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Capítulo 8

Não sou corajoso, não sou nada corajoso.

Ainda hoje durmo com a luz acesa por medo do escuro. Como posso lidar com um ladrão? Ou pior ainda, um serial killer?

Tudo o que posso fazer é me esconder debaixo das cobertas novamente e me fingir de morto!

Olho para a porta, está fechada.

“Talvez seja apenas o vento”, penso comigo mesmo. "Oh, um rato, deve ter entrado por aquela maldita janela que não fecha direito."

Um rato?

Em pânico, meus olhos se arregalam, apontando para meus pés descalços.

"E se ele me morder?"

De repente, prefiro a ideia de um ladrão à de um rato gigante andando calmamente pela casa.

Ando em direção à sala. Está vazio aqui também.

Eu olho ao meu redor.

A janela está fechada.

-Não Mickey Mouse, excelente- suspiro de alívio mas quando estou prestes a dar mais um passo à frente, um barulho metálico vindo da cozinha apaga aquela certeza que nunca tive.

"Merda", eu sussurro mentalmente. "E agora o que faço?"

Subo as escadas furtivamente como se eu fosse o intruso, mas quando entro no quarto para procurar meu celular, solto um grito que pode assustar toda a vizinhança.

-E quem diabos é você?? De onde você vem?? -.

Coloquei a mão no peito para tentar parar meu coração.

Há um cachorro deitado na minha cama.

Aquela bola de pêlo me olha com indiferença enquanto boceja.

Passos rápidos sobem as escadas.

“Você é o cachorro do ladrão, certo?”, pergunto, deixando-me entrar em pânico.

Eu olho ao meu redor.

Estou procurando um lugar para me esconder, mas quando estou prestes a abrir as portas do armário, alguém cruza a soleira do meu quarto.

Eu olho para ele estupefato.

"Acho que não", sussurro para mim mesmo. -Eu não acredito ou melhor, não quero acreditar!-

“O que está acontecendo aqui?” ele pergunta sem fôlego.

-Você – eu rio – Você está me perguntando o que está acontecendo aqui? A sério?-

-Podemos saber por que você gritou Grace? -.

-Tem um cachorro gigante dormindo na minha cama e... você! Por isso gritei!

Adriano sorri.

-Este é Baloo-.

-Balu?-.

"Sim, Balu."

Tento manter a calma contando até dez.

-Adrian...- topo -Podemos saber o que Baloo está fazendo aqui?- Aponto para o São Bernardo. -Ele também está babando no meu travesseiro!!-.

“Ei, lindo, venha para o papai”, chama o menino, mas o cachorro parece não querer saber. Ela abre um pouco os olhos e olha para ele. -Baloo, sai da cama!-.

“O que você está fazendo?”, perguntei ao garoto. "Por que você não quer descer daí?"

-Não sei, acho que é confortável para você.

Eu olho mal para ele.

-Podemos saber por que você trouxe seu cachorro para minha casa? -.

-Não me diga que você não gosta de animais!-.

-Eu amo animais, mas não entendo porque você veio aqui! E aí, por aqui, não é costume avisar antes de entrar no apartamento de alguém? Tudo também precisará ser reformado mas o sino não falta! -.

-A campainha está aí mas não funciona, bati várias vezes na porta mas aparentemente você tem o sono pesado!-.

-Não estou com sono, pense!- Tento me defender. -E de qualquer forma, isso não autoriza você a entrar na minha casa sem o meu consentimento! -.

-Vamos Jones, não seja desagradável de manhã cedo. Estou aqui para te ajudar com a casa, trabalhamos muito ontem mas ainda estamos na metade do caminho!

-Obrigado pela ajuda que você está me dando, mas achei que você não queria continuar. Entre outras coisas, você poderia ter me avisado ontem antes de partir! -.

Adrian balança a cabeça.

-Eu não programo, Jones, apenas vivo.

Coloquei meu olho branco.

-Baloo, saia da cama- ele tenta novamente, mas nada. O cachorro não tem intenção de se mover.

Então eu tento.

-Baloo, você não pode dormir na minha cama. Na sala tem um tapete gigante, por que você não vai descansar lá?

