
Inconsequentes - O Pecado mora em casa
Resumo
No centro de uma família marcada por segredos, culpa e desejos proibidos, Daniele, uma garota de quinze anos, tenta sobreviver em meio a um lar onde o amor se confunde com obsessão e onde ninguém parece ser inocente. Seu irmão, Dmitry, exerce sobre ela uma vigilância sufocante, controlando cada passo que ela dá, cada amizade que faz, cada aproximação que ousa ter. Ao mesmo tempo, Daniele se sente perigosamente atraída por Abel, um jovem rebelde, carismático e cruel, dono do canal de pegadinhas de terror A Arte do Horror e um dos responsáveis pelo sinistro Parque de Diversões Di Mărușanu, um lugar envolto em boatos, tragédias e pela figura perturbadora de um arlequim conhecido apenas como Corb. Enquanto Abel transforma o medo em entretenimento, usando o terror como espetáculo e punição, Anjelica, sua prima doce e frágil, torna-se o alvo constante de suas brincadeiras mais cruéis, especialmente por carregar um pavor paralisante de palhaços. Protegida por Dmitry, Anjelica se vê no centro de uma guerra silenciosa entre dois homens que disputam controle, poder e afeto de formas profundamente doentias. Quando o assassinato de uma jornalista revela que aquela família guarda segredos muito mais graves do que aparenta, a cidade entra em colapso moral. Surge então um grupo misterioso conhecido como as Erínias, justiceiros anônimos que passam a expor pecados, chantagear culpados e impor punições àqueles que acreditam estar acima da lei. À frente da investigação está Killian, um policial enigmático e emocionalmente instável, cuja própria vida é atravessada por obsessões perigosas, identidades falsas e um passado que insiste em não permanecer enterrado. Ao descobrir a existência de uma estranha máquina capaz de alterar o tempo, Killian toma uma decisão que muda tudo: voltar ao passado para reescrever sua própria história, sem imaginar que cada mudança apenas cria novas tragédias. O resultado é um reset cruel do destino: mortos retornam, culpados trocam de lugar, vítimas se transformam em algozes, mas certas obsessões, certos desejos e certas culpas parecem condenadas a se repetir, não importa quantas vezes o tempo seja dobrado. Agora, Daniele e seus irmãos precisam esconder não apenas seus crimes, mas a própria natureza de seus laços, enquanto são perseguidos por um sistema que conhece seus segredos mais sombrios. Entre chantagens, amores proibidos, violência emocional, manipulação e um terror que nunca dorme, eles descobrem que o verdadeiro horror não está no parque, nem nas máscaras, nem nas pegadinhas filmadas, mas dentro da própria casa. Porque alguns pecados não podem ser apagados. Eles apenas mudam de forma. E continuam morando onde sempre estiveram: no coração de quem os comete. *Sequel de Elo Mortal
1. O Canto do Corvo
|Sinaia, Romênia. Verão de 2014
Talya Di Mărușanu conseguiu convencer sua prima Anjelica a vir passar as férias em sua casa. Apesar de não se dar muito bem com seu primo Abel, Anjelica se entendia muito bem com Talya e as duas eram quase como irmãs.
Abel convidou seus amigos, Veronica Roșescu, Stefan Cernat e Daniele Arsenescu para acamparem com Talya, Anzhelika e ele.
Anjelica não se animou muito com a ideia de acampar. Qual a graça de dormir em uma barraca no meio do nada, se expondo ao risco de ser picada por insetos e, pior, acabar se tornando vítima de um serial killer?!
Seria exagero se, anos antes, Sinaia não tivesse sido aterrorizada por um psicopata que se fantasiava como arlequim e era conhecido como Corb (por causa de seu assobio que se assemelhava ao canto do pássaro Corvo). Corb fez várias vítimas e, por causa dele, o parque de diversões Di Mărușanu se fechou, já que, pelo menos, três moças foram encontradas mortas no trem fantasma.
