CAPITULO 6
— Lana...o que houve? - Sua mão se abaixa com o pente quando sua atenção cai sobre mim.
— Estou estressada. - bato a porta do quarto dela e me joga na cama. — A minha noite foi uma droga e só tive pesadelos. E também, estou com fome. - comento, me lembrando de que não desci para tomar café da manhã com todos na mesa.
— Ah...por que? - Coloca o travesseiro sobre o colo quando se senta para me acolher, dando um tapinha na superfície macia por cima da fronha.
— Briguei com a minha mãe ontem. - meu olhar encontra com o dela quando minha cabeça repousa no travesseiro sobre seu colo.
— Qual foi o motivo?...
— Ela quer me casar com seu irmão, Kate. A todo custo. - Conto o que ela já sabia. — E ela não vai desistir dessa ideia assim como também não vai ficar satisfeita até você ser a primeira dama.
— Sei o que está sentindo, é horrível não ter liberdade de escolher para decidir seu futuro...mas esse é o mundo que vivemos.
A olho mais seria.
— Pare de falar como a minha mãe. Tudo que ela disse foi que eu tenho que deixar de lado as esperanças sobre justiça e igualdade e escolher o homem mais poderoso possível para me submeter frente aos outros e manipular pelas costas.
— É, ela diz muito isso. - Dá um leve sorriso. — Lana, você já parou para pensar onde estamos? Que a máfia não vai mudar até que eles queiram mudar? Eu sei que você quer isso mas não vai conseguir combater fogo com fogo.
— E menos ainda abaixando a cabeça para esses homens! - Aponto para um ponto aleatório. — Não me tratem como se eu não conhecesse nada da vida. Vocês estão todas resignadas com essas regras mas eu não vou me resignar. Elevo o tom, não quero ser rude com Kate mas é impossível não se irritar com tantas mulheres resignadas com a opressão em um só lugar.
— Sei que pareço boba pra você mas fiz minha vida fora da máfia...eu namoro o inimigo. E não foi brigando que consegui isso, não estou falando para você se subjulgar, você não tem marido, não tem com quem se preocupar. - Ela para, perdendo o olhar pelo colchão e tenho certeza que seu pensamento foi direto para o meu irmão. — Você quer travar uma guerra com a sua mãe, seja inteligente e vença ela no próprio jogo.
— Manipulando?!
— Seu que você cresceu no seio da máfia e a única forma de poder que aprendeu foram as demonstrações de força que os homens exibem mas abra os olhos para outras. - É aí que ela se engana, eu conheço várias formas de poder e as que me são acessíveis eu escolho não usar por motivos de caráter e o básico de escrúpulo.
— Quer que sua mãe te deixe em paz? A faça pensar que você está considerando fazer o que ela quer, assim você ganha tempo até decidir o que quer de verdade para sua vida.
Rio, a olhando como se tivesse dito a maior idiotice de todas, ela não sabe...mas acabou de dizer.
— Não preciso de tempo, Kate. Eu sei
O que eu quero, viver a minha vida longe de um marido até quando não tiver mais escapatória. E minha mãe viu meu interesse de ficar com ele, agora ela está mais afim do que nunca de me fazer casar. Se eu disser que considero casar, não vou ganhar tempo nenhum porque ela vai marcar a cerimônia para o próximo mês. Já que segundo ela não posso esperar muito e perder a oportunidade se não ele vai se casar com outra.
— Sua mas pode querer te controlar mas não o meu irmão...ele não vai se casar se tiver tendo algo a mais com você.
É, não seria mais virgem e ele teria um ótimo motivo para não querer se casar, isso se eu não fosse filha de quem sou. Isso muda tudo pela próximidade da família dele com a minha.
Kate está sendo bem ingênua em achar que minha mãe não consegue manipular Alexander ou qualquer pessoa no mundo. Ninguém é imune a ela, nem mesmo eu que sei bem como ela age. Kate não conhece Hanna Devan tanto quanto eu.
— Não duvide da capacidade da minha mãe de convencer alguém a fazer algo.
— Você vive dizendo quer ser corajosa mas quando uma oportunidade surge de começar a lutar, tem medo. Lana, quer uma solução ou apenas ficar reclamando da sua mãe?
