Capítulo 2
Eu não conseguia acreditar. Não conseguia acreditar que o simples contacto de uma desconhecida pudesse despertar em mim tantas emoções. Não só tinha acendido o meu coração, como também tinha despertado o meu pénis, fazendo-me lembrar que há muito tempo que não sentia uma mulher. Caramba, eu sabia, por mais louco que parecesse, que ela era a mulher de que precisava. Ela era minha, era assim tão simples.
Sentou-se ao lado da mãe e cruzou as pernas pelos tornozelos. Imediatamente senti o desejo de as tocar, de passar as mãos e a língua pela sua coluna esguia.
— Abril, que está aqui, vai terminar o exame final de odontologia e comemorar o seu 22.º aniversário este fim de semana — informou-me Verónica, orgulhosa, olhando para mim.
— Ela saltou alguns anos. — Você deve estar muito emocionada, querida — disse ele, olhando para ela.
Abril pigarreou, olhou para mim e desviou o olhar. — Sim, acho que sim. Mas não tenho nenhum plano", disse ela, encolhendo os ombros.
— E os teus amigos, querida? — perguntou Esteban com um pouco de tristeza.
Ela riu-se de forma seca. — Papá, sabes que nunca tive amigos de verdade. Além disso, todos os que conheço já têm planos para este verão. Ninguém quer sair comigo — sussurrou entre dentes, e vi a tristeza que lhe tomou o rosto por um momento. Senti o desejo de consertar isso, de apagar a tristeza dos seus olhos.
— Ah, querida, gostaria de poder estar aí para sair contigo, mas tenho de viajar até Copenhaga para participar num seminário técnico com o Damián. Lamentamos muito, querida; pensávamos que já tinhas planos — disse Esteban com uma expressão sombria.
— Tudo bem, pessoal. Não é como se tivesse feito algo extravagante para o meu aniversário — disse Abril, baixando a cabeça e mexendo os dedos.
— Sim, mas mesmo assim estás a ir muito bem. Tens de comemorar — disse Verónica.
Abril deu de ombros e pegou num copo de limonada.
Não conseguia tirar os olhos dela, por mais que tentasse, apesar de saber que a Verónica e o Esteban estavam bem à minha frente e podiam ver-me a devorá-la com o olhar. Ela era a minha mulher e eu sentia-o em cada fibra do meu ser, sabendo que isso não desapareceria tão cedo. Não se tratava apenas de desejo, mas de uma necessidade de ter aquela mulher em muitos aspetos. Eu queria-a para sempre.
Apesar da minha atração por ela e da intensa química que se gerou entre nós, tentei manter a cabeça fria. Havia muitos fatores que poderiam impedir o que eu já sabia ser real, mas não me concentrei muito neles. Só sabia que precisava de estar com aquela mulher e que nada me impediria.
Bebi a limonada para tentar apagar o fogo que ardia violentamente em todo o meu corpo. Cada segundo sem a tocar era algo que desejava e não podia ter.
Mas como era possível sentir aquilo se a conhecia há apenas dez minutos?
— Quanto tempo vais ficar fora? — perguntou Abril. — Mãe, acabaste de chegar. Pensei que desta vez ficarias mais tempo.
— Serão apenas alguns dias e, depois, espero ficar muito tempo em casa — sorriu.
— O seminário é apenas durante o fim de semana. Partimos na sexta-feira e regressamos na segunda-feira. Depois disso, com certeza poderemos comemorar, querida", tranquilizou-a Esteban com um sorriso.
Abril suspirou e acenou com a cabeça, enquanto limpava as unhas.
Verónica estava prestes a dizer algo, mas o seu telefone tocou assim que ela abriu a boca para falar. Atendeu rapidamente, viu quem era e desculpou-se enquanto voltava para a cozinha. — Ela não pára nem por um segundo — sorriu Esteban, enquanto via Verónica desaparecer na cozinha.
— Deve ser difícil ser a organizadora de eventos número um da cidade — disse eu e ele riu-se. Olhei para a Abril e percebi que ela estava a beber a sua limonada enquanto me olhava por cima da borda do copo. "A Verónica lida bem com a pressão", disse ela, pouco antes do seu telefone também começar a tocar. "Uau, parece que hoje é um dia agitado para todos", disse Esteban, enquanto tirava o telemóvel do bolso e se levantava.
— Pessoal, com licença — disse ele, dirigindo-se para onde Verónica tinha ido.
Pouco depois, ficámos sozinhos, sentados em silêncio, com a Abril a olhar para a casa como se procurasse uma desculpa para ir embora também. Bebi um gole da minha limonada, reclinei-me na cadeira e observei-a.
"Gostarias de ir a algum lado no teu aniversário?", perguntei, tentando puxar conversa e conhecê-la melhor.
Ela virou a cabeça na minha direção, abriu ligeiramente os olhos, mexeu-se na cadeira e limpou a garganta. "Eh... na verdade, não", respondeu ela.
Mas eu não acreditei.
Tinha visto um brilho nos seus olhos que se apagou rapidamente.
— Vamos lá, deve haver alguma coisa — desafiei-a, e ela engoliu em seco. "Acho que sempre quis ir a Dubai", disse ela, encolhendo os ombros e cruzando as mãos sob os seios, o que os levantou e deixou o decote à mostra. Ela nem se apercebeu disso, o que o tornava ainda mais atraente.
Levantei uma sobrancelha diante da sua resposta. Esperava muitas coisas, mas certamente não isso. — Nossa, bem, sem dúvida que é uma boa escolha. Dubai é ótimo.
Ela não esperava a pergunta que estava prestes a fazer.