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#####Capítulo 2 Entrevista

Meu coração estava frenético naquela manhã. Escolhi meu melhor vestido, ele é de um verde escuro com alças grossas e iam até os meus joelhos, o vestidoera bem justo e colado na minha silhueta, mas, porque eu queria que minhas curvas ficassem destacadas? Argh! Passei uma leve maquiagem e vesti meu salto preto. Peguei meu casaco, bolsa e saí de casa, porque ainda precisava passar na redação para mostrar a Cinthia minhas “dez” perguntas.

******

— É uma pena ser somente poucas perguntas, mas elas são boas. — disse Cinthia com um sorriso.

Eu estava na sala dela há mais de três horas e estava tão nervosa, pois, logo daria a hora de ir até a mansão Gratteri.

— Obrigada, Cinthia. — Disse a ela. Cinthia se levantou de sua cadeira e me entregou o papel. Guardei rapidamente dentro da minha caderneta. Cinthia soltou um suspiro e pegou um gravador da sua estante. Eu quase ri.

— Algum problema? — Perguntou ainda sorrindo.

— É que o gravador não é necessário, os smartphones dão conta hoje em dia. — Dei de ombros.

Cinthia deu uma risada e assentiu colocando o gravador de volta ao seu lugar.

— Bem, é melhor você ir. Não se esqueça de nada. — Assenti para ela com um grande alívio.

— Está tudo aqui. Até mais tarde. — Sai de lá às pressas e nem dei importância para os idiotas que me olhavam de cara feia. Hoje finalmente tinha chegado o grande dia.

*******

Parei com meu carro na frente da mansão, eu não sabia se estava autorizada a entrar, pois os grandes portões altos estavam abertos, do outro lado da rua havia um homem de terno escuro sentado no capô do seu carro caro e lendo um jornal. Abaixei a janela e chamei por ele.

— Olá! Eu sou Amélia McAdams e tenho uma entrevista marcada agora com o Sr. Gratteri. — O homem levantou sua cabeça e havia uma cicatriz acima do seu olho esquerdo. Aposto que é um dos soldados da máfia.

— Pode entrar, mas deixe o carro aqui na rua. — Disse seriamente. Acenei para ele e desliguei meu carro, peguei minha bolsa e minha caderneta e saí. Andei pelo jardim da maravilhosa casa que é de uma cor escura por fora e com janelas intermináveis.

A porta de entrada era preta com um objeto dourado no meio. Bati duas vezes, mas Vicentino já estava abrindo-a, ele me olhou de cima a baixo e fez uma careta.

— Está atrasada cinco minutos. O que eu disse sobre não se atrasar? — Perguntou seriamente, com seu sotaque italiano. Ele abriu mais a porta e me surpreendi em ver que a casa era bem clara por dentro. Era a casa mais linda que eu já vi na vida. Olhei para Vicentino que encarava minha bunda! Pigarreei para ele que não deu à mínima e continuava a olhar.

— Desculpe Sr. Cavallaro, minha chefe queria falar comigo antes de vir para cá. — Seus olhos castanhos se voltaram para mim.

— Pouco me importo. Enfim, meu chefe está esperando no escritório. Sem gracinhas! — Ele apontou uma porta a minha direita com sua cabeça e sumiu pela casa.

Engoli em seco e respirei fundo, caminhei até a porta e bati na mesma, escutei alguém autorizar e entrei.

No momento em que entrei em uma espécie de escritório que deveria ser do Sr. Gratteri, fiquei pasma. Era incrivelmente luxuoso e de dar inveja, móveis claros, piso polido e janelas brancas grandes. E lá estava ele, vestido elegantemente em seu terno, sob medida, caro, de alfaiataria. Como eu suspeitava, ele era alto. O Sr. Gratteri estava com as mãos dentro dos bolsos da sua calça cinza social e observava o jardim. Olhando assim para ele ninguém iria ter noção de que o mesmo é o Capo da máfia italiana, e sim poderiam pensar que ele era um político ou algo parecido.

No momento em que Demétrio sentiu minha presença, se virou. Naquela hora eu queria sair correndo como louca de dentro da mansão pelo seu olhar frio e calculista, mas eu precisava disso, eu tinha que entrevistá-lo para as pessoas da cidade saberem que a máfia não era coisa de filmes. Engoli em seco quando ele caminhou lentamente até mim, me senti um coelhinho dentro da armadilha que o urso estava vindo pegar. Demétrio parou na minha frente sem dizer nada e seus olhos azuis estudavam meu rosto.

Pisquei algumas vezes envergonhada, ele era tão bonito e elegante. Agora o vendo pessoalmente sei o porquê do seu apelido, The Rich Mobster. Sua mão pegou a minha e ele se curvou sem tirar seus olhos do meu rosto e então depositou um beijo em minha mão. Meu coração saltou com o contato de seus lábios. Ele soltou de mim rapidamente e seus olhos de águia ainda eram frios e sérios.