Mattew Di Mărușanu, avô de Talya, Abel e Anjelica foi apontado como principal suspeito de ser o Corb e chegou a ser preso, mas foi solto quando o Corb fez mais uma vítima enquanto Mattew se encontrava atrás das grades. Ninguém nunca soube o que motivara Corb a matar, uma vez que ele sumiu da mesma forma que apareceu, misteriosamente.
Muitas pessoas acreditaram que ele foi morto pela polícia e o prefeito abafou o caso, e que alguns moradores teriam ajudado a capturar o criminoso e o espancaram até à morte.
Já outras pessoas, pensaram que ele se dera por satisfeito quando o parque da família Di Mărușanu fechara suas portas, indo à falência.
Outros, ainda, iam além e diziam que Corb fora um funcionário do parque Di Mărușanu, inconformado por ser demitido por justa causa e que jurou vingança contra a família, assassinando todos que se aproximavam do parque. Ele estaria vivo, morando em Corbeni e retornaria a qualquer momento, caso o parque fosse reaberto.
Alguns jovens costumavam ir até a cidade fantasma, zoar, entre eles, Abel e seus amigos. Inclusive, eles escolheram acampar justamente lá. Anjelica ficou nervosa quando percebeu para onde estavam indo.
— Talya? O que significa isso? Nós não íamos acampar? — Anjelica agarrou o braço de sua prima.
— E nós vamos… Em Corbeni! — Talya sorriu, maldosa.
Anjelica havia se esquecido daquele lado de Talya, que se divertia assustando os outros.
— Mal posso esperar para darmos de cara com algum fantasma ou, com muita sorte, com o Corb. — Falou Abel sorrindo, animado.
— Não sei se será tão divertido ficar em um lugar cheirando a poeira. — Falou Daniele. — Tenho alergia a pó, não sei se vocês se lembram, mas se eu ficar espirrando sem parar, vocês me pagam!
— Pelo amor de deus! Deixa de ser fresca! — Falou Talya e revirou os olhos.
— Vocês trouxeram a erva, né? Digam que sim, please? — Falou Veronica.
— Hmm… — Disse Stefan olhando para trás com uma careta.
— Vai se ferrar! Você só não esquece a cabeça porque é colada, né? — Falou Veronica com ódio.
— Relaxe? O papai aqui trouxe. — Falou Abel sorrindo.
— Ah, êh. — Veronica bateu no ombro dele. — Por isso que te amo!
— Detesto cheiros fortes. Tô ferrada! — Falou Daniele cruzando os braços.
— Problema seu, minha filha! — Abel mostrou a língua para ela.
— De que erva vocês estão falando? — Anjelica perguntou, inocentemente.
Todos riram.
— Drogas! Já ouviu falar? — Disse Abel virando-se e encarando a prima.
— Vocês usam drogas? Mas é errado. — Falou Anjelica.
— Nós somos anarquistas, não seguimos regras. — Talya piscou para ela.
— Inclusive, recomendo, Anjelica. — Disse Stefan. — Ia te fazer ver as coisas de outra forma. Uh, seria uma viagem e tanto!
— Não vai na deles, não, Anjelica. — Falou Daniele. — Depois, você se vicia e termina transando com um e outro por um pouco de erva.
— Ah, cala boca! — Falou Abel. — Você nem sabe o que está dizendo, garota! É muito careta!
— Melhor ser careta do que ser uma viciada. — Falou Daniele.
— Por que você não vem aqui e paga uma? — Disse Abel.
— Vai se ferrar! — Falou Daniele irritada.
— Aí, vamos parar com isso! Paz e amor, galera? — Falou Talya como se estivesse chapadona e jogou seus braços em volta dos ombros de Anjelica e Daniele. — Vocês não precisam fumar o cachimbo da paz se não quiserem. É bom que sobra mais.
— Vendo por esse lado… — Disse Abel sorrindo.
Eles pararam próximo a um rio e desceram do carro. As garotas foram as únicas que trouxeram barracas.
— Eu só quero saber onde é que vocês vão dormir. — Veronica disse aos rapazes.
— Com vocês… — Falou Abel, sorrindo com malícia.
— Eu fico com a Daniele! — Falou Stefan levantando a mão.
