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José Luís saiu de casa e regressou à cidade, disse à namorada que a veria dentro de algumas horas e que a levaria a um sítio para a apresentar a alguém.
Quando saiu do trabalho, foi a casa e pegou em vários fatos, de que vai precisar durante o tempo em que estiver com a mulher, e isso vai depender do tempo que o advogado estiver de férias no estrangeiro, pois quer que ele arranje o bendito cagadal que formou.
Depois foi buscar a namorada e levou-a a jantar fora, como combinado, e seguiu para o local que lhe tinha prometido. A rapariga está feliz porque, apesar do incidente ter acontecido, confia no namorado e acredita que ele não casou de livre vontade e que nem sequer se lembra de nada desse momento.
Entretanto, no apartamento, Clara Isabel sente-se um pouco feliz porque imagina que, se o homem decidiu ir buscá-la, é porque pretende oficializar o casamento e isso é uma vantagem para ela porque o seu bebé vai nascer no seio de uma família constituída por ambos os pais.
Quando eram cerca de seis horas da tarde, começou a preparar o jantar e, embora se sentisse bastante exausta por ter de ir a pé ao supermercado, que era bastante longe, isso não lhe importa, pois vai cozinhar para ela e para o marido.
José Luís diz à namorada que está na hora de se irem embora, saem do restaurante e entram no seu carro luxuoso, ela fica muito contente porque, embora não seja a primeira vez que fazem sexo e passam tempo sozinhos, é a primeira vez que ele a leva a passear como sua companheira.
Ela sente-se nas nuvens porque, na realidade, está apaixonada por ele, embora ele a tenha avisado desde o início que só casará com ela por compromisso e lucro para as empresas, mas que farão sempre sexo as vezes que quiserem.
- O que é que se passa aqui José Luis?
-Como assim? -perguntou ele, muito confuso.
- Porque é que me trouxeste para este lugar horrível? - perguntou a namorada, com um tom de nojo.
- É uma surpresa.
- Ah, bem! Espero que seja agradável para valer a pena estar neste sítio fedorento. -exclamou a mulher, julgando-se inatingível.
- Ha, ha, ha, ha, ha acho que vais gostar da surpresa. E se não gostares, por favor colabora para que se perceba que estás confortável naquele lugar.
- OK, OK, OK!
José Luís estacionou o carro na entrada do seu novo apartamento e levou a namorada para dentro, pegou nela pela mão e preparou-se para abrir a porta com a chave, mas a porta abriu-se sozinha.
- Olá, estás em casa! Preparei o jantar para nós os dois. -Clara Isabel falou de imediato, sem se aperceber da presença da outra pessoa que a olhava com desprezo.
- E quem é esta? -perguntou a mulher que lhe estava a dar a mão.
- Esta mulher que vês aqui à nossa frente, é a mulher com quem supostamente casei.
- Supostamente? - pergunta Clara Isabel, acreditando que se trata de uma brincadeira por parte destes dois, pois, segundo ela, o marido mentiu-lhe nessa noite quando lhe disse que o deles é falso.
-Foi com este que casaste? -Ha, ha, ha, ha, graças a Deus, posso dizer que foi sem o teu consentimento meu amor, esta mulher é horrível! -exclama a rapariga que ainda está de mãos dadas com o seu "noivo".
- Seria absurdo que, estando nos meus cinco sentidos, eu casasse com uma pessoa como ela, não sei o que terá acontecido, talvez ela me tenha drogado e me tenha obrigado a assinar um papel!
- Pediste-me em casamento e pediste-me logo para casar contigo. - gritou Clara Isabel, tentando defender-se e desmascarar o canalha.
- Como é que acreditas nisso, mulher? Quando me disseram que eras a mulher misteriosa que aparecia nos papéis do casamento, até senti nojo de ti, espero que nem me tenhas dado um beijo porque podias ter-me infetado com qualquer doença.
- Tens nojo de mim, seu homenzinho, trouxeste-me aqui só para me humilhar, não foi?
- Não pendeja, nem sequer sei quem és e muito menos vou tentar humilhar-te. Trouxe-te aqui para que não te escondas de mim, quando o meu advogado voltar divorciamo-nos e depois tu sais daqui e eu posso casar com a minha namorada. -Nesse momento ele aceitou que eles são legalmente casados.
- Namorada? Eee... Ela é tua namorada? -perguntou a jovem Clara Isabel, enquanto sentia o rosto banhado em lágrimas, magoada por, pela segunda vez, um homem que jurou amá-la, a ter traído.
- Sim, é a minha namorada, ou melhor, é a minha noiva, porque quando o divórcio estiver concluído, vamos casar-nos. - Não é verdade, minha princesa?
- Claro que sim, eu e ele amamo-nos e muito em breve estaremos casados.
- Malditos homens, são todos iguais! -exclamou a rapariga.
- Vai procurar o canto onde vais dormir, rapariga. Porque eu e a minha namorada vamos dormir na única cama que existe. -disse o jovem José Luís, e virou-se para ir para o quarto ao lado da namorada.
- Mas que apartamento imundo é o desta mulher! -Nem penses que vou ficar nessa cama, prefiro dormir de pé. -grunhiu a rapariga refinada.
- Esta cama está limpa, nunca ninguém dormiu aqui, porque hoje fiz deste apartamento o meu próprio apartamento.
- É melhor, meu caro Josecito, tu sabes que uma mulher tão boa como eu não dorme numa cama qualquer, e muito menos numa que é só para pobres.
Clara Isabel ficou na sala, sente-se triste, desconsolada, sente falta da amiga para a consolar, mas não a quer meter em sarilhos. Chora enquanto acaricia a barriga e promete coisas ao filho que talvez não cumpra.
- Perdoa-me por ter escolhido um pai tão idiota para ti, meu bebé. -Sou uma mulher estúpida que se deixou convencer por um canalha, um homem de merda. Mas prometo-te que, como mãe, serei a melhor, juro que te farei passar por isto, com ou sem a ajuda desse animal sem coração.
