Unam.

— Mas você disse que a Unam dormiria com você.

— Querida, nunca mude — Ramsés deu um high— five para meu irmão e deixou minha mala na cama.

— Meu pai quer que você durma com a Unam, mas nós dois sabemos que o Ramsés ia querer entrar no seu quarto, a Unam não quer atrapalhar e por isso ela vai ficar no meu quarto.

— Uma situação ganha— ganha, parece— me— , murmurou Ramsés, e Enrique revirou os olhos e balançou a cabeça.

Desempacotei as coisas que havia trazido, sabendo que todos em seus quartos faziam o mesmo. Ramsés entrou em meu quarto com sua mala e começou a desfazer as malas.

— O que? Não vou pegar minhas coisas no outro quarto. Isso é mais prático.

Foi muito atrevido, mas eu deixei. Meu pai sabia que morávamos juntos, sua afirmação era um pouco irreal. Mas além de tudo isso, havia o fato de que eu não queria ficar sozinha, então quando me aconcheguei em seus braços e a tristeza voltou para mim, fui confortada por seu calor. Ele acariciou meu braço e beijou meu ombro até que adormeci.

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Eu não tinha ligado meu telefone desde que dei a notícia para as meninas, e só fiz isso porque Gabriel entrou no quarto logo pela manhã, seu cabelo emaranhado, esfregando os olhos como um garotinho, descalço e ainda meio dormindo, para me dizer para ligar para Mikaela ou Marypaz, porque eles ligaram mil vezes perguntando por mim.

Ele puxou Ramsés para perto e deitou— se ao lado dele. O português abraçou o irmão, mas o meu francês continuou a dormir. Eu os imaginava dormindo assim quando eram pequenos e meu coração se encheu de ternura.

E lá estavam todas as mensagens que me foram enviadas. Nosso chat tinha mais de 400 mensagens, então demorei um pouco para ler todas. As primeiras foram de surpresa, de preocupação quando não compareci, e depois vieram as de apoio. A Marypaz, que sempre foi a que mais entendeu a minha posição na universidade, foi a que mais ficou chateada, principalmente porque ela percebeu uma coisa que eu nem tinha percebido, ela percebeu que eu ia ter o bebê e ficar com isto. Mikaela, que andava desaparecida comprando fraldas, foi mais prática. Ela me disse que tudo bem se sentir triste, mas que não era para mim naquela época, que eu não deveria me sentir culpada e que chegaria a hora de ser mãe.

Respondi às mensagens, sabendo que era muito cedo e que leriam mais tarde.

— Você está acordado?— Enrique me perguntou por uma mensagem. Papai não vai demorar a vir nos buscar.

Acordei os irmãos para irem para o quarto deles e a Unam entrou no meu. Ela estava desgrenhada, também acordada recentemente. Tirei os lençóis da cama, para convidá— la a se deitar. Ela sorriu e se deitou ao meu lado.

— Como você dormiu?— , ele me perguntou enquanto se revirava na cama.

— Bem, está muito quieto aqui. Pacífico.

— Sim, quando eu ficava aqui para dormir o silêncio às vezes me atordoava. Em casa ouço as sirenes, os carros, os ônibus. Não dormi muito, fiquei um pouco desconfortável.

—Sinto muito por você ter que dividir o quarto com Enrique, meu pai...

— Não se preocupe, Ameth nos deixa loucos com suas medidas de segurança. Eu não sei o que diabos está acontecendo com esse pijama, eu não poderia ter engordado!

Sentou— se na cama e puxou as roupas como se quisesse esticá— las.

— É só que você está do avesso— , eu disse a ele rindo quando vi a etiqueta em sua camisa do lado de fora.

— Deus!. Não é à toa que não consegui dormir bem por causa disso.

Unam tirou a camisa descaradamente e ajeitou— a antes de vesti— la novamente.

— Inteligente. Eu finalmente tenho paz. Você se importa se eu dormir um pouco? Eu realmente dormi muito mal ontem à noite.

Deixei ela dormir, fui ao banheiro tomar banho e depois de me vestir saí do quarto.

— Aqui está você— , Jeremy me disse quando espiei pela porta de seu quarto, — seu pai levou Ramsés e Gabriel.— Eu queria falar com você , estou em um impasse na minha investigação. Com essas mensagens que recebi, considerando o número de telefone, tive que descartar meus principais suspeitos — Jeremy falou enquanto caminhávamos para a cozinha onde todos nos esperavam. Não os descartei completamente caso as mensagens sejam uma piada, mas foco em quem conseguiu comprar um número de telefone dessa cidade, quem viajou ou tem usuários na amazon ou em qualquer outra loja de telefones online ...

Ei, estamos de férias.

—Não posso deixar Mia, ela não parava de pensar nisso.

— Eu te ajudo, mas tente relaxar, com a mente limpa, você vai pensar com mais clareza.

Jer assentiu, mas sabia que sua cabecinha ainda estava repassando os nomes daqueles que poderiam ser seu pai biológico.

Depois de tomar café da manhã com minha avó e primos, meu pai nos deu o prometido passeio pela fazenda. Acontece que o lago atrás da casa era na verdade um lago artificial, porque o verdadeiro havia secado há muito tempo. Na lagoa pudemos praticar alguns esportes porque havia barcos a remo, ski boats, jet skis e um parque aquático com infláveis e escorregador, os olhos dos meninos brilhavam.

Os estábulos também eram impressionantes, os cavalos eram adoráveis e conheci Miguelito, o veterinário da fazenda. E as vacas e galinhas me faziam rir muito, algumas eram tão mansas que agiam como cachorros.