Ela virou o rosto, corada.
— Vou avisando, Nica, que durmo pelado. — Falou Abel.
— Se mata, Abel! Não durmo com você nem a pau! — Falou Veronica.
— Podemos dormir juntas, Nica? Assim, sobra uma barraca. — Falou Anjelica.
— Ah, a estraga prazeres! — Abel revirou os olhos.
— Não, meninas. Relaxem? Só estamos brincando. — Falou Stefan rindo. — Trouxe um saco de dormir e o doido ali trouxe uma rede.
— Uma rede? — Repetiu Talya. — Legal…
— Eu gosto de redes. Problema? — Falou Abel dando de ombros.
— Não. Cada louco com sua mania. — Veronica disse.
Depois que arrumaram tudo, eles jogaram baralho, valendo um beliscão aos perdedores. Daniele e Anjelica foram as mais beliscadas. Abel foi maldoso com Anjelica, já que não ia com a cara dela e caprichou nos beliscões. Já com Daniele, pegou mais leve. Ela era bonita, o beliscava fraco e, também, o deixava maluco quando olhava para ele e dizia com cara de coitadinha:
— Devagarinho, por favor?
Ou então:
— Ai! Isso dói!
Não era difícil de imaginar que tipo de pensamentos passavam pela cabeça de um garoto quando uma garota dizia aquilo.
— Ah, palhaçada isso! Vocês nem estão beliscando ela. — Falou Veronica, indignada. — Isso, por quê? Só porque ela é gostosa? Espera aí… — Veronica tirou sua blusa e ficou só de sutiã. Então, encarou Stefan, sorrindo. Ele se aproximou dela como se fosse beijá-la. Veronica fechou os olhos. Stefan deu um beliscão no braço dela e recuou, rindo. — Seu miserável! — Veronica bateu em Stefan, furiosa.
— Essa foi boa! — Disse Abel rachando o bico.
Veronica aproximou seu rosto do dele e disse-lhe:
— Se me beliscar fraco, mostro os meus seios para você.
— Feito! — Disse Abel sem nem pensar e beliscou ela, fraco.
Veronica levantou-se e se afastou dos outros. Abel a seguiu. Ela abaixou seu sutiã. Abel sorriu com malícia e quis tocar os seios dela, mas ela recuou e ajeitou seu sutiã. Então, voltou para perto dos outros. Sentou-se em seu lugar e mostrou o dedo médio a Daniele.
— Acabou a putaria! Vamos jogar sério essa porra, agora.— Falou Veronica.
Stefan deu azar e perdeu as próximas rodadas, sendo beliscado. Abel, Talya e Veronica judiaram dele. Só Anjelica e Talya que não. No fim do jogo quem venceu foi Abel.
Veronica, Talya e Daniele foram nadar no rio. Anjelica ficou sentada, só olhando as outras se divertindo.
— Ei, Anjelica? Vai ficar só olhando? — Veronica jogou um pouco de água nela.
— Eu não trouxe biquíni. — Falou Anjelica.
— Vem de calcinha e sutiã mesmo? — Disse Talya.
— É, a água está tão gostosa. — Falou Daniele.
— Gostosa está você! — Falou Abel rindo.
Daniele mandou um beijinho para ele e mergulhou.
— Ah, depois dessa, me animei! — Falou Abel tirando sua camisa.
Stefan passou por ele e o empurrou de propósito, derrubando-o no rio. Abel riu e gritou:
— Vai se ferrar, Stefan!
Stefan mostrou o dedo médio para ele e se sentou ao lado de Anjelica.
— E aí, está se divertindo? — Stefan perguntou a ela.
— Não muito. Não está sendo como imaginei que seria. — Respondeu Anjelica.
— E como imaginou que seria? — Perguntou Anjelica.
— Não sei… Como o ano passado, em que Talya e eu nos divertimos sem sair de casa, pregando peças no Abel. — Anjelica riu ao se lembrar do primo, furioso, por ter comido um bolo de terra com cobertura de chocolate, ideia de Talya.
