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Giovanna
— Anda, vem! Vamos dançar! — Alba insiste, arrancando o copo quase intocado da minha mão e sou literalmente rebocada para o meio de uma pista circular com alguns jogos de luzes coloridas, onde poucas pessoas se aventuram a dançar. — Então, vai me dizer o que está aprontando? — Ela questiona, mexendo-se bem na minha frente e mesmo a contragosto, começo a dançar com ela.
— Por que acha que estou aprontando alguma coisa? — ralho e faço um sinal para o garçom.
— Você não tira os olhos daquelas pessoas, Giovanna. — Ergo as sobrancelhas com desdém.
— Pessoas? — Dou uma de desentendida. — Que pessoas? — Alba revira os olhos.
— Qual é, Giovanna? — Ela retruca. Contudo, percebo o tal carinha se afastar do grupo e sair da antessala em seguida. Isso me inquieta e penso em uma maneira de me livrar da minha amiga pegajosa para encontrar um jeito de me aproximar dele agora.
— Me espere aqui! — falo de repente e me afasto dela no mesmo instante.
— O que?! Giovanna, para onde você vai? — Alba replica aturdida.
Pego o meu terceiro copo da noite e me misturo aos corpos suados, enquanto o procuro com os meus olhos para não chamar a atenção.
Droga, onde você está? Rosno mentalmente, olhando para todos os lados a sua procura em um ato de quase desespero e frustrada, me viro para ir para a escadaria. Ele só pode estar lá embaixo. Penso, porém, paro abruptamente quando encontro um par de olhos acinzentados me encarando firmemente.
— Estava me procurando?
Um som extremamente calmo, porém, áspero demais passa pelos lábios carnudos e um tanto rígidos.
Balbucio, pensando no que dizer.
— Eu? — Arfo e me repreendo por isso. — Por que o estaria procurando? — Ele simula um sorriso safado, desenhando dois furos sexys em suas bochechas.
— Eu não sei. Me diga você? — Ele dá dois passos na minha direção e receosa, recuo um pouco, sentindo a barra de proteção na base da minha coluna.
Prendo a respiração.
— Não pude deixar de notar que me observava, enquanto eu beijava aquelas garotas.
Meu coração dispara errado.
— Eu... não estava...
— Gosta de observar as pessoas? — Sua voz sussurrada perto demais do meu ouvido me causa sérios arrepios. — Ou gosta de ser observada? Eu não tenho problema nenhum com as duas opções.
Puta merda! Meu cérebro grita em êxtase. Contudo, o empurro para afastá-lo de mim.
— Eu preciso ir! — Dou um passo para sair de perto dele, mas ele age rápido demais e logo que a sua mão segura no meu braço, o seu tronco está colado em minhas costas e a sua boca, perto demais da minha nuca.
Suspiro arrastado, buscando o ar que não vem.
— Por que você está aqui, menina? — Franzo as sobrancelhas sem entender esse seu questionamento.
— O que disse?
— Está na cara que você não pertence a esse meio. Então me responda, por que está aqui?
Engulo em seco.
— Este... meio? — inquiro aturdida. — Ah… aqui é uma danceteria, certo? — Por algum motivo me sinto audaciosa agora. Portanto, ergo a minha cabeça para olhar dentro dos olhos selvagens. — As pessoas vêm aqui para se divertir. E que eu saiba este é um lugar público, não é? — Suas sobrancelhas se unem de modo rude.
— Eu vou perguntar mais uma vez. Por que… você… está… aqui? — repete pausadamente e a sua voz agora parece gélida.
Pense rápido, Giovanna! Pense rápido!
— Por você — Me pego sussurrando e no mesmo instante levo uma mão para o seu peitoral firme.
O que?! Minha consciência berra.
— Como é que é?
Respiro fundo e mordo meu lábio inferior no processo.
— É que... eu te vi entrar na danceteria e... — Dou de ombros. — Sei lá. Você mexeu comigo. E, eu... precisava saber mais sobre você.
Merda, meu coração está enlouquecido agora!
Em resposta, o estranho rude se agiganta diante de mim, chegando perto demais outra vez, de modo que preciso erguer mais o meu olhar para encarar o seu. E um sorriso pequeno, porém, perverso se abre nos seus lábios.
— Já está tarde, garotinha. — Ele rosna após inclinar-se na direção do meu ouvido. — Você não tem medo de Lobo-Mau, menina?
Mas, que porra!!! Meu cérebro grita quando essa pergunta cheia de maldade e de luxúria me faz queimar ainda mais por dentro.
Fuja, Giovanna! Fuja!
Um grito de alerta ecoa dentro da minha cabeça.
Fuja enquanto é tempo!