—Estudos científicos demonstraram que as vacas são tão inteligentes quanto os cachorros. Eles podem escolher seus melhores amigos dentro do rebanho, hierarquizá— los na hora das refeições —explicou— nos Miguellito—. Além disso, os meninos domesticaram tanto todos esses bichos que temos o caso do Timoteo 7mo— , disse, apontando para uma galinha de penas marrons que se recusava a andar no chão com as outras galinhas, — que só sabe coma em um prato e beba água em um copo e odeie a terra.

— Sétimo?— Gabriel perguntou, segurando um coelho em seus braços? E os outros seis? Não me diga que eles comeram.

— Bem, nem todas morreram, as galinhas costumam viver uns 15 anos, mas as que morreram foram enterradas com honras —Miguelito riu, talvez lembrando o que passou com crianças tão pequenas—, mas quando há cem galinhas é difícil dar nomes a todas e com o tempo a criatividade acabou.

Era um lugar fascinante e as atividades que meu pai havia organizado para todos nós, para que pudéssemos aproveitar nossas férias, me emocionaram.

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O terceiro dia foi um pouco mais tranquilo, passei o dia junto com Hayden tomando sol na margem do lago enquanto os meninos estavam nos jet skis e esquiando.

Gabriel estava sentado na beira do píer, balançando os pés como uma criança pequena, falava ao telefone, mostrando a paisagem à nossa frente e rindo.

Eu gostava tanto de vê— lo rir e queria conhecer a pessoa com quem ele estava falando, queria conhecer a namorada dele.

Levantei com muito cuidado, peguei uma das boias que estavam na margem e mergulhei com cuidado. Nadei embaixo do píer, felizmente era um lago artificial e não uma praia, talvez eu tivesse batido muito mais no píer do que já bati.

Cheguei à escada que ficava logo atrás do Gabriel e subi prendendo a respiração, não querendo ser descoberta. Eu esperava que ele estivesse tão concentrado na conversa que não ouvisse qualquer barulho que estivesse fazendo.

Espiei com cuidado e o vi sentado de costas, a tela mostrava a paisagem, só tive que esperar que ele voltasse para a tela da pessoa com quem falava, para ver. Eu pegaria o telefone dele e me apresentaria.

Meu plano não era o melhor, mas era alguma coisa.

Claro, ele não contava com o fato de não ser ágil o suficiente para fazê— lo.

nada ágil

Quando a câmera virou novamente e comecei a ver o que parecia ser o cabelo da namorada do Gabriel, subi correndo os degraus restantes, mas estavam escorregadios então meu pé não aguentou, escorregou entre a madeira, dobrando em uma direção. dolorosamente , e minhas mãos também não conseguiram segurar, então caí na água, batendo com o pulso esquerdo em um dos degraus, o mesmo em que minha cabeça ricocheteou.

Consegui respirar um pouco antes de cair na água, mas a dor no pulso, no tornozelo e na cabeça, somada ao fato de não conseguir atingir o fundo o suficiente para emergir, me assustou.

Esqueci como nadar, esqueci como respirar, esqueci onde era o chão e onde era o céu. E o medo foi aumentando, a ponto de eu ter medo de tentar nadar na direção oposta e acabar no fundo, ou no fundo.

E eu congelei.

Mãos envolveram minha cintura e me puxaram para cima.

A luz do sol me cegou e o ar finalmente chegou aos meus pulmões.

— Está bem? Amelia, você está bem?— Ramsés me perguntou enquanto segurava meu peso na água enquanto nadava.

— Sim, eu me bati quando caí— , expliquei.

— Eu vou verificar você.—

Ramsés levantou parte do meu corpo para fora da água e as mãos de Gabriel me seguraram, pouco antes de ele me soltar novamente.

Na minha queda, bati com o cotovelo na cabeça de Ramsés.

— Por que você está me deixando ir?— Eu gritei para ele.

— Seu maiô se soltou— , Ramsés me disse, enquanto tentava me cobrir.

Gabriel jogou a camisa em mim e eu me cobri com a ajuda de uma das mãos, e sem minhas meninas no ar, o português finalmente me ajudou a levantar.

Ramsés subiu tão rápido que fiquei com raiva. Eu deveria tê— lo enviado para investigar. O futuro médico começou a verificar meu tornozelo, pulso e finalmente minha cabeça.

— Pelo menos desta vez não foi uma cãibra— , disse Gabriel, virando— se para que eu pudesse colocar sua camisa. Usei a mão não dolorida para cobrir os seios, pois a camisa estava transparente com a água.

— Você não tem nada quebrado, embora eu ache que vai levar um galo, bem aqui— e pressionou onde levou o golpe.

— Uau! Isso dói— , reclamei enquanto ele me ajudava a levantar.

— Isso passa por fofoca, Beleza. Você já ouviu falar que a curiosidade matou o gato?

— É tudo culpa sua, se você não insistiu em ter uma namorada escondida— , eu o repreendi enquanto mancava a caminho de casa.

— Queremos privacidade— , refutou.

—Privacidade não significa que está escondido. Vou acabar acreditando que você tem uma segunda namorada e que não quer que ninguém saiba de nenhuma.

— Não é assim…

— Então é ela quem tem a segunda frente e mantém você escondido.—

Afastei— me dos portugueses o mais dignamente que pude mancando, Ramsés me levando pela mão como se eu fosse de repente uma velha decrépita e minha barriga latejando na cabeça.

Não havia nada de digno nisso, mas ele tinha que tentar.

— Também quebrou por trás, Beleza— , gritou quando eu ia entrar em casa, mas foi Ramsés quem se apressou a cobrir— me o traseiro.

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