— Já está na hora de se soltar um pouco, Anjelica. Você é tão bonita. Não devia ser tão tímida. — Stefan sorriu.
— Me acha mesmo bonita ou só está dizendo isso para… — Ela virou o rosto.
— Não. É verdade. — Stefan passou a mão na cabeça dela. — Sei que é difícil se soltar, mas é só no começo. Depois, fica mais fácil com o tempo. Vai por mim? Não fica aqui parada. Vai se divertir com os outros? Nem que seja de roupa mesmo.
— Mas eu… — Anjelica o encarou.
— Vem? Eu vou com você. — Disse Stefan pegando na mão dela e os dois foram para a água com roupa mesmo.
Todos se divertiram, jogando água uns nos outros, afundando uns os outros e etc. Quando a noite caiu, acenderam a fogueira e brincaram de verdade e desafio.
— Desafio a Nica e a Anjelica a se beijarem! — Falou Abel.
— O q-quê? — Anjelica disse, nervosa.
— Essa, eu pago para ver! — Falou Talya, sorrindo com malícia.
— Você não é obrigada a nada, Anjelica. — Falou Stefan.
— Cala boca! — Disse Abel olhando Stefan de cara feia.
— Eu quero que se foda. — Veronica se aproximou de Anjelica e lhe roubou um beijo.
Mais um giro na garrafa e Daniele escolheu Verdade.
— Com quem você transaria e quem você mataria? Stefan? Abel? — Perguntou Talya.
— Essa, quero ver. — Falou Abel encarando Daniele.
Stefan riu, como se soubesse a resposta daquela pergunta.
Daniele alternou os olhares entre Abel e Stefan. De uma coisa, ela tinha certeza… Transaria com Stefan se tivesse coragem, mas não mataria Abel porque ele era seu amigo e, sua irmã, Elizaveta gostava dele.
— Ah, não vou responder isso! Não vale! Os dois são gatos! — Falou Daniele.
— Como assim? Quer ajuda para matar o Abel? — Brincou Stefan.
— Eu sou ótimo em ocultar cadáveres. — Brincou Abel, também.
— Assim, vocês me assustam! — Falou Daniele.
Mais algumas verdades e mais alguns desafios, depois, eles comeram cachorros-quentes, encheram a cara, fumaram e dançaram. Daniele foi a primeira a deixar a festa. Anjelica permaneceu por insistência de Talya e Veronica. Stefan foi atrás de Daniele e entrou na barraca dela quando ela acabava de colocar sua camisola.
— Stefan? O que faz aqui? — Perguntou Daniele.
Para ela era sempre mais fácil seduzir um garoto na frente dos outros, mas difícil quando estava a sós com o mesmo. Talvez, porque ela soubesse que não era só uma brincadeira e que a coisa ficasse séria de repente.
Ele fechou o zíper da barraca e se aproximou dela, sorrindo.
— Você nem adivinha?
— Não. — Ela se apressou em cobrir seu corpo com o edredom.
— Tá frio lá fora. Será que não posso dormir com você? — Ele deitou ao lado dela, se metendo embaixo do cobertor e abraçando-a.
— Então… Não sei se é uma boa ideia. — Falou ela, nervosa.
— Você prefere o Abel? — Disse ele, subindo em cima dela e beijando seu pescoço.
— Não é isso. — Falou ela sem saber como explicar.
— É sua primeira vez? — Ele a encarou. — Serei delicado, prometo. Não vai doer nada.
— Não! Não é minha primeira vez, só que… — Falou ela, tremendo.
Ele riu, incrédulo.
— Não precisa mentir para mim. Acha que nunca percebi? Você provoca, mas na hora H sempre se esquiva. Mas, não mais. Essa noite, você será minha, enfim. — Ele abriu as pernas dela e levantou a camisola dela.
† † †
— Aí, quem está a fim de ir até a cidade, zoar? — Veronica perguntou.
— Estou dentro! — Falou Talya.
— Estou de boa. — Falou Abel, quase pegando no sono ali mesmo onde estava, encostado no tronco de uma árvore, entornando uma garrafa de cerveja.
