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Ego ferido Parte I

Um mês já havia se passado e as coisas não estavam saindo como Carlos havia planejado. Por mais que ele investisse mesmo que sutilmente era como se não tivesse efeito em Ana. O que era estranho já que nunca precisou conversar mais do que apenas algumas horas ou até mesmo alguns minutos para ter a mulher que ele quisesse em seus braços.

— Deveria mudar a minha tática?

Perguntou a Marcos, mas o mesmo estava bastante entretido olhando as mulheres dançarem. — Cara, estou falando com você!

— Dá um tempo, irmão! Já não basta esse assunto no escritório agora também na balada?- estava indignado com Carlos atrapalhando a sua noite.

— Ainda se diz meu amigo!- disse fazendo drama.

— E sou! Mas você precisa dá um tempo disso, olhar outras paisagens...veja quanta paisagens bonitas.- apontou para as mulheres a sua frente.

— Não estou a fim! - ajeitou-se sobre o banco perto do balcão.

— Desde que essa menina chegou você não está a fim de mais nada... têm quantos dias que você não leva ninguém para o seu apartamento? Claro, sem contar com o dia que você levou Ana porque não rolou nada.- disse de uma forma sarcástica enquanto levava sua bebida novamente a boca.

— Quem disse que não aconteceu nada?-continuou.

— Você mesmo disse. Aconteceu ou não aconteceu?

Marcos tinha dois ponto fraco:

O primeiro era às mulheres e o segundo sua curiosidade. Não era um fofoqueiro, mas gostava de se manter informado porque ter informações significava ter poder.

— Ela me beijou. - levou a bebida a boca.

— Então já é alguma coisa.- insinuou.

— Até poderia ser se ela não tivesse me chamado de Elijah.- havia uma certa frustração em suas palavras.

— Mentira!- Marcos não conseguiu se conter e começou a gargalhar.— Cara, isso deve ter ferido bastante o seu orgulho.- disse dando uma pausa em suas gargalhadas.

— Continua rindo seu trouxa e no final veremos quem ri melhor.- colocou seu copo sobre o balcão.

— Desculpe, irmão, mas é quase impossível não rir...essa é a primeira vez que isso acontece.

Marcos não podia negar que ouvir aquilo não estava o divertindo, pois era a primeira vez vendo seu amigo ser rejeitado ou pior sendo confundido com outro.

— Quer saber, acho melhor voltar para o apartamento.- só de lembrar sentia seu ego sendo quebrado várias e várias vezes.

— Ana e seus milagres.- deu dois tapinhas em seu ombro esquerdo.

Carlos caminhou até o seu carro enquanto pensava nas palavras do seu melhor amigo. De fato olhando por esse lado sentiu que aquela atitude feriu o seu orgulho.

Pegou seu celular para a convidar para sair, mas foi interrompido por uma voz feminina bastante conhecida.

— Carlos?- Uma mulher de cabelos médios e salto alto o chamou.

— Samantha! O que faz aqui?- ele a abraçou.

— Creio que o mesmo que você. Mas como te encontrei acho que não preciso procurar lá dentro o que tenho aqui fora, não é?- acariciou o seu peitoral por cima do terno.

Samantha era uma mulher muito sedutora e também filha de um dos mais bem sucedidos empresários do ramo automobilístico do país.

Ainda pensou em dispensá-la, mas Marcos estava certo, fazia tempo que ele não tinha relações com ninguém e não seria por causa de Ana que ele a dispensaria.

— No meu apartamento ou no seu?-Ele a puxou para perto de si sussurrando em seu ouvido.

— No seu!- respondeu sem ao menos pensar.

Carlos a levou para seu apartamento e enquanto tirava a roupa dela seu celular tocou.

— E sério que vai atender? Agora? - perguntou incrédula.

— Pode ser algo importante.- olhou quem o estava ligando.— Ana?

— Ana? Que Ana?

Samantha e Carlos não tinham um relacionamento formal, mas eram ficantes fixos e isso de certa forma fazia com que ela se sentisse no direito de ter ciúmes dele.

— Minha nova secretária.

Se afastou um pouco dela.

— Você vai me deixar assim para atender a sua secretária?

Tá, aquilo era estranho já que ele nunca deixava nada atrapalhar seus momentos íntimos.

— Xiii!- a expressão dela não era muito boa depois que ele pediu que ela fizesse silêncio.

—Oi, Ana, o que quer?

— Desculpa está ligando a essa hora, mas é que eu acho que troquei os envelopes que estavam sobre a sua mesa e eu preciso dele para poder redigir o novo contrato.

— Faça isso amanhã.

De fato naquele momento ele percebeu o quanto seu orgulho estava ferido, por isso suas respostas eram curtas.

— É que não sei se teremos tempo para isso.- ainda tentou se justificar, mas foi interrompida pela voz de Samantha.

— Seu chefe disse que amanhã, tá bom?

Samantha tomou o celular da mão de Carlos e desligou.

— Por que fez isso?

— Se quiser eu posso ir embora.

— Não! - ele a puxou novamente e a beijou.

Na manhã seguinte Carlos não foi buscá-la como de costume, mas enviou o seu motorista e ao chegar na empresa ela notou que ele ainda não havia chegado.

— É, a noite foi boa, muito boa! - colocou sua bolsa sobre a mesa e pegou o envelope certo na mesa dele.— A vergonha que você me fez passar ontem não tá escrito.- disse olhando para o envelope em sua mão.

Enquanto Ana redigia o contrato, Marcos entrou na sala.

— Bom dia, Ana!- Marcos como sempre emanava bom humor.

— Bom dia, senhor Marcos.

Ana não podia negar que ver Marcos era como um colírio para os seus olhos já que o mesmo era muito bonito.

— Me faça um favor, não me chame de senhor Marcos, faz com que eu me sinta velho.- riu.

— Força do hábito.

Marcos tinha o que toda mulher gostaria de encontrar em um homem. Beleza, carisma, era bem sucedido, porém como nem tudo é perfeito Marcos tinha um defeito, e esse defeito era o amor pelas mulheres. Em outras palavras, um verdadeiro mulherengo.

— E Carlos, onde está?- perguntou olhando para a mesa dele.

— Ainda não chegou.

— Como não chegou? Vocês sempre chegam juntos.- disse surpreso.

— Dessa vez só o motorista foi me buscar.-

Respondeu meio sem graça.

— o que será que aconteceu?

— Eu acho que eu sei o que aconteceu. disse meio envergonhada.

— Sabe?- estava bastante curioso.

— Ontem acabei ligando para ele por conta do contrato e.- deu uma pausa.—uma mulher estava com ele.

— Ah, então é isso.

Essas foram as palavras que saíram da sua boca, mas a frase em seus pensamentos era essa. — esse é o meu garoto.—

— Pois é!

— Já que ele não está, por que não tomamos um café?- Ouvir de Carlos que suas investidas não obtiveram sucesso despertou uma certa curiosidade em Marcos, afinal ele era um predador nato e como todo predador ele também gostava de desafios.

— Ótima ideia.- levantou, pegou sua bolsa e o acompanhou.

Marcos e Ana se dirigiram até o elevador e deram de cara com Carlos com uma cara de quem não dormiu a noite.

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