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Capítulo 3

Jéssica:

Acordei na mesma cela em que me colocaram mais cedo ou ontem, não sei precisamente que dia é ou se era o mesmo dia, só sei que estou com uma dor muito forte na minha barriga, o que fizeram comigo? Será que tiraram meu rim? Não tive muito tempo para pensar nisso pois logo a enfermeira, Joana, entrou em minha cela com um carrinho.

- Olá querida. Olhe para cá - Ela me mostrou uma placa daqueles consultórios de criança com carinhas e números para representar níveis de dor - Numa escala de 1 a 10, qual é o nível da sua dor?

Eu a olhei, estranhando claro, como ela podia manter aquele sorriso no rosto trabalhando aqui? Enfim, resolvi responder a pergunta dela.

- An, acho que 8, triste porém sem lágrimas. Talvez 9.

- Ok meu bem.

Ela guardou a placa em um armário do carrinho e pegou uma seringa que continha um liquido amarelo.

- O que é isso?

- Vai melhorar sua dor em alguns minutos. Temos que ser rápidas, não posso ficar mais do que 6 minutos com cada paciente.

- Tem outras meninas aqui!?

- Fale baixo, menina! Quer que o Decker te pegue e leve para porão?

- O que tem lá?

- É escuro, imundo e cheio de ratos. Se você se comportar mal eles te trancam lá dentro por uns 3 dias, até uma semana se você tiver feito algo muito ruim.

- Oh meu Deus. Como eu fui chegar até aqui? - Eu parei para retratar aquela terrível manhã em que fui pega em minha casa - Esse lugar é horrível! Como pode trabalhar aqui?

- Eu sou como você, Jéssica. Moro aqui desde meus 13 anos.

- E quantos anos você tem agora?

- 25.

Eu a olhei incrédula.

- Eu não posso ficar aqui até meus 25 anos... Meu Deus.

A enfermeira enfiou a agulha em minha coxa.

- Ah!

- A dor irá passar em alguns minutos. Não posso mais ficar aqui dentro contigo.

- Espere, Joana por favor! Me diga. O que irão fazer comigo?

Eu consegui me levantar mesmo com muita dor e agora dor na coxa por conta da agulhada. Ela me olhou chorosa e tocou meu rosto com os dedos.

- Oh meu bem, eles vão vendê-la... - Ela tirou sua mão de meu rosto e olhou para o chão - Quando eu cheguei aqui, fui comprada por um velho, mas ele me devolveu por mau comportamento... E então Turner me castigou com a pior coisa que puder imaginar, se não te venderem, eu sinto muito pela vida que irá levar.

Eu não conseguia acreditar naquilo, ela havia sido torturada pelo Turner... E eu reclamando de estar há 1 dia aqui.

- Nas atuais circunstâncias, torço para que você seja vendida. Boa sorte hoje.

Ela deu duas batidas na porta e alguém abriu, Joana empurrou seu carrinho para fora e a mesma sorriu antes da porta se fechar na minha frente.

Eu me escorei na porta e comecei a chorar, não podia ser comprada, nem hoje, nem nunca. Não tem como eu fugir daqui! Deus, como pude chegar à isto? Depois de muito tempo, senti muita dor nas pernas e fui me deitar. Passou algum tempinho e minha dor havia passado completamente, quando ia me sentar a porta foi aberta e Decker estava lá, por isso continuei deitada.

- Vamos garota, levante!

- Tome cuidado, ela praticamente saiu da cirurgia.

- Tem um dia que essa cirurgia aconteceu, ela já está mais do que bem. Deu à ela o remédio?

Joana apareceu do lado de Decker, brava por sinal.

- Claro que dei! Mas cada garota reage de forma diferente ao medicamento, seu idiota.

Ele a olhou feio e a mesma continuou em sua posição.

- Cale a porra da boca!

Ela o ignorou e se ajoelhou do lado da cama.

- Sua dor passou? Seja sincera, demorar é pior.

