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"Olívia?!" De repente meu pai aparece na porta e me vê totalmente atônita parada aqui.
"Oi pai!" Falo ironicamente.
"O que você está fazendo aqui?" Ele pergunta pálido como uma folha de papel.
"Eu moro aqui?" Respondo e espero uma resposta dele.
"O que você ouviu?" Finalmente chegamos no ponto.
"Que não sei quem irá casar com sua filha. Olha pai, eu espero realmente que o senhor tenha outra filha, porquê se essa tal, for eu, pode esquecer todos os seus negócios!" Falo tentando manter o tom firme.
"Você vai fazer o que eu quiser enquanto estiver morando dentro da minha casa, toda a vida boa que você leva depende disso, então você irá se casar com o Doutor Salvatore sim!" Ele exclama e eu sinto minha pele do rosto queimar de ódio.
Quem esse homem pensa que é? Está certo que ele me deu tudo que tenho, tudo do bom e do melhor, mas nunca me deu amor e carinho, ele e minha mãe só pensam em si próprios, o único sentimento fraterno que tivemos foi o da nossa querida avó Florence, eu e João aprendemos muito com ela, se dependesse da senhora Pietra Sorello e do senhor Olávo, nós seríamos uns mal caráter como eles são.
"Vai esperando que eu irei me casar com alguém." Falo em tom alto e me viro para subir as escadas.
"É ela?" A mesma voz que estava no escritório com meu pai, aparece na sala perguntando.
"Sim." Meu pai responde.
"Olá senhorita Olívia." Agora o sotaque dele me parece diferente, é como se ele fosse português e tentasse falar inglês.
Olho para trás para ver quem é esse homem, e para minha surpresa ele não é nenhum velho que aparenta comprar mulheres para colocar em um harém, ele é um homem com o olhar maduro e bem masculino, em seu rosto tem uma barba nascente, seus olhos são verdes e seu corpo é de alta estatura. Ele é bonito, que merda esse homem está fazendo? Será mesmo que ele precisa fazer favores para alguém afim de conseguir uma esposa?
"Oi." Falo secamente.
"Será que podemos conversar a sós?" Ele pergunta olhando para mim e em seguida para o meu pai.
"Claro." Olávo responde e volta para seu escritório.
Agora estamos sozinhos na sala de estar da minha casa, eu e um homem bonito que quer se casar comigo, de repente sinto-me acanhada pelo olhar intenso sobre mim, seus olhos arregalados me olham com brilho e então eu desvio o olhar para não encará-lo.
"Você é muito bonita senhorita Olívia. Eu sou o Doutor Salvatore." Ele fala e continua a me olhar. Olho para meu corpo e estou vestindo apenas uma camiseta larga e meias nos pés.
"Obrigada." Respondo somente e dou um breve sorriso. "Olha, Doutor, me desculpe pelo mal entendido, mas não irei me casar, com certeza houve um engano e meu pai irá acertar com você depois." Falo calmamente e espero do fundo do coração que ele entenda e vá embora daqui.
"Não há engano nenhum senhorita, você irá se casar comigo, eu e seu pai fizemos um acordo e nada poderá mudar isso." Ele fala e eu reviro os olhos.
"Não me obrigue a ser grossa com você Doutor. Não irei me casar e ponto final." Falo mais uma vez.
"Eu gostei de você, assim que coloquei meus olhos em você agora, você é bonita, linda demais senhorita, eu poderia ter mudado de idéia se eu não tivesse a visto, porém eu a vi, e quero, você irá ser minha." Ele diz baixo com seu sotaque estranho e se aproxima de mim, vou dando passos para trás até que me encontro de costas na parede.
"Você é doido?" Indago com estranheza e empurro seu corpo para longe de mim.
"Pior que sim." Ele fala e se afasta.
"Vai embora daqui que é melhor. E eu não irei me casar com você!" Grito e subo as escadas correndo, entro no meu quarto e tranco a porta.
Meu coração parece que vai sair bela boca, era só o que me faltava, meu pai fazer um acordo me colocando como condição, em que época ele vive? Eu preciso resolver isso imediatamente, preciso desabafar, preciso de alguém. Pego meu celular e ligo para Eloíse mas ela não atende, logo lembro-me de que ela acabou de ter bebê e eu não posso dizer nada que a deixe alterada, minha amiga sempre tomou minhas dores e agora não será justo com ela, ela precisa desse momento com a nova família dela.
Procuro o número de João, mas ele também não atende, deve estar com a namorada, decido não insistir mais, preciso enfrentar meus problemas sozinha, e é isso que irei fazer. Troco de roupa, coloco uma calça jeans e uma blusa de lã pois está frio, solto meus cabelos, passo um perfume, calço minhas botas marrons e desço as escadas com minha bolsa e a chave do carro. Agora irei fazer uma coisa que nunca fiz na minha vida, encher a cara para se livrar dos problemas, isso é só mais uma prova de que eu cresci.