— Boa tarde, Srta. McAdams. Sou Demétrio Gratteri. — Só de ter escutado aquela voz de chefão com o forte sotaque italiano, quase tive um desmaio.

— S-sr. Gratteri, chame-me de Amélia. — Ele assentiu e fez um sinal para eu me sentar em uma poltrona de frente a grande janela. Demétrio se sentou em outra na minha lateral esquerda, abriu o botão de seu paletó e cruzou as pernas.

— Como sabe Srta. McAdams eu não tenho muito tempo, terei uma reunião daqui há uma hora e a senhorita já perdeu dez minutos de sua entrevista. — Disse em voz baixa. Assenti para ele rapidamente e comecei a abrir meu caderno, deixei a caneta e a folha cair no chão e pedi desculpas, peguei-as rapidamente de perto do seu pé e coloquei em meu colo, demonstrando todo o meu nervosismo.

Depois liguei o gravador do meu celular e perguntei:

— Podemos? — Demétrio deu um balançar de cabeça e respirei fundo e iniciei. — Antes de tudo a Nevada News agradece pelo senhor ter disponibilizado um tempo para nos atender. Então, Sr. Gratteri, gostaríamos de saber qual motivo o fez querer seguir os passos da máfia? Vingança ou alguma outra questão pessoal? — Demétrio deu um pequeno sorriso e passou o dedo em seus lábios, fazendo meus olhos seguirem o movimento.

Ah meu Deus! Que homem sexy!

— Meus irmãos e eu não tínhamos o que comer, assim como nossa mãe estava com câncer e sentindo dores, e não tínhamos como comprar seus remédios caros. Por isso, começamos a roubar e matar em troca de dinheiro.

— E você queria isso? Matar inocentes? — Perguntei incrédula, reconheço que eu não deveria ter feito essa pergunta. Mas eu estava agoniada em saber. Demétrio me olhou com seus olhos azuis sem emoção e sorriu friamente.

— Inocentes? Eu particularmente matava os milionários que gostavam de humilhar a população pobre italiana. Acredite em mim, Srta. McAdams “nenhum” inocente passou pela minha mão. — Mordi meu lábio inferior e assenti.

Respirando fundo, eu fiz a segunda pergunta.

— Nos últimos anos o senhor foi nomeado como o homem de Las Vegas por ser tão jovem e tão bem sucedido nos negócios, mas, depois de ser acusado de tráfico internacional acabou perdendo esse pódio, pois as pessoas descobriram sua ligação com negócios obscuros. Como se sente agora sabendo que a população não aceita sua máfia aqui?

— Não sinto. Eles sabem que devem manter suas bocas fechadas e se contentar com a minha presença por aqui. Nunca me importei com essa bobagem de ser rotulado como um homem de Las Vegas, as pessoas que criam esses rótulos para os ricos da cidade são idiotas, mais conhecidos como “puxas sacos”. Assim como o seu trabalho. — Disse friamente. Não gostei daquilo, levantei minha sobrancelha direita e aquilo chamou sua atenção.

— Desculpe por isso Sr. Gratteri, mas esse é o trabalho de uma redação de jornal, sinto muito se mostramos os “podres” da sua máfia. — Disse sarcasticamente, mas em seguida bati a mão na minha boca. Droga, droga, droga! Eu nunca conseguia segurar minha língua. Demétrio levantou suas sobrancelhas grossas. — M-me perdoe Sr. Gratteri, dizer isso foi horrível. — Murmurei gaguejando.

— Próxima pergunta, Srta. McAdams. — Disse Demétrio seriamente e já impaciente.

Abaixei minha cabeça e pigarreei envergonhada, mas continuei.

— Várias pessoas de seu círculo social questionam o senhor por não estar casado, eles acham que em sua posição você precisa de um herdeiro, pois já tem 37 anos. O que acha a respeito disso? — Demétrio se levantou de sua poltrona e se serviu com um copo de uísque sem perguntar se eu queria. Ele sentou-se novamente e deu um gole em sua bebida. Esperei pacientemente até ele terminar o que estava bebendo.

— Acho que eles estão certos, eu nunca me casei por sempre colocar a honra da família na frente de tudo. Mas já fui apresentado para às filhas de outros mafiosos para manter a aliança, seria um casamento arranjado pelo meu pai e minha madrasta por questões políticas. Mas não estou interessado em ter uma mulher que não desejo e que nunca vi na vida. Por enquanto estou bem sozinho.

Assenti para ele e suspirei.

— Talvez alguma mulher fora do seu círculo chame sua atenção? — Perguntei.

Demétrio deu um meio sorriso sem mostrar os dentes.

