Capítulo 4
Queria aceitar a oferta daquele homem para viajar até Dubai. E, embora talvez ele tivesse dito aquilo apenas como uma piada para me animar, eu desejava com todas as minhas forças que fosse verdade. Em breve seria o meu aniversário e tinha mantido um excelente perfil. Não poderia essa ser a minha recompensa? Não queria mais nada.
Gostaria muito de lhe perguntar se estava a falar a sério, mas não tive oportunidade. Era muito cobarde, tinha muito medo da rejeição. Comecei a roer as unhas enquanto pensava mais a fundo. O Damian era, basicamente, um desconhecido que eu nunca tinha visto antes, mas o meu pai conhecia-o bem e gabava-se sempre de que ele era um tipo porreiro. Tinha de ser.
Naquela noite, adormeci a pensar nisso e decidi enfrentá-lo no dia seguinte, mas logo percebi que não fazia ideia de onde ele morava. Fui ao escritório do meu pai e procurei entre os seus velhos diários e livros, mas só encontrei um número gravado na contracapa de um deles. Mordi os lábios enquanto olhava para os números e refletia sobre as minhas ações, que me pareceram ridículas e desesperadas, pouco condizentes comigo. No entanto, Damián fez-me sentir algo que me levou a abandonar todo o sentido de decência e a dar o grande salto. Era tão intenso.
Marquei rapidamente o número, guardei-o no meu telemóvel e esperei pelo momento em que ele saísse do trabalho, supondo que tivesse coragem suficiente para ligar. Às seis horas em ponto, sentei-me com o telefone na mão e, depois de pensar cuidadosamente, decidi ligar.
Lambi os lábios, sentei-me na cama e senti o coração a bater rapidamente e as axilas a suar de repente. Marquei o número e esperei pela resposta, com o coração a bater-me com força no peito, até que a voz aveludada dele ressoou no altifalante.
— Alô. Percebi pela sua voz que ele estava cético, sem saber quem era.
Engoli em seco com dificuldade. — Olá, Damián, sou eu, a Abril — disse.
Houve uma pequena pausa. — Oh, alô. A que devo este prazer?
— Eu... só queria saber se poderíamos encontrar-nos em algum lugar para conversar.
— Claro. Está tudo bem?
Esfreguei a nuca. — Sim, conheço o Café Jacarandá. Fica perto do local onde o seu pai e eu trabalhamos.
— Sim, é um dos meus lugares favoritos — disse ele. —Quando é que preferias que fosse?
Mordi o lábio. — Hoje à noite. Em vinte minutos?
— Tudo bem, perfeito. Vejo-te lá, Abril.
— Tudo bem, até mais tarde — disse, terminando a ligação e atirando-me para a cama, irritada. Não conseguia acreditar que aquilo tinha acabado de acontecer e que tinha tido coragem para seguir em frente. No entanto, não conseguia evitar o sorriso que se formava nos meus lábios ao pensar em ver e conversar com o Damián novamente.
Corri para a casa de banho e tomei um duche rápido, feliz por os meus pais não estarem lá para me perguntar para onde estava a ir. Quanto à roupa que vestir, estava indecisa, pois não fazia ideia do que vestir para impressionar alguém de quem se gosta. No fim, optei por leggings e uma camisola curta, peguei na minha mala e fui para a cafeteria no carro que os meus pais me ofereceram no meu 18.º aniversário.
Assim que cheguei à entrada da cafeteria, vi o Damián sentado num dos lugares junto à janela, a olhar para fora enquanto consultava o telemóvel. Voltei a sentir o nervosismo que senti quando o conheci pela primeira vez e engoli em seco com dificuldade enquanto me dirigia até ele.
Não conseguia deixar de pensar em como ele era bonito. Desta vez, ele estava de fato e com alguns botões da camisa abertos, deixando à mostra os pelos finos do peito.
Quanto mais me aproximava, mais ele levantava a cabeça e um sorriso desenhava-se imediatamente no seu rosto ao ver-me. Não pude deixar de sorrir ao vê-lo levantar-se para me cumprimentar.
— Olá, obrigada por ter vindo — disse ao chegar à mesa, sem saber se deveria abraçá-lo ou simplesmente sentar-me. Não queria parecer presunçosa com um homem que acabara de conhecer, mas, pensando melhor, o que poderia ser mais presunçoso do que este encontro e o que eu ia pedir-lhe?
— Tudo bem? — disse ele, sentando-se, enquanto eu fazia o mesmo na cadeira à sua frente.
— Sim, eu... A empregada de mesa chegou e fiquei em silêncio enquanto ela anotava o pedido; depois, afastou-se. — O que conversámos em casa, estava a falar a sério?
Os seus olhos cinzentos fitavam-me e o meu coração continuava fora de controlo. Ele conseguiu esboçar um ligeiro sorriso. — Estava a falar a sério.
Lambi os lábios, mexi-me na cadeira e senti as bochechas a corar. —Eu, hum, achava que o meu pai e você deveriam participar nesse seminário — disse, observando cada um dos seus movimentos, ciente de que o pequeno sorriso no seu rosto e os seus intensos olhos cinzentos fariam qualquer mulher desmaiar a qualquer momento.
— Não precisas de te preocupar com isso, Abril. A questão é: queres fazê-lo ou não?
Um nome apareceu no ecrã e ele ficou sem fôlego.