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Capítulo 3

Estás a corar? Ele está realmente corando?

Eu explodi. Eu queria dizer algo em troca, alguns insultos só para ter a última palavra, mas parecia que de repente eles tinham silenciado minha voz. Baixei o rosto, tentando me isolar daquela briga absurda e inapropriada.

Eu fui aluno dele.

Ele era meu professor.

Como eu poderia falar com ele com tanta confiança? Como eu poderia tomar todas essas liberdades?

E acima de tudo, desde quando brigamos como se fôssemos dois namorados?

Eu o ouvi bufar e semicerrando os olhos o vi cobrir o rosto com uma das mãos e esfregar o rosto, exausto. -Porra, você me cansa.-

Estufei as bochechas, evitando responder com raiva. Eu o exaurindo. Absurdo.

Ele apertou alguns botões. -Você me deve uma camisa nova... essa mancha simplesmente vai desaparecer!-

Idiota! Vilão! Rude e desbocado!

Você não é o cara frígido e afetado que finge ser na escola!

Você não é o Sr. Certo.

Você realmente é uma farsa. Uma grande farsa.

E então... Droga, olhe para você! Olhe para você!

Mas de qual vídeo pornô você veio, hein?

Rosnei sem dizer nada. Senti o gosto de um palavrão na minha língua.

Ele passou por mim e colocou a mão na minha cabeça. -Volte para seus amigos, cubra-se... vá para casa em um horário decente, não beba. E tenha cuidado em lugares como este.-

"Sim, mamãe," eu sibilei entre dentes, fazendo-o rir.

Ele abaixou a mão e começou a sair. Ele parou por um segundo em frente à porta, agarrando-se ao batente como se estivesse tentado a sair sem dizer mais nada. "Eu preferia você com cabelo comprido", ele sussurrou.

E aí ele me deixou assim, no banheiro masculino, com uma dor de cabeça terrível e o cérebro reduzido a uma polpa disforme. Sem falar do coração... não vou contar como ele saiu do meu coração...

Desde o encontro com Lattner, ele não fizera nada além de pensar em suas palavras. Eles permaneceram piscando no centro dos meus pensamentos sem me dar um segundo de trégua.

Quando voltei, todos perceberam que de repente eu acabei em outro universo. Ausente, reticente, com respostas bruscas e mal-humoradas e, sempre, com as mãos nas pernas para cobrir as coxas demasiado expostas.

Condenação! Bastou uma reprimenda banal para eu perceber o quanto aquele vestido era vulgar. Ou, em qualquer caso, demasiado conciso e revelador.

Não foi a presença de Claiton que atrapalhou meus planos, mas aquelas palavras estúpidas que zumbiam alto acima de tudo. Mesmo com música alta.

Eu preferia você com cabelo comprido.

Mas o que diabos ele quis dizer? Quem já tinha me notado na escola? Quem sabia quem eu era? Quem tinha suspeitas? Merda. Que desastre.

Cheguei em casa como Robert em um horário razoável, tranquei-me no quarto e me joguei na cama ainda vestida. Eu tinha acabado de tirar meus óculos de nerd enormes e meu boné pontudo.

Já fazia muito tempo que ele não conseguia dormir e continuava a se revirar entre os lençóis como um peixe jogado em terra firme.

Quanto mais pensava no nosso encontro, na nossa briga e naquela última consideração que fiz sobre minha aparência; Quanto mais eu sentia a dor de cabeça crescendo dentro das paredes do meu pequeno cérebro apertado e sem uso.

Eu não conseguia pensar. Eu não conseguia entender nada do que havia acontecido.

Quando acordei tarde na manhã seguinte, ainda vestido como estava na noite anterior, não fiquei surpreso ao encontrar Lattner na cozinha ocupado com o café da manhã.

“Arrumei um monte de coisas”, disse ele, sem sequer se virar para olhar para mim.

E foi uma coisa boa, dada a minha condição lamentável. -Não foi necessário Latt... Thomas.- Instintivamente toquei a aba do meu boné e suspirei.

Ela nunca poderia ter sido dividida entre Roberto e Robert, entre o Sr. Lattner e Thomas. Cada vez que eu tinha que ligar para ele, pontualmente, minha língua se contorcia e inevitavelmente sempre saía o nome errado. Como na noite anterior, quando o chamei de Thomas e não de Sr. Lattner.

-Nesse tempo? “Como foi sua noite?” ele perguntou, virando-se com duas xícaras cheias de café. Ele foi até a mesa da sala de jantar, colocando-os um de frente para o outro. Só naquele momento percebi que realmente havia preparado uma infinidade de comida. Incluindo meus adorados ovos mexidos com muito bacon torrado, um dos meus pratos favoritos de café da manhã. Em Nova York, Adam costumava fazê-los para mim.

-Entediado. Nada especial. Fomos para um lugar próximo, mas voltamos logo depois. Estava tão vazio que parecia triste. - Certamente não poderia contar-lhe que estive com o Conde onde ele também esteve, caso contrário teria que lhe dar muitas outras explicações. E eu estava com muita dor de cabeça para sequer pensar nisso. -E você?-

Ele se sentou e tomou um gole de café quente. -Märten, mais dois amigos e eu paramos no Conde... um novo lugar que abriu ontem à noite.-

-Elegante?-

Por que diabos ele estava tentando arrancar informações dele? Eu deveria ter encerrado aquela conversa em algum momento, mas não, eu estava lá bisbilhotando.

Talvez eu estivesse esperando que fosse sobre mim? Do nosso encontro-confronto? Meu Deus, um absurdo. Ele não poderia ter me enganado até este ponto.

Ele fez uma careta e encolheu os ombros. -Nada especial. E então... muito mal administrado. Eles deixaram entrar muitas pessoas para o clube aguentar. Sem contar as luzes, droga! Não havia uma única luz naquele lugar. Estávamos andando cegamente.-

Oh! Meu Deus, finalmente! Mas há alguém que pensa como eu!

Eu queria encorajar.

Achei que era o único insatisfeito com aquele lugar ou talvez tivesse me tornado um esnobe chato que não conseguia fazer nada só porque estava acostumado com os melhores clubes de Nova York e por outro lado, nem mesmo Lattner parecia tão entusiasmado com isso. isto.

-Bem, vamos lá... pelo menos havia pessoas.-

"Demais", ele murmurou com os lábios plantados na xícara.

Suficiente! Cale-se! Cale a boca, Rob! Mude de assunto, idiota!

Revirei os olhos e comecei a me empanturrar de ovos e bacon. Se minha boca não estivesse silenciosa por si só, eu teria encontrado um jeito de mantê-la ocupada: comendo, claro! “E isso?” perguntei antes mesmo de pensar. Mas acima de tudo, com duas fatias de bacon enchendo minhas bochechas.

Como consegui falar também permanecerá um mistério para mim.

No encosto do sofá estava a camisa ofensiva, aquela da noite anterior, com a gigantesca mancha da bebida que ele havia bebido ainda visível.

Lattner seguiu meu olhar e zombou dela. - Oh aquilo? Acabou de vir de uma lavanderia que também abre aos domingos... mas como vocês podem ver não conseguiram tirar a mancha. É feito de um tecido de merda, eu sabia que ficaria assim.-

Merda, então eu realmente devo uma camisa a ele. Odiar.

Vamos, Rob... diga alguma coisa. Algo extremamente estúpido e para distraí-lo. Algo sem sentido que só você pode fazer.

-Você veio com você?-

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