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Capítulo 05

Sarah

O dia passou bem lento hoje, apesar de ter trabalhado muito. Esbarrei algumas vezes com o Philip e todas as vezes são desagradáveis, apesar de ser um colírio para os meus olhos.

Saio do trabalho indo ao mercado fazer compras, e claro que não vou comprar muitas coisas, já que não sei cozinhar. Compro algumas comidas congeladas e produtos industrializados, é com isso que irei me virar nos próximos dias.

Passo na sessão de doce e fico olhando para a lata de leite condensado. Eu e a minha irmã amávamos comer brigadeiro de colher e assistir filmes juntas. Sorri com a lembrança.

Penso em pegar a lata, mas recuo como se aquela lata fosse a Savana. Não falo com a minha irmã desde que sai de casa para morar em Aracaju. Depois da briga com meu pai ela ficou do lado dele, tentou me ligar algumas vezes, mas depois de uns meses nunca mais tive contato.

Apesar de ter acontecido há anos, ainda me afeta.

Me desfaço dessas lembranças e vou pagar os itens que escolhi.

Chamo o táxi e vou para minha nova casa, que tem a cara da minha casa antiga. Rir ao lembrar o que o meu amigo fez por mim.

Quando cheguei ao prédio, vejo uma pessoa entrar no elevador de serviço e grito para que ela segure a porta para mim.

Corro para entrar, o mais rápido que as sacolas pesadas permitem.

— Obrigada, bom ver que ainda existem pessoas boas por aqui — digo de costas para a pessoa que tinha segurado o elevador.

— Devo entender isso como um elogio? — ouço a voz do insuportável Philip.

— Só pode ser brincadeira — sussurro olhando para cima. Como se fizesse súplicas ao cara lá de cima. — Me lembrava de Porto Alegre maior e com pessoas mais agradáveis, mas encontrar a mesma pessoa grossa em lugares diferentes é o cúmulo — reviro olhos ainda sem olhar para o mesmo.

— Se não gosta da cidade pode ir embora, não queremos você aqui.

— Meu problema não é com a cidade e sim com você — digo virando para ele. — Posso te deportar de volta seja lá de onde veio?

— A princesa está bem alterada hoje — ele diz. — Tanto que nem apertou para que andar queria ir — ele diz.

— Não que seja da sua conta, mas meu andar é o mesmo que você vai — digo e viro de costas.

1, 2 e 3. Foi esse o tempo que levou para ele associar que moramos no mesmo prédio e andar.

— Ah — ela diz zangado. — Só pode ser uma piada — posso o ver revirar os olhos. — Devo ter pecados horríveis a serem pagos.

Respiro fundo e ignoro o que ele diz.

Paro no meu andar e saio.

Estou cheia de sacolas nas mãos e ainda tenho que pegar as minhas chaves. Tento fazer tudo sem soltar as sacolas, mas acabo me atrapalhando toda.

— A princesa não foi feita para carregar sacolas — ele diz e tira umas das minhas mãos. — Se o grosseiro aqui puder te fazer essa gentileza.

Não falo nada. Detesto quando estou errada e quando tenho que aceitar ajuda.

— Obrigada — digo obrigada a agradecer, graças a boa educação que recebi.

Pego minhas chaves e em seguida abro a porta.

— Tenha uma boa noite — ele diz e logo estende as salas, me devolvendo as minhas coisas. Em seguida entra na casa que hoje pela manhã vi a Laurinha sair.

Não sei por que, mas me desanimo ao constatar que esse deve ser o pai dela e que ele é casado com a Mônica.

— Não inventa, Sarah — digo a mim mesma. — Por que se importar com isso?

Me desfaço dos meus pensamentos e arrumo minhas coisas.

Coloco um dos congelados no forno e vou terminar de guardar o restante das compras.

Desligo o forno assim que termina e vou tomar um banho.

Depois de um dia longo como esse, nada como um banho para relaxar.

Depois do jantar com o que preparei, vou ao meu quarto, que também é idêntico ao de Sergipe, e enfim eu durmo, nem tento desfazer as malas, sei que o cansaço não deixaria.

--♡--

Acordei cedo hoje, pois tinha muita coisa para fazer no escritório. Meus últimas dias haviam sido assim, trabalho e mais trabalho. Com sorte, no fim, conseguiria alcançar o meu sonhado cargo.

Fazem exatos cinco dias que estou trabalhando aqui, já encontrei vários erros e quase desistir ao tropeçar nos problemas. Mas como toda guerreira, não fugi da batalha.

A semana mais longa da minha vida passou e tenho que confessar, estou muito feliz por hoje ser sábado.

Nem penso em fazer nada além de assistir, ler e dormir. Estou no meu limite de nível de cansaço.

Me levanto da cama e vou ao banheiro. Após um banho relaxante, como apenas uma fatia de pão é uma xícara de café.

