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Capítulo 5 A morte que parecia acidente

— Porque você invadiu o escritório do meu pai, roubou documentos e testemunhou um assassinato.

— Um assassinato cometido por alguém da empresa de vocês.

— Você viu o rosto do atirador?

Emily pensou no homem de luvas pretas.

— Não.

— Então não sabe quem cometeu.

— Daniel Harper disse o nome do meu pai antes de morrer.

A frase pareceu atingir Cole.

Muito rápido.

Mas atingiu.

— O que exatamente ele disse?

— Por que se importa?

— Responda.

— Não me dê ordens dentro da minha casa.

Cole olhou ao redor.

O apartamento estava destruído. Uma cadeira virada. Vidros espalhados. Dois homens caídos no chão.

— Este lugar não é mais seguro.

— Graças à sua família.

— Graças à sua investigação.

Emily avançou até ficar a poucos centímetros dele.

— Meu pai morreu por causa da Blackwood Defense. Daniel Harper morreu por causa da Blackwood Defense. E dois homens invadiram minha casa procurando arquivos roubados da Blackwood Defense. Não tente transformar isso em culpa minha.

— Você entrou em um território que não compreende.

— Você continua repetindo isso como se fosse uma resposta.

— Porque continua agindo como se a verdade a tornasse intocável.

— E você age como se o medo desse à sua família o direito de controlar todo mundo.

Os olhos de Cole escureceram.

— Minha família não controla todo mundo.

— Só aqueles que ainda estão vivos?

O silêncio que seguiu foi pesado.

Emily percebeu que havia ultrapassado alguma linha.

Não se arrependeu.

Cole aproximou-se.

Ela precisou erguer o rosto para manter o contato visual.

— Você acredita que sabe quem eu sou — disse ele.

— Sei o suficiente.

— Não sabe nada.

— Sei que trabalha para Victor Blackwood.

— Isso não significa o que você pensa.

— Significa exatamente o que parece.

— Aparências enganam.

— Seu pai acabou de organizar uma festa beneficente enquanto um homem era assassinado a poucos metros. Não me fale sobre aparências.

Por um instante, a raiva de Cole pareceu romper o controle.

Ele segurou o pulso dela.

Não com força suficiente para machucá-la.

Apenas para impedir que se afastasse.

— Escute com atenção — disse ele. — Os homens que entraram aqui não pertencem à equipe que estava no hotel.

— Como sabe?

— Porque eu conheço cada homem que trabalha para meu pai.

— Que reconfortante.

— Eles também não tinham ordens para interrogá-la por muito tempo.

Emily olhou para o invasor caído.

— Você conhece os dois?

— Não.

— Então como sabe quais eram as ordens?

— Porque um deles estava carregando isso.

Cole retirou do bolso do homem desacordado uma pequena seringa lacrada e mostrou a ela.

Emily sentiu um enjoo.

— O que é?

— Algo para fazer sua morte parecer acidental.

A sala pareceu inclinar-se.

— Acidental como a do meu pai?

Cole não respondeu.

A ausência de resposta era uma resposta.

Emily puxou o pulso, mas ele não soltou imediatamente.

— O que você sabe sobre Thomas Carter?

Cole fitou-a.

Aquela mesma sombra do hotel voltou aos seus olhos.

Culpa.

Emily tinha certeza agora.

Ele sabia de alguma coisa.

— Cole.

Foi a primeira vez que pronunciou o nome dele.

A reação foi sutil, mas existiu. Os dedos dele afrouxaram em torno de seu pulso.

— O que aconteceu com meu pai?

— Este não é o lugar.

— É a minha casa.

— E haverá mais homens aqui em poucos minutos.

— Então fale depressa.

— Não.

— Você não pode entrar na minha vida, tirar documentos de mim e decidir o que tenho o direito de saber.

— Posso impedir que seja morta antes de descobrir.

— Você não está tentando me proteger. Está tentando controlar o que eu sei.

Cole soltou-a.

— Onde estão as cópias?

Emily riu sem humor.

— Finalmente.

— Não temos tempo para isso.

— Essa era a pergunta desde o início, não era? Você não veio me salvar. Veio recuperar os arquivos.

— As duas coisas podem ser verdadeiras.

— Para homens como você, sempre são.

Ela caminhou até a bolsa e começou a recolher seus pertences.

Precisava sair dali.

Precisava encontrar Noah.

Cole observava cada movimento.

— Para quem enviou os arquivos?

— Não é problema seu.

— Se enviou para alguém, essa pessoa está em perigo.

As mãos de Emily pararam.

Noah.

O desaparecimento ainda não acontecera, mas a ameaça já existia. O simples pensamento de os Blackwood chegarem até ele fez seu peito apertar.

— Você está me ameaçando?

— Estou dizendo como isso funciona.

— Para sua família?

— Para pessoas que não deixam testemunhas.

— Você é uma delas?

Cole permaneceu em silêncio.

Emily ergueu o olhar.

— Quantas pessoas você já silenciou?