— Ah, você é um fraco! — Veronica chutou Abel. Ele tentou agarrar o tornozelo dela, mas caiu e riu feito um idiota.
— Você vem com a gente, Anjelica? Ou prefere fazer companhia ao Abel? — Falou Talya.
Anjelica olhou para Abel e, depois, para Veronica e Talya. Era claro que ela não ficaria ali com Abel. Do jeito que ele estava, poderia… Não sabia, mas tinha motivos para não confiar nele.
— Vou com vocês. — Anjelica disse.
A cidade não estava longe, então, só foi preciso esticar um pouco as pernas. Durante todo o caminho, Veronica e Talya não falavam coisa com coisa e riam de bobagens. Anjelica até estava achando divertido vê-las daquele jeito porque elas ficavam mais legais.
Corbeni era assustadora à noite, mas Veronica e Talya trouxeram lanternas e Veronica tinha um canivete suíço. Elas entraram em uma casa e começaram a explorar os cômodos, revirando tudo. Veronica se afastou de Talya e Anjelica.
Anjelica tropeçou em algo e quase teve um treco quando ouviu uma melodia tocar. Talya saltou para trás e focou sua lanterna na direção de sua prima.
— Ai, calma! É só uma caixinha de música! Nossa! Você me assustou! — Falou Talya.
— Me desculpe? — Anjelica se abaixou e pegou a caixinha, fechando-a para a música cessar.
Veronica gritou. Anjelica soltou a caixinha de música, deixando-a cair no chão e a música voltou a tocar. Anjelica agarrou a prima, assustada.
— Me solte! Temos de ir atrás da Nica! — Falou Talya empurrando Anjelica.
— Não vai! Por favor? — Pediu Anjelica.
— Ela é minha amiga! — Talya saiu correndo.
Anjelica a seguiu. Elas desceram a escada e viram uma trilha de sangue que começava na sala e seguia para o corredor à esquerda.
— Ai, meu deus! — Anjelica agarrou o braço de Talya.
— Nica? — Chamou Talya seguindo a trilha.
— Não! Cala boca! — Anjelica tampou a boca dela.
Talya tirou a mão de Anjelica de sua boca e seguiu a trilha até a cozinha, encontrando Veronica em cima da mesa, com as tripas expostas. Anjelica e Talya gritaram. Ouviram uma risada e se viraram, dando de cara com um homem vestido de preto, usando uma máscara de arlequim e segurando em uma das mãos, uma machadinha.
Talya correu para um lado da mesa e Anjelica para o outro. O arlequim riu e ameaçou ir para o lado de Talya. Ela gritou e recuou. Então, ele fez o mesmo com Anjelica. As garotas correram em direção à porta de vidro, que dava para os fundos, mas ela estava trancada.
— Não! Não! — Gritou Talya forçando a maçaneta.
Anjelica viu o arlequim vindo na direção delas e gritou, desesperada. Ela morria de medo de palhaços e qualquer coisa semelhante a um, desde criança.
O arlequim agarrou Anjelica pelo braço e Talya bateu nele, gritando para que deixasse sua prima em paz. Ele soltou Anjelica e agarrou Talya, levantando sua machadinha.
— Anjelica? Corre! — Gritou Talya, chorando.
Anjelica correu, tropeçou e caiu, sujando-se no sangue de Veronica. Levantou-se e virou para trás, a tempo de ver Talya cair no chão, de costas para ela, agonizando. O arlequim inclinou a cabeça para o lado esquerdo, encarando Anjelica. Ela levantou-se e saiu correndo, mais tropeçando e caindo do que correndo. Não olhou para trás um só momento para saber se estava ou não sendo seguida. Apenas correu, correu e correu… Até se cansar, e se escondeu em um antigo colégio.
O arlequim vinha raspando a lâmina da sua machadinha pelas paredes enquanto percorria os corredores atrás de Anjelica.
Agachada, no canto de uma sala, ela podia ouvir o som da lâmina raspando as paredes e o assobio inconfundível do Corb. Anjelica ainda não conseguia acreditar que sua prima e Veronica estavam mortas, e que ela seria a próxima.
