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4 Ombro Amigo

Grande foi a surpresa de Lana, ao ver a portuguesa chegar em sua casa, que embora, um dia havia sido local de grande fartura, naquele instante jazia em recursos nem ao menos para uma única refeição. A anfitriã foi logo fazendo perguntas, não por orgulho, mas por pensar na situação na qual se encontrava a outra mulher.

― De onde você trouxe essa carne, Antônia? ― Lana perguntou.

― Meu marido arranjou trabalho ajudando a abater bois e ele ganhou muita carne senhora. ― a mulher falou sorridente.

― Você trouxe a carne de sua casa para nó? ― Connor perguntou. ― Antônia não faz isso. Mesmo que seja muito, você tem sua família para sustentar. E ainda mais agora que sua sobrinha veio morar com vocês.

― Quanto a Suyane, o menino não precisa se preocupar. Nós vamos ficar bem, agora vão comer que vocês precisam ficar fortes. ― respondeu Antônia e em seguida retornou para sua casa.

Antônia havia deixado à casa dos empregados, pois a qualquer momento o banco executaria a hipoteca despejando a família dali. No dia seguinte ao acordar, Connor ouviu uma movimentação na casa, várias pessoas andando pelos corredores, então ele vestiu o roupão foi verificar o que estava acontecendo. Ao abrir a porta se deparou com vários homens carregando os móveis da casa, alguns de valor sentimental.

― O que estão fazendo? ― ele perguntou.

― O banco mandou confiscar, esses móveis vão para um museu. ― respondeu um dos trabalhadores.

Connor correu até sua mãe e ela estava sentada em uma cadeira chorando muito. O coração do jovem se partiu ao ver sua mãe naquele estado sendo consolada por Antônia, ele então fechou os punhos, mas respirou fundo e foi até sua mãe abraçando-a calorosamente.

― Isso tudo é culpa do Rian. ― resmungou com raiva.

― Filho, por favor, não odeie seu irmão. Isso me deixa mais triste ainda. ― Lana comentou chorando.

― Não, minha mãe! Estás equivocada, eu não odeio o meu irmão. ― afastou-se levemente e olhou nos olhos de sua mãe. ― Pode ficar tranquila quanto a isso e eu prometo que tudo vai ficar bem.

Na noite daquele mesmo dia, a família estava reunida para o jantar, um guisado que havia sido preparado na casa de Antônia. Connor e seus pais que outrora se sentavam a uma bela mesa e comiam em aparelhos de jantar sofisticados, agora estavam sentados em bancos velhos e comendo em pratos de metal. Entre um punhado e outro que Connor colocava em sua boca ele pensava no futuro que teria em suas opções, de um lado a mulher da sua vida e do outro uma verdadeira deusa da beleza pela qual não nutria sentimento algum, mas que poderia salvar sua família de uma vida da qual não estava acostumado.

― Pai, mãe. Eu tomei minha decisão! ― ele falou com firmeza. ― Diga a Kevin Walsh que eu aceito me casar com a filha dele.

― Sério filho? ― perguntou Kael assustado.

― Sim!

― Mas você tem certeza disso? Tem certeza que é isso que você quer? ― novamente Kael perguntou.

― Envie a carta para ele. Essa vida de miséria acaba agora! ― respondeu olhando para frente friamente.

― Está bem, mas termine de comer, por favor. ― Lana pediu entregando o prato de volta para o filho.

Connor fez o que sua mãe pediu e comeu o restante da comida. Ele se despediu de seus pais e foi para seu quarto. Connor despiu-se antes de dormir ficando completamente nu diante do espelho, ele olhou seu reflexo e começou a falar consigo mesmo.

― Um novo Connor nasce hoje. Mirela Walsh, não pense que irá se casar com o mais fiel dos maridos, ou com o mais gentil dos homens. Já que não poderei viver um amor verdadeiro, vou procurar proporcionar ao meu corpo o máximo de prazer que eu conseguir com quantas mulheres eu puder ter. Talvez Rian esteja mesmo certo, excesso de responsabilidades às vezes só nos destrói! Mas eu não serei destruído, vou me casar e recuperar a fortuna dos meus pais e não abrirei mão dos prazeres que tudo isso vai me proporcionar!

꙳꙳꙳

Na fazenda dos Walsh, Kevin finalmente retornou de seus compromissos fora. Muriel ficou feliz ao ver que o marido estava de volta, ele então chegou com uma notícia muito boa para a família, menos para Mirela.

― E o que de tão importante o senhor quer me contar? ― ela perguntou esperando algo extraordinário e era.

― Você vai se casar! ― Kevin falou sem rodeios.

― Claro que vou. ― ela respondeu. ― Quando eu achar um pretendente que seja do meu agrado.

Seu pai virou-se para ela e respondeu sem pestanejar.

― Quanto a isso não se preocupe, por que eu já providenciei um para você. ― disse com voz firme. Mirela fez menção de responder, Muriel ficou de queixo caído. ― E nem pense em aprontar com este, pois mesmo que você saia voando pelo jardim montada em uma vassoura, você vai se casar sim! ― concluiu.

― Montada em uma vassoura? Dessa vez o senhor foi longe demais. ― retrucou Mirela, Kevin e Muriel franziram o cenho. ― Mas eu posso saber ao menos de quem se trata a criatura?

Kevin fez silêncio por alguns segundos antes de responder a filha.

― Eu poderia muito bem fazer como naqueles países radicais onde a noiva só conhece o noivo no dia do casamento e você bem que merecia isso. ― Mirela arregalou os olhos, seu pai prosseguiu. ― Mas você já o conhece, pelo menos conheceu. É Connor Smith.

― Eu nunca vi essa pessoa, pelo menos não me lembro. ― respondeu sacudindo a cabeça.

― Lembra sim. Ele esteve aqui no dia do casamento de sua irmã. Um rapaz que você achou bonitinho, loiro, cabelos nos ombros. Filho de Kael Smith e irmão de Rian Smith. ― concluiu Kevin.

― Desse lembro-me muito bem. ― Mirela falou desconfiada, pois recordou da cena presenciada por ela e protagonizada por Rian e Kiara embaixo da escada. ― E como eu me lembro!

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