A pergunta ficou entre os dois.

Ele poderia mentir.

Poderia demonstrar indignação.

Poderia dizer que ela estava errada.

Cole não fez nada disso.

— Mais do que gostaria — respondeu.

A honestidade foi pior do que qualquer ameaça.

Emily sentiu medo dele de verdade pela primeira vez.

No corredor, ouviu-se uma porta abrir.

Vozes.

Alguém reclamava do barulho.

Cole caminhou até a entrada e olhou pela fresta.

— A polícia será chamada.

— Ótimo.

— Não.

— Dois homens invadiram meu apartamento.

— E você estava com documentos roubados de uma empresa de defesa.

— Sou jornalista.

— Invadir um escritório continua sendo crime.

— Testemunhei um assassinato.

— Sem imagem do atirador.

Emily apertou a bolsa contra o corpo.

— Tenho a gravação da conversa.

Cole virou-se lentamente.

— Mostre.

— Não.

— Emily.

Ouvir seu nome na voz dele causou um efeito que ela não queria compreender.

— Não confio em você.

— Deveria confiar menos ainda na polícia que chegará aqui.

— Por quê?

— Porque alguém conseguiu colocar dois homens dentro deste prédio sem acionar nenhuma câmera. Alguém sabia quando você voltaria. Alguém sabia exatamente o que procurar.

— Você está dizendo que a polícia está envolvida?

— Estou dizendo que não sei quem está envolvido.

— Mas espera que eu entre em um carro com você?

— Sim.

— Você enlouqueceu.

Cole se aproximou e pegou o casaco dela sobre a cadeira.

— Pegue o que precisar.

— Não vou a lugar nenhum com você.

— Vai.

— Tente me obrigar.

Ele parou diante dela.

A diferença de altura e força era evidente. Ainda assim, Emily não recuou.

— Não quero machucá-la — disse Cole.

— Que nobre.

— Mas não vou deixá-la aqui.

— Você não decide.

— Hoje, decido.

Emily levantou a mão e o acertou no rosto.

O som seco atravessou a sala.

Cole permaneceu imóvel.

O rosto virou-se alguns centímetros com o impacto. Quando voltou a encará-la, havia uma marca vermelha surgindo em sua face.

Emily esperou uma reação.

Qualquer reação.

Ele apenas passou a língua discretamente pelo interior da boca.

— Terminou?

— Nem comecei.

Ela tentou passar.

Cole segurou-a pela cintura e a ergueu do chão.

Emily soltou um grito de indignação.

— Coloque-me no chão!

— Você pediu que eu tentasse.

— Seu desgraçado!

Ela golpeou as costas dele com os punhos enquanto Cole a carregava em direção à porta.

— Eu vou chamar a polícia!

— Pode explicar a eles no carro.

— Isso é sequestro!

— Considere uma mudança temporária de endereço.

Emily acertou o ombro dele.

Cole nem diminuiu o passo.

— Você é sempre tão insuportável? — perguntou.

— Só quando sou sequestrada por assassinos arrogantes.

— Então não tem experiência suficiente para comparar.

Ele a colocou no chão apenas para vestir o casaco sobre seus ombros.

Emily tentou correr.

Cole segurou seu braço e a puxou de volta.

A proximidade repentina fez os dois pararem.

Ela sentiu a respiração dele junto ao rosto.

Cole olhou para sua boca por uma fração de segundo.

Emily percebeu.

E odiou perceber.

— Solte-me — disse, mais baixo.

— Assim que estivermos seguros.

— Eu nunca estarei segura com você.

A frase fez alguma coisa se fechar no rosto dele.

— Provavelmente não.

Antes que Emily pudesse responder, o homem desacordado atrás deles gemeu.

Cole soltou-a e voltou à sala.

Ajoelhou-se ao lado do invasor, agarrou-o pela gola e o forçou a abrir os olhos.

— Quem enviou você?

O homem sorriu com sangue nos dentes.

— Vá para o inferno.

Cole pressionou dois dedos contra o ferimento no ombro dele.

O sorriso desapareceu.

Emily desviou o olhar.

— Quem deu a ordem? — repetiu Cole.

— Você sabe.

— Quero ouvir.

O homem respirou com dificuldade.

— Ela não pode sair viva.

Cole aumentou a pressão.

— Quem?

O invasor riu outra vez, apesar da dor.

— Pergunte ao seu pai.

O corpo de Cole ficou rígido.

Emily sentiu o coração acelerar.

O homem continuou:

— Victor quer a garota morta antes do amanhecer.

Cole o soltou.

O invasor caiu de lado, ainda rindo.

— Seu próprio pai — disse Emily.

Cole ficou de pé.

— Ele pode estar mentindo.

— Você acredita nisso?

Cole não respondeu.

As sirenes começaram ao longe.

A polícia.

Ou homens disfarçados de polícia.

Emily já não sabia.

Cole pegou o dispositivo preto, a arma do invasor e o celular dela.

— Ei!

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