Reviro os olhos, ela não vive nessa casa, não é filha de Hanna Devan e não sabe que as coisas funcionam de um jeito bem diferente do que ela pensa. Não é tudo tão simples como ela diz, e a solução dela não contempla o meu problema, ser métodica assim não funciona aqui. É claro, isso ela não vai entender.
— Conheço a minha mãe. - volto a bater na tecla com um tom de voz cansado e irritadisso por ela não entender a realidade. — Essas táticas que disse não funcionam com ela, é um jogo perdido. E lutar indo dormir com seu irmão, é só facilitar o jogo pra ela. E sabe o que é pior, Kate? - ela nega. — Foi isso que eu quis desde o início, e ainda quero. - digo frustrada.
O que eu queria antes fazer parte do plano da minha mãe, só torna as coisas mais frustrantes.
— Lana, não é errado desejar o que você não pode entender....- seu olhar se perde de novo.
— Não, estou falando da sua súbita vontade de transar com meu irmão. - o travesseiro se choca com meu rosto, me fazendo rir.
— Isso passa tão rápido quanto veio. - devolvo com uma almofada mais forte. — Quando eu transar com ele...- rio maliciosa. ..
O desejo só faz ficar maior quando é reprimido e quando é satisfeito há muitas chances de se esvair, ou aumentar...mas vou arriscar na primeira possibilidade, de que vai se esvair de vez. E foda-se se isso vai ajudar minha mãe com seu plano idiota, eu não transar também não impede que ela tenha sucesso na missão de me casar mesmo. Para o sim e para o não, Hanna Devan tem uma boa chance de ganhar, só que eu vou lutar até o fim pelo que eu quero
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Amanhã a noite, Lana. Não esquece.
Kira
C
oncordo com a cabeça ao ver a mensagem mesmo que ela não possa ver. Minha atenção vidrada no celular se desvia quando ouço a voz de Alexander. Paro abruptamente o caminho que fazia no corredor, ficando com o rosto próximo da porta entre aberta do quarto dele na minha casa.
— Ah, então está só de calcinha? - Franzo o cenho, me aproximando mais para ouvir. — Eu sei...vou te deixar com as pernas bambas com os orgasmos que planejo te dar.
Balanço a cabeça com nojo, revirando os olhos e achando isso tudo muito ridículo.
Uma batida do meu coração falha quando meu celular começa a tocar, uma música alta indica a chamada de Yuri. Luto contra os milésimos de segundo para negar a chamada e cessar o som mas é tarde demais.
— Depois eu te ligo. - a voz de Alexander ressoa e sinto e ouço seus passos de aproximação da porta, onde estou. — Sabia que é feio ouvir atrás da porta?
Sua cara não é nada amigável agora e com certeza a minha também não é.
— E sabia que é descuido deixar a porta aberta enquanto está flertando e falando putaria pelo telefone?
— Não preciso de cuidado porque não tenha a quem dar satisfação.
— Mas você não está na sua casa. então tenha respeito com a casa dos outros e não tenha esse tipo de conversa de porta aberta.
— Está estressada? Não faz bem para o coração. - Ele está debochando de mim, o que é irritante pra caralho ainda mais vindo dele que junto isso com um ar de superioridade e uma expressão tão atrevida quanto sua própria fala. O pior é que isso também é sexy. — Agora vai fazer alguma coisa de adolescente e me deixe voltar para minha ligação em paz.
— Não. - O respondo sem olhar, passando por de baixo de seu braço para adentrar o quarto.
— Menina, eu já entendi o que você quer mas você não entendeu que eu não quero nada com você. - Diz ao capturar meu braço, me fazendo encara-lo diretamente.
— Não sabia que era do tipo que se faz de difícil.
— E não sabia que você é do tipo insistente. - rebate.
— Está vendo agora. - Inclino meu para frente, aproximando meus lábios do dele. É neste momento que ganho mais uma confirmação de que ele também quer isso, seus olhos fitam meus lábios com desejo, e seu olhar desvia, pairando por meu rosto.
Ele se afasta com tanta rapidez que parece que levou um empurrão.
Quanto receio...
— Garota...- Adverte. Um simples adjetivo consegue soar como uma ameaça vindo dele. — Já estou me estressando com você.
— Vai fazer o que? Me matar e tirar fotos do meu corpo aberto com os órgãos expostos para colocar no seu quarto de fotinhas?
— Não seria má ideia, a primeira coisa que eu iria arrancar seria essa língua atrevida.
