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Cap II

Depois de atingir o chão, lembro-me de escutar ainda o barulho do impacto de meu corpo contra o solo e de repente tudo se apagar, tudo silenciar, tudo escurecer, no mais absoluto silêncio...

Eu estava prestes a descobrir  uma coisa, uma coisa que particularmente sempre achei bobagem, um papo de quem  queria vender ideias filosóficas, uma auto ajuda barata, de que " A morte não era o fim!" Sempre me perguntei, se a morte não era o fim? O que seria de fato? Se a morte não era o fim, por que nunca voltou um parente, um amigo, um conhecido para dizer numa destas supostas aparições para mim que havia vida no além? Meu pai por exemplo?  A sua morte foi a minha iniciação na vida de fracassos, cuidar de meus irmãos, ajudar minha mãe, me dividir entre trabalhar e estudar, agregar sobre mim desde pequeno o pesado fardo de adquirir responsabilidades que eu nunca as pedi!  Por que meu pai nunca veio me ajudar, me auxiliar com ao menos algum conselho?

Mas a morte não era o fim, e eu iria descobrir aquilo da pior maneira possível...

Tão logo meu corpo impacta o chão, acordo em um lugar escuro e sombrio, parecia um deserto, um local quente, seco e abafado, no céu nenhuma estrela, nenhum sinal de luz, apenas uma penumbra, eu me levando daquele chão sem fazer ideia do que havia acontecido.

- Mas... eu deveria ter morrido! deveria estar morto, e não consciente ! Estou intacto!  O que significa isso?  Me pergunto.

Ao longe, percebo um pequeno grupo se aproximar de mim, estava escuro, não dava para perceber direito, pessoas correndo na minha direção.

- Aquelas pessoas ali devem me ajudar, devem dizer onde estou, devem saber me informar de onde eu vim parar pelo menos... Ei! Aqui! me digam por favor! Onde estou? Pergunto desesperado.

Eles pareciam falar alguma coisa, e pareciam cada vez correr vindo na minha direção, e somente quando chegam a poucos metros de onde estou que percebo e entendo o que  eles diziam...

- Suicida! Suicida! peguem ele! Peguem o covarde! vamos nos divertir com ele! diziam vários deles...

Fico sem entender absolutamente nada! Não sei o que era melhor fazer assim que percebo que era de mim que falavam se correr, ou ficar e tentar assimilar , descobrir por que diziam aquilo comigo, mas  era inútil correr, pois naquele calor, sem água, naquele clima abrasador, em que o ar parecia queimar os pulmões e as vias respiratórias,era inútil tentar fugir e tão logo sou capturado...

- Covarde! covarde! covarde! diziam uns.

- Suicida! Suicida! o cara não sabe a chance que tem! e fez uma coisa dessas! merece ser punido! Punido! Punido! gritavam...

Eu me debato, grito por socorro, mas era inútil, de fato eu havia morrido, mas havia encontrado a resposta mais  incrível da forma mais difícil para alguém, a vida não se encerrava com a morte, eu lembrava muito bem de saltar aquele viaduto, lembrava de sentir meu corpo despencar no ar e bater no chão... e logo após acordar ali.

-Me soltem! me soltem!  O que são vocês? Onde eu estou? alguém me diga por favor! Eu imploro! pedia, mas ninguém me dava resposta alguma, eles me levam até a altura de um penhasco e ameaçam me jogar lá embaixo.

Tremendo de medo, eu choro, imploro, suplico para não me arremessarem, mas em vão... Sou arremessado de uma altura enorme, até despencar no chão,  sentir de maneira consciente  meu corpo se arrebentar no chão, nunca quebrava nada, mas a dor era real, e assim que eu me levantava novamente eu era perseguido,e isso durou dias, meses,anos.... eu praticamente já havia perdido minha sanidade mental, estava louco, desesperado... eu me escondia, fugia, mas sempre era encontrado, é arremessado daquele penhasco, e nunca ninguém me dizia nada...  

Até que um dia já desesperado, me lembrei de Deus enquanto fugia de mais uma daquelas intermináveis perseguições, eu nunca fui religioso, poucas vezes fui numa igreja, e não ligava muito para estes assuntos, nem mesmo um pai nosso eu sabia rezar, mas diante do desespero, aquele dia eu parei de correr, já cansado, minha boca seca e meu corpo cheio de dores... E pedi no meu desespero, ali caído de joelhos no meio daquela escuridão...

- Deus! Se existe vida depois da morte, então o Senhor também deve existir! Por favor, me perdoe! Perdoa a minha ignorância, a minha covardia! A minha insignificância, eu só queria agora a chance de estar vivo novamente, de ver a luz do sol, de ver a minha família, de saber como está o meu filho! Por favor meu Deus! me ajuda! peço derramando lágrimas, e percebendo que se aproximavam de mim uma vez mais para aquele inferno de sempre, quando uma torre de luz clareou sobre mim, ofuscando-me a visão, nada eu podia ver com clareza, mas escuto quando meus perseguidores pareciam correr desesperados...

- Corram! Corram! são eles!

Uma voz terna e gentil,  falava comigo...

-Diogo, não se preocupe, daqui em diante vai ficar tudo bem! não se preocupe! Viemos lhe ajudar! 

Uma sensação de paz... de um paz que não sentia há anos!  acalentava meu coração e parecia me colocar para dormir, então calmamente adormeço envolto naquela luz...

Algum tempo depois, que eu não sei se são horas,dias... eu acordo, minha vista estava turva, olho minhas mãos, estavam  feridas, minha roupa estava suja, mas eu estava em um local  diferente, semelhante um hospital, em que a maioria das paredes parecia ser de vidro, estava eu numa cama deitado, quando me levanto, meu corpo ainda doía, aquele local, era diferente de tudo que já vi, o clima era agradável, mas ainda estava com muita sede,e me dirijo até uma fonte que jorrava uma água de uma transparência única no centro daquele local... e mato minha sede, bebendo até não aguentar mais...

- Diogo! Que bom que você acordou! Meu filho! Fico muito feliz em ver você! diz aquela voz que me parecia familiar.

Eu que quando me viro, fico sem palavras, eu reconhecia muito bem aquele rosto em qualquer lugar, aquele era o meu pai!

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