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6 A Travessura de Mirela

O cocheiro quase desmaiou ao ver uma figura anormal gritar “vocês estão perdidos” enquanto eles se aproximavam. Ele então puxou as rédeas dos cavalos duma vez fazendo todos dentro da carruagem saírem de seus lugares.

― Mas o que foi isso? ― Connor perguntou com a mão na testa, pois havia batido com a cabeça.

― Senhores e senhora, não saiam. Tem uma assombração aqui fora! ― gritou o pobre cocheiro.

― Eu vou ver esse negócio direito. ― Connor sacou sua arma para verificar o que estava de fato acontecendo.

Quando olhou para frente viu uma figura vestindo um traje preto com partes rasgadas e o rosto estava encoberto por uma espécie de véu e uma máscara por baixo. Lana ao ver a figura levou as mãos ao peito na direção do coração e começou a sentir-se mal, mas Connor não se deixou enganar e caminhou rapidamente na direção da pessoa estranha e apontou a arma para ela.

― Mostre seu rosto agora ou eu atiro! ― gritou.

Mirela vendo que Connor não estava para brincadeira, ergueu as mãos pedindo para que ele não atirasse, mas ele não conseguia identificar sua voz por causa da máscara. No mesmo instante Kiara saiu do meio das árvores implorando para que Connor baixasse a arma, pois era sua patroa quem estava ali. Kevin ouvindo aquele barulho todo, montou em seu cavalo e com mais dois serviçais foram até a entrada da mansão para ver o que estava acontecendo ali e ao chegar se deparou com uma figura estranha e Connor apontando a arma para ela.

― Ah não! De novo não! ― exclamou Kevin já sabendo do que se tratava. ― Não se preocupe senhor Connor, pode abaixar sua arma. Eu assumo daqui! ― falou descendo de seu cavalo.

Kevin chegou bem perto da figura e retirou o véu juntamente com a máscara revelando o rosto de Mirela. Lana e Kael ficaram pasmos, Connor ficou sem palavras diante de tamanha meninice.

― Vá para casa Mirela, agora! ― falou Kevin com a respiração ofegante.

Mirela sem dizer uma única palavra, deu meia volta juntamente com Kiara e retornou. A empregada chorou durante todo o percurso, porém Mirela lhe disse para ficar calma, pois ela diria a Kevin que a havia obrigado a fazer a brincadeira.

― E a senhorita não vai mentir, pois me obrigou a fazer isso! Só espero que ele não me mande embora mesmo assim! ― e desabou a chorar.

Kevin ficou parado olhando para a família de Connor por alguns instantes e juntamente com Kael começou a rir da situação.

― Então era disso que você estava falando? ― perguntou Kael.

― Sim, agora você viu com seus próprios olhos. ― confirmou Kevin.

Connor e sua mãe entraram na carruagem e Kael montou no cavalo de um dos empregados. Lana por sua vez ficou chocada com a primeira apresentação de Mirela e indagou o filho.

― Que moça mais desequilibrada! Meu filho você tem certeza do que vai fazer? ― perguntou assustada.

― Agora mais do que nunca minha mãe! ― Connor sendo firme. ― Mirela certamente será um desafio que eu vou adorar superar. Mas a senhora está bem depois do susto?

― Sim e confesso que até achei engraçado, mas espero que ela não faça isso quando estiver casada com você. Imagina depois de tudo o que a gente passou as pessoas comentarem que você deu o golpe do baú em uma louca? ― Lana sendo sincera até demais.

― Mamãe, por favor? Não torne isso ainda pior do que já está! ― Connor se sentindo constrangido.

Na casa, Muriel recebeu os convidados com toda comodidade possível, ela era uma mulher elegante e gostava de tudo muito bem preparado. Lana pôde conhecer melhor a futura sogra de seu filho e desejou que a nora fosse como sua mãe. Os quartos eram todos muito lindos e bem decorados e o quarto de Connor ficava de frente para uma linda cachoeira. Quando Kiara foi levar lençóis até seu quarto ele perguntou sobre a mesma.

― Ah, aquela é o cartão postal daqui a queda d’água! ― respondeu Kiara com um sorriso.

― Queda d’água? Como eu não pude ver esse lugar quando estive aqui da primeira vez? E porque desse nome? ― perguntou curioso.

― Dizem que existe uma lenda naquela cachoeira. As pessoas contam seus sonhos para ela e eles são realizados! Agora o senhor me dê licença que eu vou arrumar o quarto de seus pais. ― Se despediu e saiu.

Connor ficou fascinado pela cachoeira, ele não parava de olhar para ela quando percebeu que alguém ia a sua direção.

― Ora, mas aquela lá não é...

Connor correu na mesma direção e chegando perto confirmou suas suspeitas, se tratava de Mirela. A jovem sentou-se em uma pedra que ficava de frente para a cachoeira e ficou jogando pedrinhas na água, Connor então a surpreendeu.

― Bela apresentação! ― falou quase suspirando em seu ouvido. Mirela virou-se para trás assustada. ― confesso que jamais esperaria por uma coisa dessas, principalmente vinda da mulher com quem vou me casar!

Mirela a princípio não respondeu, ela apenas ficou olhando e voltou a jogar pedrinhas na água. Connor sorriu de forma irônica, ele não a amava, mas viu que seu casamento poderia não ser tão entediante quanto ele pensou.

― Que bom que o senhor gostou. ― Mirela falou quebrando o silêncio. ― Uma despedida de solteiro digna de vossa excelência.

Connor não resistiu e soltou uma gargalhada.

― Além de extrovertida e maluca você também é comediante. Sinceramente, veio o pacote completo. ― Connor sendo irônico. Mirela olhou para ele com desdenho.

Connor então começou a quebrar o gelo de Mirela perguntando se a mesma já havia montado alguma vez, Mirela respondeu que se caso Connor não tivesse notado, ela tinha sido criada em uma fazenda e por tanto seria impossível não saber montar. Cada pergunta vinha seguida de uma resposta firme, o que fez Connor admirar ainda mais a moça e a convidou para cavalgar com ele, Mirela gostou da ideia e disse que ia se trocar enquanto Connor escolhia o cavalo de sua preferência.

A moça retornou vestida em um traje de montaria vermelho escarlate e calçando botas pretas, seu penteado era uma trança que caía do lado direito. Connor que também usava trajes típicos de hipismo da época ficou paralisado diante da beleza da jovem, ainda mais pelo fato da calça acentuar as curvas de seu corpo.

― Vai ficar parado ai me olhando ou vai agir? ― ela perguntou desafiadoramente.

― Eu já escolhi o meu cavalo, é o grandalhão marrom ali. ― disse Connor apontando para o seu escolhido.

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