— Pode usar para fins melhores do que esse.
Minha resposta arranca uma risada dele, uma risada sincera. Ele ficou desconcertado...
— Vai embora.
— Não tô afim. Isso tudo é pressa de voltar para o sexo por telefone? - falo com deboche e desprezo. Que patético...
— Exatamente.
— Não vou.
— Vou ser obrigado a te expulsar? - novamente ele agarra meu braço.
— Vai em frente. - Já sei como isso vai acabar, então só o deixo me guiar, na verdade, arrastar para fora.
— E não entre no meu caminho novamente, não vai gostar do que vai acontecer.
— Vou pagar pra ver! - Grito depois que ele bate a porta na minha cara, de novo.
Essa foi a última vez que ele fez isso.....
Digo a mim mesma, determinada, como um juramento, um decreto.
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Desligo o secador de cabelos da tomada, vendo o meu reflexo no espelho. A maquiagem também já está
pronta, os olhos bem carregados de preto, um delineado que alonga meu olhar, cílios grandes e volumosos devido a máscara de cílios, a pele natural e um batom vinho. Meu cabelo está selvagem, um pouco desalinhado como gosto mas não chega a estar armado, isso devido a seu comprimento que pesa. Ele vai até o meio das costas, me pergunto as vezes se deveria cortar, acho que não...eu gosto assim. As poucas mechas que antes estavam rosa, foram renovas.
O tom de loiro o qual pinto é mais escuro do que o cabelo natural da minha mãe que também herdei. O traços que eu herdei foram do meu pai, me pareço mais com ele, o rosto mais fino e olhos com o mesmo tom de azul.
Amo minha mãe mas tento parecer o mais distante possível dela fisicamente e também no caráter. Não que não ache ela bonita, não que eu não admire um pouco o poder que ela tem, só não admiro mais por não achar certo algumas muitas atitudes que ela tem.
A máfia toda não sabe que minha mãe traiu meu pai e que ele a perdoou, existe esse boato mas pela boa camuflagem dos fatos e também pelo medo dos envolvidos de serem lindos por meu pai, nada nunca foi de fato confirmado. Porém, tem certas coisas que não dá para esconder, os fatos visíveis aos olhos de todos, como o fato de que minha mãe é sim bem perigosa. Ela é temida e ama isso.
Todo mundo começou a ter medo dela quando passaram a ver certos padrões, como o de que: todo mundo que ela não gostava, morria. E agora é minha vez, muitas pessoas sentem medo de mim por isso, de que eu seja igual a ela, de morrer caso me irritem, exceto meus amigos próximos que me conhecem o suficiente para saber que eu nunca faria mal a ninguém atoa. E com tudo isso, volto a dizer o quão necessário é tentar deixar claro em todos os sentidos que somos diferentes.
Já basta Stefan sendo como ela, e pior, uma mistura dela com meu pai. O pior lado dos dois em uma pessoa só. Eles criaram um monstro.
Suspiro, perdida nos pensamentos desconexos.
Dentro do closet, encaro todos as roupas em busca da melhor opção para essa noite.
Vai ser mais uma das festas que a Kira dá quando os pais viajam. O pai dela é membro do conselho, tem um bom cargo dentro da máfia e são até que liberais em deixar ela sozinha em casa só com os empregados e seguranças, e deixar ela fazer festa com os outros adolescentes da Salazar. Parecem bem pouco preocupados com a virgindade dela, que é o que todos os pais de meninas aqui mais tentam proteger, porém também podem confiar bastante no medo que ela tem de morrer e não se entregue a ninguém.
É o caso do meu pai, ele confia não só no meu "medo" de morrer que não é tão grande...como também nos medo que todos tem dele. Afinal, quem teria coragem de passar dos limites com a filha de Dimitri Devan? Por isso ele não me proíbe de sair na maioria das vezes, e claro, eu vou e volto com os seguranças mas eles ficam do lado de fora da festa, que tem sempre que ser na casa de alguém, jamais em boates.
Me olho no espelho, vendo a roupa que escolhi e coloco um sobretudo por cima. Não dá para sair com algo tão curto no frio da Rússia, eu morreria vestindo só isso longe dos aquecedores da mansão. Quando chegar lá eu tiro. E isso também vai facilitar eu sair dessa casa vestindo o que eu quero sem ser julgada.
