Vincenzo
Fiorella estava na cozinha assim como combinado, Vincenzo estava recebendo o irmão que nem sequer imaginava os planos dele, mas ainda sim tinha vindo já que era difícil conseguir conversar com Vince. A Alba apoia as mãos na bancada e tenta manter a calma, logo ela teria que surgir na sala e fingir ser Antonella, o que não era uma tarefa muito fácil.
— Que milagre é esse de você me convidar, será que vai chover? Normalmente sou em quem surjo do nada no seu escritório.
— Eu só queria te mostrar uma coisa que me deixou bastante satisfeito — ele serve uma bebida para Don.
— Fico feliz que você tenha tomado essa atitude, mas um tanto preocupado com o que consegiu te deixar tão contente.
— Eu sei que você vai ficar bastante surpreso, eu pelo menos quase cai para trás quando vi.
— Sem rodeios, é melhor me contar logo o que te deixou tão feliz, Vincenzo.
— Você poderia nos trazer o jantar, Antonella? — indaga o Strada mais velho, Don o encara confuso até que Fiorella adentra a sala.
— Antonella? Você está morta, não pode ser você — ele se aproxima da Alba que se mantém em silêncio.
— Olhe bem para ela, é exatamente a mesma pessoa com o mesmo porte elegante, o olhar marcante e os lábios maravilhosos que somente Antonella tem.
— Essa mulher está morta, não tem como ela simplesmente surgir assim do nada no seu apartamento.
— Dúvida que ela seja de carne e osso? — Vincenzo puxa Fiorella pela cintura — Ela está aqui, e está realmente viva.
— E como você encontrou ela? Essa mulher esteve morta nos últimos anos.
— Você está muito pálido, acho que exagerei na dose, mas se funcionou com você vai funcionar com o Salvatore.
— Do que você está falando? — Don estava extremamente confuso com aquela situação, uma mulher considerada morta estava ali parada na sua frente.
— Simplesmente essa não é Antonella, mas sim Fiorella Alba, uma copeira que por acaso é idêntica a minha noiva.
— Ela parece gêmea idêntica da Antonella, é incrível a semelhança entre as duas.
— Deve ser uma sósia que por obra do destino acabou no meu escritório, eu simplesmente achei incrível ter a cópia de Antonella para ajudar na minha vingança.
— Eu não disse que aceitava, só topei vir aqui hoje por causa daquele dívida.
— Eu posso te oferecer muito mais, te da a vida que crescer num orfanato não lhe proporcionou.
— E se eu for presa por me passar pela Antonella? Não seria difícil de descobrir.
— Com isso você não precisa se preocupar, eu vou me responsabilizar por tudo que acontecer.
— Você vai acabar morto, Vincenzo, aquela família é de mafiosos e você sabe muito bem disso.
— A nossa família também é, e justamente por isso eu perdi aquilo que mais amava, mesmo não me envolvendo nos negócios da família.
— Você sabe muito que a Antonella não era nenhuma santa, ela ainda continuava tendo contato com o Salvatore.
— Ela foi morta por culpa daquele desgraçado, eu não posso simplesmente fingir que nada aconteceu e seguir minha vida.
— E você acha super normal contratar uma sósia da sua é morta?
— Se for para ver aquele homem sofrer vale apena cada centavo, cada minuto gasto nesse plano.
...
Fiorella se joga na cama exausta após uma noite tão tensa, ela ainda se achava louca por ter aceitado participar daquele teatro, no final Don tinha ficado muito desconfiado da semelhança entre Fiorella e Antonella. A morena olha no relógio e se assusta com o horário, já era tarde e ela teria que acordar cedo para ir ao trabalho. Após tirar aquela roupa e maquiagem a Alba se deita para dormir, mas ela não conseguia parar de pensar na proposta de Vincenzo, e no quanto aquele dinheiro seria útil para enfim ela ter uma vida confortável.
Na manhã seguinte tudo parecia normal, Ella tinha feito seu trabalho como de costume e Vincenzo não tinha falado com ela, parecia que tudo estava bastante tranquilo. Fiorella resolve ir comprar um refrigerante na hora do almoço, mas na hora de pagar outra pessoa estava atrás dela no caixa, o Strada da um sorriso discreto e toma a lata da mão dela, sem falar nada ele paga o refrigerante de Fiorella e a garrafa de água que tinha pego para si. Os dois caminham em silêncio até a parte de fora do comércio, a Alba não conseguia entender o motivo dele insistir tanto em envolvê-la naquele plano.
— Eu quero conversar com você, contar a minha história te explicar o meu plano.
— É irmos até um lugar mais discreto então — ele apenas assenti e a leva pela mão até um carro estacionado.
— Eu vou dirigir até o meu apartamento, lá podemos ter mais privacidade.
Ao chegarem no apartamento Ella se senta no sofá, Vincenzo se serve no bar e volta para se sentar de frente para a Alba, ela estava ansiosa para tentar entender o que se passava na mente do Strada. O moreno da um longo gole em sua bebida, ele parece pensar por alguns instantes antes de abrir a boca e pronunciar algo.
— Minha família tem negócios ilegais, e eu nunca me envolvi neles, porém meu pai sempre quis que existisse uma certa aliança entre a nossa família e do Salvatore. Algo um tanto impossível, mas ao mesmo tempo a família dele sempre teve uma grande fixação por mim, e quanto resolvi me afastar de tudo isso eles mataram a minha noiva.
— E aonde extremamente eu me encaixo nisso tudo?
— Eu quero surgir diferente, como se nada tivesse acontecido e estivesse bem ao lado da minha noiva. Quando eles forem tentar fazer algo, eu vou esta um passo a frente, e enfim me vingar do Salvatore.
— E se eles te matarem? Você é apenas um CEO e eles são criminosos, podem matar nós dois antes que você faça algo.
— É por isso que eu pedi ajuda para alguns homens do meu pai, já que me envolveram nisso eu resolvi também usar ao meu favor.
— Você é realmente louco, e eu mais ainda por cogitar a possibilidade de fazer parte disso.
— Se você não aceitar o meu plano não vai ser tão bom, eu quero provocar a mesma reação que provoquei no Don.
— Eu não quero acabar morta, Vincenzo — ela engole seco, tudo aquilo parecia loucura.
— Eu prometo que o seu fim não vai ser como o da Antonella, você vai ter toda a proteção necessária.
— E como você pode garantir que esse plano não vai da errado? — ela o olha fixamente.
— Você finalmente vai ter uma vida confortável, sem se preocupar com dívidas, e vai ter como aproveitar a vida e os luxos que eu posso lhe oferecer.
— Tudo isso me fazendo passar por uma morta? Eu realmente não sei se é uma boa ideia, mas é realmente tentador ter finalmente uma vida confortável.
— Vai ser um contrato, você vai ser minha noiva por no mínimo seis meses, vai se passar por Antonella, mas não vai precisar se aproximar do Salvatore ou da família dele.
— E se eu quiser desistir no meio do caminho?
— Vai ter que devolver todo o dinheiro, e voltar a ser uma simples empregada, ainda mais endividada que antes.
— Eu devo ser louca por fazer isso, mas se você garantir a minha segurança eu topo fingir um noivado, e faço todo esse teatro.