A enorme pilha de cabelos olha para mim, boceja, mas depois sai da cama.

Ele se aproxima de mim e toca minha mão com o focinho.

-Ele me ouviu!- Eu rio de espanto. -Você já viu??-

Adrian também acena surpreso.

"Ele parece gostar de você."

-Sou gentil com todos!-.

"Não... de jeito nenhum", ele responde, divertido, apontando para si mesmo.

-Então vamos ouvir, por que você está aqui? -.

-Porque no momento não tenho nada para fazer-.

-Você não tem novidades para escrever?-.

-No momento Woodstock parece estar dormindo.

"Claro..." Suspiro, passando a mão pelo cabelo para prendê-lo.

Só neste momento me lembro de estar de pijama e minhas bochechas ficarem vermelhas.

“Saia!” eu digo de repente empurrando-o para fora do meu quarto. "Continue fazendo o que você estava fazendo lá embaixo, vou me preparar e me juntar a você quando terminar... fazendo o que tenho que fazer."

Quando Adrian está prestes a atender, fecho a porta na cara dele.

“No entanto, acho seu pijama muito fofo”, ele grita para que eu possa ouvir sua piada.

Eu não respondo. Vou na frente do espelho e me olho.

-Que pena!-Toco meu rosto com as mãos.

O pijama que tia Gin me deu é obsceno, com fundo verde e patos amarelos visíveis. Patos por toda parte. Feio, muito feio mas terrivelmente confortável, por isso trouxe comigo.

Certamente nunca esperei que um estranho entrasse em minha casa enquanto eu ainda o estivesse usando!

Viro-me para ir ao banheiro e percebo que Baloo está sentado ao pé da cama olhando para mim.

“Você é fofo, muito fofo, mas assustador como seu mestre”, digo, me aproximando dele.

Eu me inclino até a altura dele para vê-lo melhor.

-Correção, você é lindo- Sorrio para ele e ele me dá a pata sem eu pedir.

-Ah...-sussurro emocionado. -Sabe, eu tinha um cachorro quando era pequeno. Na verdade não era meu, mas dos meus avós. Seu nome era Dudu. Ela era uma cadela linda. Ele estava sempre com ela quando podia. Ela... me entendeu, sabe? -.

Baloo inclina a cabeça ligeiramente para a direita.

“Você também, certo?”, pergunto a ele.

O cachorro na minha frente chega ainda mais perto e apoia o focinho no meu ombro.

Eu o acaricio com nostalgia.

"Agora tenho que ir me arrumar, me espere aqui, ok?"

Baloo fica sentado latindo uma vez.

-Bravíssimo!- eu rio. -Você realmente é um cachorro obediente!-.

Eu o acaricio novamente antes de ir ao banheiro.

Vinte minutos depois, linda, fresca e penteada, desço as escadas com Baloo ao meu lado.

“Vejo que vocês fizeram amigos!” Adrian diz, percebendo nossa proximidade.

"Você vê bem", eu confirmo.

"Sinto muito", diz ele quando passo por ele para ir até a geladeira. Eu não respondo, deixo ele continuar.

"Eu não deveria tê-lo trazido comigo, mas não estava com vontade de ficar sozinha em casa hoje e achei uma boa ideia apresentá-lo a você."

"Você fez bem", eu o interrompo. -Baloo é uma excelente companhia- eu admito.

-Melhor que o meu?-.

-Obviamente!- respondo o fazendo rir.

“Então, o que vamos fazer hoje?” pergunto enquanto bebo um pouco de água.

-Hoje vamos nos dedicar à pintura da grade da varanda e se tivermos tempo consertaremos o jardim.

-Excelente!- digo com entusiasmo. -A reunião com o potencial comprador foi adiada, mas preciso terminar a reforma o mais rápido possível, para poder voltar para Chicago.

-Quanto tempo temos?-ele pergunta.

-Estará aqui em duas semanas-.

"Mas você quer voltar para Chicago primeiro?"

-Exatamente, tenho que voltar ao trabalho. Acho que só voltarei a Woodstock um dia antes da visita.

“Sua vida parece ser muito exigente”, diz ele, saindo com o material que precisamos. eu sigo isso

-Mh... na verdade eu sempre trabalho. Todo o meu tempo é focado na empresa e na minha família.