Calço as meias 7/8 pretas e as botas de camurça que vão até às coxas, amarro o sobretudo por cima e estou pronta.
Hoje a noite vai ser interessante. Vão ter alguns caras bonitos na festa, e por mais que nenhum deles seja o homem que desejo no momento, vale a pena a distração.
[...]
— Aonde você vai? - Stefan pergunta no pé da escada enquanto desço.
— Sair.
— Para onde e com ordem de quem?
— Festa da Kira e com ordem de ninguém. Nossos pais não se importam que eu vá.
— Está vendo eles por aqui? - Nego com a cabeça. — Pois é, eu me importo e você não vai a lugar nenhum.
— Você não manda em mim.
— Sabe que eu mando, e com nosso país fora, eu mando nessa casa e você não vai.
— Oi...- Kate chega de mansinho, vindo do caminho da cozinha.
— Lana, está linda. Vai sair?
— Era a intenção. - Falo olhando para Stefan.
— E por que não vai? - Pergunta já sabendo a resposta.
— Porque não vou deixar a irresponsável da minha irmã se meter em uma festa de adolescentes drogados. Não sob minha responsabilidade.
— Stefan...a Lana já é adulta e responsável.
— É uma adolescente, irresponsável e inconsequente. Suba para o quarto.
- aponta para cima.
— Não vou fazer nada de errado. Nossos pais não se importam que eu saia porque sabem que eu não vou fazer nada.
— Um erro deles acreditar em você. Suba, Lana. - seu tom aumenta, e a voz fica mais rígida. É o tom de ultimato antes de perder a paciência completamente.
— Kate...- olho para ela como um pedido de socorro. Só ela vai poder transformar o tsunami em uma leve correnteza.
— Stefan?...lembra que queria revisar aqueles relatórios comigo? Seus pais saíram e se a Lana for, vamos ficar sozinhos.
— Ela pode ficar no quarto em silêncio e não nos atrapalhar. A casa é grande o suficiente para isso. - Ele tenta não ponderar, mas sei que está.
Olho para ela com o mesmo olhar de antes, reforçando o pedido, o que faz ela se aproximar dele e espalmar as mãos em seu peito.
— Se ela não estiver aqui, não vou ter para onde fugir de você.
Kate está seduzindo ele?
— Katherine...- fala, a advertindo.
— Stefan...- Ela pede, quase sussurrando sem se afastar e ele suspira, olhando para mim por cima do ombro dela.
— Vá, antes que eu mude de ideia.
— TE AMO, KATE! - Grito enquanto saio correndo porta afora.
— SE DIVIRTA! - Ouço sua voz distante, já estando do lado de fora.
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A festa está relativamente cheia, também tem alguns alunos da nossa antiga escola aqui. Graças a Deus o ano letivo acabou ano passado e finalmente estou livre do inferno que era aguentar todos eles. Não que eles mexessem comigo de maneira direta, não tinham essa coragem porque eu era filha do capô, mas sei que falavam mal de mim pelas costas. No fim, eu sempre ficava sabendo, eram fofocas sobre minha mãe, comparações com ela, e sobre minha aparência, o meu estilo ou que eu era metida e soberba por ser filha do capô. E nada disso é verdade.
Quando kira me vê, vem correndo na minha direção com um copo descartável vermelho em mãos.
— Está atrasada. Vira essa para começar a noite. - Me entrega o copo e quando o pego ela segura o fundo dele, despejando o líquido na minha garganta. A bebida é gelada e desce queimando pela minha garganta.
Quase engasgo com a quantidade, tusso algumas vezes e limpo os lábios com as costas da mão, fazendo careta.
— Eca...
— Relaxa que é só o começo.
— O Yuri já chegou?
— Ainda não, achei que ele viria com você. Vamos esperar ele para começar o jogo, e depois vamos curtir de verdade.
Com isso ela quer dizer que todos vão estar totalmente bêbados, alguns sob efeitos de droga e outros envolvidos com quem beijaram no jogo da garrafa. A tensão sexual nessas festas é terrivelmente densa, porque as meninas querem ir para cama mas o medo da morte é maior. Algumas mais corajosas acabam cedendo ao desejo, e eu sou uma delas. Só que não vou fazer nada com alguém que não valha a pena, como algumas acabam fazendo. Já escolhi o cara, então não tem nada de grandioso aqui para mim, vou ficar só nos beijos.