Eu a olhei, olhei para o Decker e respirei fundo.

- Sim, passou. Mas sinto pressão na área de baixo.

- Isso é normal depois do procedimento.

- O que você fez comigo? - Eu a olhei chorosa - O que em nome de Deus você fez comigo!?

Ela se levantou rapidamente e se afastou.

- Fiz o que me pediram para fazer, meu bem. Pode levá-la, Decker. Seja cuidadoso, sabe como o Turner fica quando alguma das meninas se machuca.

Ele a olhou com ódio e depois me olhou com desgosto.

- Vamos garota, já te mandei levantar!

Eu me levantei e comparada aos dois eu era bem baixa, tenho 1,57, e eles pareciam dois avatares. Decker me puxou para fora da cela e praticamente me arrastou pelo extenso corredor de celas, que eu imagino que várias meninas estejam assim como eu, presas.

- Presta atenção por onde anda vadia.

Ele me mandou para uma sala escura e acendeu a luz, e eu vi a pior coisa do mundo, garotas, com mais ou menos a minha idade, algemadas umas nas outras, nuas e amordaçadas. Elas me olharam, e eu pude ver o desespero correr pelos olhos de cada uma ali, e Deus sabe, como eu queria poder ajudá-las. Eu estava usando uma camisola, tipo daquelas de hospital, com nada por baixo, Decker então com muito ódio pelo que Joana havia falado com ele arrancou aquela camisola, me deixando sem muitas opções de como me esconder, coloquei meu braço cobrindo meu seios e minha mão na minha intimidade e ele riu.

- Você tem bastante coisinhas para esconder não é mesmo, vadia? Tire essas mãos daí.

Eu não tirei, e foi um erro contrariar suas ordens pois no minuto seguinte ele me um tapa que me fez cair no chão.

- Isso é para você aprender a não mexer com gente grande, vadia.

Ele me colocou sentada no canto e me algemou com outra garota, e antes de me amordaçar me deu outro tapa.

- Esse foi por puro divertimento.

Eu queria chorar pela dor, queria chorar por estar ali com elas e queria chorar por elas, mas de nada adiantaria. Deixei ele me amordaçar e então o desgraçado nos deixou no escuro. Muito tempo depois, um outro cara entrou na sala e pediu que todas levantassem, e com muita dificuldade nós conseguimos, ele puxou a primeira da fila e o resto foi seguindo, eu era a última, provavelmente a última que seria vendida. Me pergunto se essas meninas sabem o destino delas, bom isso nenhuma de nós sabe, mas se elas sabem que serão vendidas à caras velhos. Chegamos em uma sala e nos soltaram finalmente e de repente moças chegaram com maquiagens e lingeries, a moça que veio até mim, tinha um conjunto vermelho rendado nas mãos, então pelo visto nos venderiam como pedaços de carne para tarados... A moça olhou a minha bochecha inchada pelos tapas e então sorriu.

- Vamos dar um jeitinho nisso.

Ela passou uma pomada e depois algo que julguei ser uma base e depois um pouco de blush e rímel. Passou um batom em mim e se dirigiu até uma outra garota, uma das mulheres estava distribuindo placas com números para todas as garotas, que aceitaram, pois não tinham escolha. Meu número foi o 52 e a garota do meu lado 53. Estava nervosa, olhando para o chão e a menina de número 23 veio puxar assunto comigo, ela usava uma lingerie verde e sorria para mim.

- Olá.

- Oi.

- Vanessa, trazida para cá por conta de dívidas da minha mãe e você?

Eu estranhei ela querer saber da minha vida assim de cara mas já que nunca mais a veria na vida resolvi tentar fazer uma última amizade.

- Jéssica, trazida para cá por dívidas do meu pai.

- Prazer, e sinto muito.

- Também sinto. Sinto muito por todas aqui.

Ela foi para o canto dela e as mulheres da maquiagem saíram da sala, e só nos restava esperar. Esperar para a hora de sermos vendidas como objetos.

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