Só penso em uma coisa, voltar para cama e só levantar na segunda.

São nove da manhã e ouço a campainha tocar. Atendo estranhando o motivo, pois não espero por ninguém.

— Bom dia vizinha — sorri ao ver a Mônica na minha porta. — Desculpa incomodar, é que estou sem muitas opções hoje.

— Quer entrar? Você não incomoda — digo gentil.

— Não posso demorar, as crianças estão sozinhas — ela diz. — Eu tenho que ir rapidinho no trabalho e não posso levar as garotas, meu irmão saiu para correr e estou na berlinda.

— Quer que eu fique com elas?

— Se não for pedir muito, serei rápida — ela fala apreensiva. Entendo que realmente sou sua última e até única opção.

— Claro que fico com elas, a Laura é um amor, vou amar conhecer sua outra filha.

Ela parece feliz e aliviada. Vamos juntas ao apartamento dela e peço licença ao entrar.

A casa estava uma zona, comida e brinquedos espalhados por todo canto, mas posso ver muito potencial nela, por baixo dessa bagunça toda tem um apartamento muito bonito.

— Me desculpa a bagunça — ela fala percebendo que os meus olhos percorrem todo lugar.

Ela me explicou que achava melhor ficar no apartamento dela, porque o irmão dela poderia voltar a qualquer momento e iria surtar se não as visse lá.

— Eu volto em uma hora no máximo — ela diz antes de sair.

Logo ela sai me entregando a pequena Liz nos braços.

Olho para baixo e vejo a Laurinha me olhar curiosa.

— Tia — ela diz me cumprimentando.

— Oi pequena — digo. — O que acha dá gente fazer uma surpresa para a mamãe e arrumar tudo?

— Sim! — ela grita animada. - Só não sei por onde começar - ela diz fazendo careta. Ri dela.

Ainda com a Liz nos braços começo a tirar os brinquedos do chão e guardar onde a Laurinha disse ser o lugar certo.

Depois dos brinquedos guardados e a sala arrumada, começo a pegar todos os pratos de comida e levo até um balcão que dividia a cozinha da sala.

— O tio vai ficar muito feliz — ela diz.

— E o seu pai? — puxo o assunto por curiosidade, já que o vi ontem entrando no apartamento.

Quando a mesma iria me responder a porta é aberta e vejo uma cara curiosa e confusa nos olhando. O Philip acabará de entrar.

Meu dia não tinha como ficar melhor — penso e me imagino revirara os olhos.

Ele me olha e depois para as meninas, a Liz estava no sofá, que agora estava limpo, e brincava com o seu mordedor. Claro que rodeada de almofadas para não cair. A Laura estava a minha frente, em pé onde decidíamos o que iríamos fazer agora.

— Devo ter entrado na casa errada — ele diz virando para sair.

— Não seja bobo — Laurinha diz. Me admiro pela forma que ela fala com o pai.

— O que está acontecendo aqui? — ele pergunta voltando a olhar para nós.

— A Mônica, mãe das meninas, teve que sair e pediu para ficar com elas — respondi como se fosse óbvio.

— Mas no meu apartamento? — ele aponta para si com a mão.

— Ela ficou com medo do irmão dela chegar e não as ver aqui — digo. — Só esqueceu de avisar que o pai também era surtado - sussurro a última parte para apenas eu escutar.

— Olha, arrumamos a casa — Laurinha fala quebrando o clima ruim que estava ali. — Falta a cozinha.

Ele parece finalmente voltar a si.

— Ficou muito boa — ele diz para a pequena. — A cozinha pode deixar comigo — ele pisca para ela.

— Não, pode deixar que a gente arruma — diz a Laura.

— Tenho certeza que a senhorita Sarah tem coisas para fazer em casa — ele fala. — Já pode ir, não queremos mais incomoda-la.

— Não é incômodo algum, irei ficar até a mãe das meninas voltar, assim como ela me pediu.

— Iupe! — Laurinha grita e pula.

Ele me encara com um olhar mortal.

— Como quiser — ele diz simplesmente, em seguida, segue para a cozinha, e eu o sigo.

A Laurinha vem atrás de nós e deixo a Liz na sala, onde posso vê-la perfeitamente.

— Laurinha, pode ficar um pouco com a Liz? Quero ficar a sós com a senhorita Sarah — Philip fala e estranho.

Ela sai nos deixando a sós.

Lá vai começar a nossa rotina diária de insultos e brigas. Só queira um dia tranquilo, é pedir muito?

— Está me seguindo? — ele pergunta e arquiei uma sobrancelha.

— Que?

— Na empresa, no elevador, na minha casa — ele começa a citar os lugares onde nos vemos.

— Por favor, Philip — reviro os olhos. — O mundo não gira em torno de você, principalmente o meu mundo — digo e vou até o balcão, pegando a louça e a colocando na pia.