Sempre tomo o cuidado de não ficar bêbada o suficiente para perder os sentidos, porque se alguém fizer algo comigo ( mesmo que seja difícil pelo medo da minha família) eu serei a culpada por isso. Não vão se importar se for um estupro contra incapaz.
Também fico de olho em outras meninas, em não deixar nenhuma completamente bêbada e vulnerável sozinha, porque ela corre o risco de ser estuprada e condenada por isso nessa merda de máfia machista. Vão sempre vir comentários de: Por que estava bêbada então? Se estava vestindo aquilo é porque queria, se não quisesse que isso acontecesse não estaria em uma festa.
Todas essas coisas cruéis que para piorar não acontecem só na máfia, é a realidade de todas as mulheres em todos os lugares do mundo. Mais um motivo pelo qual odeio seguir os pensamentos das mulheres daqui, que se resignam. Por isso eu quero agir, ser o tipo que grita, que luta, não o que se adapta. Se for pra morrer, que seja lutando.
Sendo como a minha mãe eu só resolveria os meus problemas, os meus impedimentos, conseguiria a minha "liberdade". Mas e as outras?
— Lana?! LANA! - Kira grita, me trazendo para a realidade. — Você está muito aérea. Ficou bêbada só com esse copo? - Aponta para o mesmo, rindo com deboche e indignação.
Embora seja minha "amiga", porque não parece sempre...consegue ser bem irritante e me tirar do sério as vezes. Reviro os olhos.
— Não, só estava pensando.
[...]
Todos estavam conversando entre si na sala, segurando copos de plástico, os virando constantemente, esvaziando latinhas. Fico encostada no mini bar da sala.
Já faz umas duas horas que a festa começou e Yuri não chegou e já dei um fora em uns três garotos diferentes. Hoje meu humor não está tão sociável quanto imaginei e já me arrependo de ter saído de casa.
— Olha só, ele chegou. - Kira aponta, chamando a atenção de todos para Yuri.
— Oi, por que demorou tanto? Você disse que ia chegar primeiro. - Pergunto ao me aproximar.
— Tive uma briga com meu pai. - Ele pega o shot de tequila da minha mão, o tomando de uma só vez.
— Por que?
— Eu não sei, parei de ouvir o que ele diz com seis anos. - Revira os olhos. — Kira, qual o jogo?
— Estávamos esperando você, vai ser jogo da garrafa de novo. Vamos lá.
Acompanhamos ela para o meio da sala, sentando na roda onde todos estão, já prontos para o jogo.
— Vai ter consequência se não beijar.
- Ela senta ao meu lado, e Yuri do outro lado do círculo.
— Vai ter que cumprir algum desafio se não beijar. Ainda não sei qual, tem alguma sugestão? - Olha para todos em volta que dão de ombros.
Que gente chata.
— Descumprir alguma das leis.
Segurando a garrafa vazia, ela dá um sorriso em satisfação ao olhar ao redor vendo que todos aprovaram a ideia.
— Quem não beijar vai ter que deixar um segredo sujo da máfia aqui.
— Ou?...- Arqueio a sobrancelha.
Isso é muita idiotice.
— Não seja chata, Lana. Essa é a consequência, pare de querer estar imune a tudo só porque é uma Devan. Isso é irritante pra caralho.
— Não estou tentado fazer isso.
— Então jogue do mesmo jeito que nós mortais. - debocha.
— Deixa de ser invejosa, Kira. Lana não tem culpa que você não é uma das principais famílias. - Yuri sai em minha defesa.
— Meu pai está no conselho. - rebate na defensiva.
— Na parte baixa dele. - Completo.
— Só tô dizendo que aqui é para sermos todos iguais, sem privilégios. É pra ser divertido, vamos jogar. - Kira diz e eu suspiro, concordando.
— Eu começo. - Ela decreta. Coloca a garrafa vazia no centro da rosa, a girando. Ela sorri quando para na direção de um menino até que gato, tem os cabelos loiros e olhos castanhos. Me esqueci o nome dele mas era da minha sala no último ano.
Ela se levanta, indo até ele e trocando um beijo. Ao fim, entrega a garrafa para que ele gire e o ciclo se segue.
