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Capitulo 7

A semana foi uma loucura, ajudei Laura em todos os preparativos para o baile, ela queria algo luxuoso e de extremo bom gosto, estava radiante com o retorno do filho. Ela pensou em todos os detalhes para a festa, desde as comidas até a decoração, tudo pensado com muito amor para o filho. Fiquei um pouco preocupada no início pois Laura estava muito agitada, não parava quieta um minuto sequer, meu medo era ela passar mal. Mas, ela estava tão feliz, fazia tempo que eu não via ela assim. Enrico estava de extremo mau humor, nunca gostei de fazer perguntas sobre o que aconteceu entre ele e o irmão, mas era claro que a relação deles não era boa ou simplesmente não existia, Enrico nunca tocou no nome de Matteo, nem no nosso casamento ele esteve presente.

Laura experimentava um vestido longo azul marinho, o caimento dele era perfeito. A vendedora levou os melhores vestidos da marca até nossa casa, o que ficava mais prático.

— Laura, por que Enrico não parece feliz com o retorno do irmão? — Indaguei, estava curiosa demais.

Laura soltou um longo suspiro e me olhou pelo reflexo do espelho.

— Matteo é adotado, meu marido trouxe ele para casa com dois anos de idade, era um bebê ainda — Seus olhos ficam nublados de lágrimas. — Eu havia perdido duas gestações, tive o Enrico, depois o Mauro, eu queria ter três filhos, sempre foi meu sonho… mas, não consegui mais engravidar após o nascimento do Mauro, eu fiquei depressiva, até um dia meu marido aparecer em casa com aquele garotinho nos braços, foi amor à primeira vista.

Pela forma como fala do filho é notável o amor que sente por ele.

— Enrico sempre foi do pai, eles eram muito agarrados, Mauro sempre foi agarrado com Enrico, Matteo era meu garoto, sempre foi mais apegado a mim — A frustração toma seus olhos. — Na adolescência uma rivalidade muito forte cresceu entre ele e Enrico, isso foi horrível, o pai ficou do lado do primogênito, Matteo se afastou da família — Lágrimas escorrem por seu rosto. — Ele me ligava sempre, mas eu nunca sabia onde ele estava, Enrico sumiu com todos os álbuns de família, queimou todas as fotos em que o irmão estava, a única coisa que restou dele aqui foi aquele carro que está na garagem. Eu me culpei tanto, que não pude fazer nada por ele… — Abraço ela.

— Tenho certeza que ele te ama Laura, independente de qualquer coisa, você é a mãe dele.

Avisei a Laura que sairia após o almoço, decidi visitar meus pais e contar a eles sobre minha separação, não queria voltar para casa deles após o divórcio, mas infelizmente acho que essa será a única opção que terei. Meus pais são pessoas simples do interior, vivem da renda que tiram do sítio onde vivem eu os ajudo, pago um um plano de saúde, dei um carro a eles e reformei nossa antiga casa, foi a única coisa que aceitaram que eu fizesse, eu queria e podia fazer muito mais, só que eles quiseram seguir com a vida simples trabalhando e tirando seu sustento da roça. Já minha irmã Perla foi ao contrário, desde do momento em que passei a ajudá-la ela e o marido pararam de se esforçar e a viver com o que dou a eles, agora eles terão que arrumar um meio de sobreviver. Não quero ter essa conversa com ela, apenas com meus pais.

O sítio onde cresci continuava igual o mesmo lugar agradável de todas as minhas memórias. Meu pai mexia em sua horta, assim que me viu descer do carro gritou chamando minha mãe e veio a passos largos ao meu encontro. Seus braços logo me envolveram em um abraço caloroso, senti uma enorme vontade de chorar, mas não fiz engoli minhas lágrimas. De forma alguma deixaria eles notarem minha tristeza, não foi para isso que vim aqui.

— Nina meu amor, que bom que você veio — Disse minha mãe beijando meu rosto. Ficar ao lado deles e receber seu amor e seu carinho era uma dose de ânimo injetado em mim. Meu pai arrumou a mesa enquanto minha mãe fazia um café fresco, ela sabia que eu estava ali por algum motivo, percebi ela é meu pai trocando olhares, com certeza já desconfiados do porquê da minha visita. Não havia um jeito certo de começar aquele assunto delicado, eu sabia que meus pais ficariam frustrados, mas me dariam seu apoio incondicional.

— Mãe… Pai… o assunto que me trás aqui hoje não é fácil de começar — Suspiro, para evitar o choro. — Eu e Enrico estamos nos separando.

Meus pais trocaram um olhar de cumplicidade entre eles. Afundei minhas unhas no jeans da minha calça para aliviar um pouco do nervosismo.

— Como você está se sentindo filha? — A pergunta me pegou desprevenida e não consegui conter as lágrimas.

— Péssima, nunca imaginei que meu casamento pudesse chegar a esse ponto… — sou envolvida pelos braços da minha mãe, pela primeira vez me permito chorar e por para fora o sentimento de frustração, de fracasso que sinto em relação a esse casamento. Meus pais foram compreensivos, contei a eles sobre as traições do meu marido.

— Saia daquela casa minha filha, volte para cá, essa casa sempre será sua… — Diz meu pai. Aperto sua mão em agradecimento.

— Nina vai se mudar? — Somos surpreendidos pela chegada de Perla. Ela já chegou se intrometendo na conversa. Seco as lágrimas em meus olhos, e finalmente faço contato visual com ela. — Por quê essa cara de velório?

Perla sempre teve um jeito debochado para falar as coisas, com o passar dos anos isso não mudou. Acabo contando tudo para ela, já que ela está aqui.

— Pensa pelo lado bom, você vai sair desse casamento milionária, fora a pensão que vai receber, está no lucro irmã — Diz.

— Não vou! Vou sair como entrei, sem absolutamente nada, não faço questão, só quero ter uma vida normal e tranquila.

— Não! Isso não Nina, como a nossa família fica nessa história? — Pergunta irritada.

— Nossa família não tem nada a ver com isso Perla.

— Como não, tem o plano de saúde do papai e da mamãe a escola das minhas filhas, eu não trabalho e tem mais, acabei de comprar um carro novo, quem você acha que vai pagar por essas coisas?

— Você é seu marido, vocês serão responsáveis pelas contas de vocês a partir de agora, eu não posso mais, sinto muito por isso.

— Você sente muito? Sério Nina, deixa de ser burra, engole essa traição e volta para seu marido e sua vida perfeita, por sua causa vamos perder muito — Sinto uma raiva enorme pelas palavras dela, tenho vontade de revidar, mas não faço. Ela não sabe nada sobre meu casamento para estar me dizendo essas coisas.

Mal despeço dos meus pais, pego minha bolsa e saio dali. A última coisa que eu queria era discutir com minha irmã sobre esse assunto, principalmente na frente e na casa dos nossos pais.

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