— A bagunça é minha, eu arrumo — ele parece finalmente despertar dos seus pensamentos.

— Já estou limpando, vai procurar outra coisa pra fazer que não seja me perturbar — digo enquanto lavo a louça.

Ele ia responder, mas a Laurinha entra na cozinha.

— Tia — ela diz. — Posso ajudar?

— O seu pai parece precisar mais da sua ajuda que eu — digo a ela.

— Pai? — eles falam em uníssono.

Olho confusa com a reação deles.

— Ele é o meu tio, tia — ela diz.

— Mônica é minha irmã — ele diz como se me devesse alguma satisfação, como se aquela informação tivesse urgência em ser dita.

Uma parte de mim gostou de ter ouvido isso.

— Devo ter feito confusão então — digo sem graça. — Deste modo, veja com seu tio se ele precisa de algo.

— Tio — ela ia falar algo, mas ele a interrompe.

— Vamos ajudar a senhorita Sarah com a louça, a princesa não deve nem saber como se faz isso — ele diz. Reviro os olhos com o apelido.

Não digo nada.

Ele coloca a Laurinha sentada no balcão e vem me ajudar.

— Eu seco — ele diz no pé do meu ouvido, como se soubesse que me afetaria.

Fecho os olhos tentando me controlar e volto a lavar a louça.

Passamos um tempo em silêncio até que a Laurinha começa a cantar e o Philip a acompanha na música.

Ri com eles. Eles me fizeram lembrar da Samara, do Antony e da minha linda afilhada, Paulinha.

— Acho que acabamos com a cozinha — digo depois de passar um pano nos móveis e chão da cozinha.

— Agradeço pela ajuda, princesa — ele diz. Estava até levando a sério sua gentileza, até ele complementar a frase com o apelido que me deu.

— A Mônica ainda não voltou, então não pense que se livrou de mim — digo. Ele revira os olhos bufando.

— Tios, quero banho — Laurinha diz.

— Claro, me mostra o banheiro que te ajudo — digo indo até ela.

— Pode deixar, minhas sobrinhas, minha responsabilidade — ele me para e vai até elas.

— Ela pediu para mim — faço birra.

— Não tem problema, os dois podem me dar banho — Laurinha resolve o problema.

Ele me fuzila com o olhar e finjo não ligar.

Pego a Liz e sigo a Laurinha pela casa.

— Pode me dá a Liz, ela dá mais trabalho no banho, você pode ficar com a Laurinha — ele diz, e dessa vez não tem deboche na sua voz.

— Isso foi um pedido ou uma ordem?

— Um conselho — ele diz e parece falar sério. Mesmo desconfiada entrego a bebê para ele.

Entramos no banheiro delas, ele dá banho na Liz na banheira dela e eu fico com a Laurinha no chuveiro.

A Laurinha pula, joga água para todos os lados, canta e não para quieta um instante, enquanto a Liz não faz um som.

Olho furiosa para ele, que babaca.

Ele havia me enganado.

Ele sai com Liz e vai colocá-la na cama para vesti-lá.

— O que acha de fazer uma pegadinha? — sugiro para pequena. Ela sorri cúmplices comigo.

Terminamos o banho dela e a enrolo na toalha.

— Tio! — ela grita do banheiro. — O chuveiro quebrou, tá derramando muita água.

Ela grita e ele vem correndo ver o que aconteceu.

— Estava funcionando mais cedo — ele diz entrando no box para tentar desligar o chuveiro.

Assim que ele estica a mão para desligar empurramos ele no chuveiro fazendo com que ele se molhe todo.

Saímos correndo no banheiro em seguida.

Rimos no quarto ouvindo ele reclamar da água fria.

Ouvimos ele desligar o chuveiro e se aproximar.

Ele aparece no quarto pisando forte, os seus sapatos estavam encharcados. Estava fumaçando de raiva.

Seguramos o riso assim que o vejo se aproximar.

— O que vai fazer? — pergunto percebendo que ele estava vindo em minha direção.

— Acho que você é a única que está seca — ele diz antes de me puxar pela cintura.

Ele me segura forte e me abraça, me molhando inteira.

Depois balança a cabeça fazendo com que os pingos d'água do seu cabelo espalhe pelo meu corpo.

— Me solta — peço depois de está toda molhada. — Você que começou, só te devolvi.

Ele ia falar algo, mas a Liz resmunga na cama e ele finalmente me solta.

— Babaca — digo a ele. Me viro e pego a Liz.

— Calma princesa — ele diz e sai do quarto logo em seguida.

Bufo.

Coloco a Liz de volta na cama, e tento me secar com a toalha.

Laurinha pega a sua roupa e me ajuda a vesti-lá. Depois arrumo a Liz e descemos as escadas voltando a sala de estar.

Continua...

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Beijo, Larissa.

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