Agradeço na maioria das vezes por a garrafa não ter parado em mim e algumas poucas fico frustada. Tem três ou quatro aqui que me atraem.
— Sua vez. - Ela diz quando chega a vez de Yuri.
Ele gira a garrafa, que roda diversas vezes até que a ponta começa a alternar entre mim e a menina do meu outro lado.
— Melhor tentar de novo. - Digo quando para definitivamente em mim.
Kira nega com a cabeça.
— Fala sério, Lana. A gente já falou disso, caiu em você, beija ele.
— Somos melhores amigos. Yuri é como um irmão pra mim, não é certo, não rola.
— Seu único irmão é Stefan.
— Melhor eu do que outro, Lana...vamos lá.
É aí que ele se engana, seria melhor qualquer outro do que ele. Bufo, me colocando de pé e andando até ele a contra gosto que já tinha ido para o meio da roda.
O encaro por alguns segundos e aproximo nosso lábios com receio mas ele me puxa de uma vez, e quando dou um breve selinho, ele segura meus cabelos, forçando minha boca abrir e dar passagem a sua língua. Ele suga meus lábios com insistência e por um nano segundo, eu cedo, mas logo o empurro para longe.
— Chega. - Olho para Kira põe cima do meu ombro, a vendo sorrir abertamente e todos na roda que não estão cochichando entre si, estão com a mesma cara.
— Próximo. - Um cara pega a garrafa da não de Yuri.
Olho desconfortável para ele do outro lado da sala, e nego com a cabeça em reprovação. Ele forçou um beijo.
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Bato a porta do carro, acenando para o motorista que me dá boa noite. E agarrada ao meu sobretudo, abraçando meu próprio corpo, eu caminho para a entrada da casa.
— Boa noite, senhorita. - O segurança abre a porta principal para mim.
— Boa noite. - Suspiro, entrando em casa e ele fecha a porta para mim. As luzes estão todas apagadas por dentro. Já é de madrugada então todos devem estar dormindo, deve ser quase duas horas da manhã.
Ando pelo hall a passos lentos, pensativa enquanto passo as mãos no cabelo em direção a escada. Subo os dois primeiros degraus e minhas pernas já vacilam, quase caio mas sou amparada por braços fortes e quentes e aquela fragrância já conhecida vem como uma ventania na direção do meu nariz.
— Opa...- murmura ao me colocar de pé novamente, sem tirar o aperto leve do meu braço.
— Que inferno. - praguejo devido a minha quase queda vergonhosa. — O que está fazendo aqui essa hora?
— O que você está fazendo aqui essa hora? E com cheiro de bebida? - Alexander devolve com mais perguntas.
— Obrigada pela ajuda, mesmo, mas não enche. Eu estava em uma festa, meu irmão queridinho deixou.
— Com quem? - Ele trava o maxilar, sua voz fica mais rígida, quase como um rosnado.
— Com todos os babacas adolescentes que tem nessa máfia. - cuspo com raiva.
— Você não é uma?
— Babaca, não. E você não é adolescente mas é babaca. Acho que ficou com a minha parcela de babaquice.
— Está afiada...o que é isso na sua boca?
Passo a mão pelos lábios, olhando meus dedos manchados de batom vinho.
— Batom....deve estar um desastre agora. - murmuro envergonhada por como provavelmente está minha aparência.
— Por que seu batom está borrado?
O encaro em silêncio, sem resposta.
— Sei lá, deve ser a bebida que borrou ou o jogo também.....- falo enojada, sentindo a bile.
— Que jogo? Você ficou com alguém? - Sua mão que antes me amparava, aperta meu braço com força.
— Da garrafa. Isso já responde duas perguntas. - rio nasalmente com cara de paisagem pra ele.
— você é uma garota estúpida.
Franzo o cenho mais ainda. O que deu nele?
— O que? - puxo meu braço, sem sucesso mas ele logo me solta com brutalidade, quase me derrubando de novo.
— Está com raiva? - Pergunto, confusa.
Ele nega com a cabeça, o maxilar bem moldado totalmente rígido como gesso e a expressão fechada. A luz de fora é o que ilumina pela grande janela do corredor do primeiro lance de escada, o suficiente para que eu veja seu olhar furioso. Ele me dá as costas, subindo a passos duros.
Me sento na escada, tentando parar a tontura e assimilar essa cena. Esse homem não faz o menor sentido.