-Não me diga que uma garota como você não gosta de festas, baladas ou algo assim.

-Uma garota como eu?- Eu rio.

-Sim, você é a típica garota da cidade. Chicago oferece muitos lugares para se divertir. Tenho certeza que Woodstock foi ideia dele!- Ele aponta para o ringue.

-Liam? - pergunto.

-Esse é o seu nome?-.

Eu concordo.

-Na verdade fomos nós dois. Nós dois amamos paz e sossego e Woodstock parecia a melhor escolha para construirmos um lar.

-Mas?-.

-O quê?- pergunto, sem conseguir entender.

Parece haver um mas entre vocês. Mesmo que você ainda use o anel...

-Não tenho vontade de falar sobre isso- admito que fiquei na defensiva.

Adrian assente e depois me entrega uma escova.

-Tiras curtas e contínuas- ele me instrui.

"Tudo bem", eu digo, mergulhando o pincel na cor.

Duas horas depois, a grade parece estar como nova novamente.

“Estávamos bem!” anunciei, dando alguns passos para trás para admirá-lo melhor.

-Você já viu? Em breve iremos restaurar esta casa à sua beleza original.

"Eu concordo", eu sorrio.

Baloo se aproxima de Adrian, empurrando levemente a perna com a cabecinha.

-Ah cara, você tem razão!- Adrian diz verificando a hora em seu celular.

-O que há de errado?- pergunto olhando para eles.

"Eu prometi a Baloo que o levaria para a comida favorita de Claire."

"Seu prato favorito?" pergunto sarcasticamente.

-Almôndegas, ele adora as almôndegas que Claire faz. Pelo menos uma ou duas vezes por mês eu o levo para comê-los.

-Você sabia que Baloo só deveria comer comida de cachorro? -.

-Cães?-

Eu concordo.

-Baloo não é um cachorro... ele é... peculiar. Ele parece um cachorro, mas é mais humano do que alguns humanos andando pela rua.

Inclino a cabeça ligeiramente para a direita, olho para Adrian e depois para Baloo.

-Eu também acho- admito, revelando o amor que sinto pelos animais. -De qualquer forma, muito obrigado pela ajuda Adrian. Agradeço, mas agora é melhor vocês dois irem, já é tarde.

Baloo late para Adrian e depois olha para mim.

“Acho que ele não quer vir conosco, mas podemos tentar”, comenta o menino e depois olha para mim. -Quer almoçar conosco?-.

Penso em.

-Obrigado, mas não creio que seja esse o caso.

-Porque não?-.

"Porque eu não quero ser intrometido e então acho que você já está farto de mim por hoje."

-Você? Intruso? - ele ri - Fui eu que entrei na sua casa sem permissão.

-Na verdade esse adjetivo combina mais com você do que comigo...-.

-Porém? Vamos Grace, você vai se divertir!

Espero alguns segundos antes de responder.

"Tudo bem", eu digo de repente. -Porque não? Mas desta vez vou oferecer-.

-Você está brincando?- Ela pergunta quase surpresa.

"De jeito nenhum", respondo, indo procurar minha jaqueta, chaves e bolsa.

"Não vou deixar você gastar um único centavo."

-Por que razão?-.

-Porque fui eu quem te convidou e aí o Baloo ficaria ofendido!-.

-Balu?-.

“Sim, ele é um cachorro muito sensível”, diz ele, me fazendo rir.

-Sou a favor da igualdade de género. Os mesmos direitos, os mesmos deveres.

-Bem, se for esse o caso, eu também mas dessa vez eu te convidei, talvez da próxima vez seja você quem me convida. O que você está dizendo?-.

"Eu digo que estou com fome e não quero discutir", admito, fazendo-o rir.

-Ótimo! Então vamos, Claire já estará nos esperando! -.

"Vamos", eu sorrio.

"Todos a bordo do Baloo, caso contrário ficarei nervoso se você atrasar o almoço."

-Balu? Você tem certeza disso?" perguntei, aludindo a ele.

Adrian me olha engraçado, mas não responde.

Vá em frente e vá.

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