— Mesmo se eu quisesse uma mulher de fora, não poderia. Apenas garotas da máfia. — Acenei para ele e vi que seus olhos vagaram por todo meu corpo. — Você é casada ou algo do tipo? — Sua pergunta me surpreendeu. Mordi meu lábio e dei uma risada nervosa para ele.

— Nunca pensei em casamento, estou mais focada em meu trabalho. — Demétrio assentiu e olhou minhas pernas novamente. — Voltando. Houve rumores de que seu último Consigliere desapareceu depois que foi acusado pela Cosa Nostra de roubar o dinheiro da família. Vocês sumiram com ele? — Seus olhos azuis voaram para janela e ele deu de ombros.

— A única resposta que posso lhe dar é que a a máfia trabalha assim, simplesmente tiramos os ratos do nosso meio.

Engoli em seco e assenti mais uma vez. Isso queria dizer que ele ou então alguém matou Donatello Matarazzo. Claro!

— Se o senhor não fosse Capo da maior família mafiosa, o que seria?

— Qualquer coisa relacionada à máfia, não me vejo em outro lugar.

— Bem, eu vejo. — Murmurei enquanto riscava a pergunta feita. Olhei para Demétrio e suas sobrancelhas estavam arqueadas.

— E o que você vê? — Perguntou, curiosamente.

— Um político de destaque ou algo do tipo, o senhor tem algo de poderoso em si mesmo.

— Porque eu tenho que ter, senão eu não seria um Capo. — Disse finalmente. Apertei os meus lábios e assenti. — Estou cansado dessas perguntas, por que não faz as que você gostaria de saber? — Abri a boca para respondê-lo e fechei novamente.

Eu tinha tantas perguntas. Mas acabei perguntando a mais idiota de todas!

— Qual sua banda favorita? — Demétrio ficou surpreso e sorriu.

— AC/DC. — Aquilo foi uma novidade e eu gostei.

— Adoro AC/DC. — Respondi sorrindo.

Demétrio cruzou suas pernas novamente e disse-me. — Próxima pergunta.

Argh, que grosso!

Fiz as perguntas restantes a Demétrio e ele as respondia rápidas e eficientemente. Ele às vezes parecia ser um cara legal, mas então do nada sua frieza voltava. Em todo momento em que eu estava lendo a pergunta, ou quando levantava meu rosto para ele, via que estava olhando todo meu corpo. Porém eu não fiquei nervosa, Vicentino me olhava da mesma forma. Nem fodendo que eu seria o novo brinquedinho de algum deles. Sim, Demétrio era lindo de morrer, mas tinha caras “decentes” que eram mais bonitos que ele.

— Acho que é tudo Sr Gratteri. — Murmurei enquanto escrevia sobre como Demétrio era.

— Você veio andando? Posso pedir para algum soldado meu levá-la em casa. — Mais uma vez fiquei surpresa com o que ele me disse. Dei uma risada e balancei minha mão.

— Obrigada, mas eu vim de carro, ainda tenho que ir até a redação entregar a entrevista para minha chefe. — Demétrio assentiu e se levantou, peguei minhas coisas e enfiei tudo na bolsa, quando iria me levantar, ele estendeu a sua mão para mim. — O-obrigada. — Sussurrei, surpresa com o seu gesto gentil. Seus olhos eram ainda mais lindos de perto. Um azul claro com pintinhas verdes dentro deles.

Demétrio acenou uma vez e se afastou de mim. Endireitei-me e caminhei até a porta com ele e vi que Vicentino não estava lá como imaginara. Quando estava parada perto da porta no lado de fora, estendi minha mão e Demétrio a segurou novamente e se curvou mais uma vez para beijar. A sua barba arranhou a minha pele de um jeito muito erótico.

Como é?!

— Espero que tenha a ajudado, Srta. McAdams. — Murmurou.

— Ajudou e muito. É melhor eu ir, muito obrigada novamente, Sr. Gratteri. — Disse quando me afastava. Demétrio enfiou suas mãos nos bolsos da calça.

— Não tem de quê, Amélia. — Parei de andar e me virei para olhá-lo, mas ele não estava mais ali.

******

Cheguei à redação como a verdadeira Mulher Maravilha! Eu era só sorriso para os babacas que me lançavam olhares raivosos, entrei na sala de Cinthia sem bater e coloquei meu celular e o papel em sua mesa. Ela estava mexendo no computador, mas parou rapidamente quando me viu.

— Las Vegas está preparada psicologicamente para a verdadeira máfia? — Perguntei rindo.

Cinthia escutou tudo e quando ouvi sobre as perguntas que não estava no papel me olhava com um sorrisinho, quando terminou de escutar ela bateu suas mãos dizendo-me.

— Sim, minha maravilhosa amiga Amélia, Las Vegas e o “mundo” estão preparados para a Cosa Nostra.

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