CAPITULO 1
LIGO O SOM NO ÚLTIMO volume, mexendo o corpo e os cabelos na batida da música. Naguine rasteja pelo colchão, a sua cor amarela é o único tom vivo que se destaca nesse quarto preto, fosco e escuro. É legal, nunca é difícil saber onde ela está por aqui.
Também é o único comido nessa enorme casa, além do quarto do meu irmão, que não segue o design do resto da casa, completamente revestido em branco e tons de bege, só que faz mais sentido ser assim, já que essa casa é um hospicio mesmo. É tão grande e clássica que chega a ser ultrapassada, é muito luxuosa, como viver em um castelo, pelo tamanho, pela arquitetura, decoração e pelo tipo de gente que vive aqui. Minha mãe sem dúvida séria a rainha, é o que ela realmente é, como é tratada pelo meu pai e os de mais. Meu pai, Dimitri Devan. O rei todo poderoso que vive pelas vontades de sua rainha má, bela e irresistível. Meu irmão seria o príncipe das trevas, louco para tomar o trono e governos a todos com punhos de ferro e mãos manchadas de sangue. E eu, não me considero alguém aqui, me acho diferente deles, em caráter e demais coisas, só que sem dúvida aos olhos dos outros eu seria a princesa, uma princesa rebelde, talvez eu fosse vista como alguém realmente relevante aqui se eu não fosse uma mulher.
Não posso não incriminar a minha mãe por isso, antes que ela traísse meu pai, há muitos anos atrás, as leis dessa merda de máfia eram mais brandas. Não que justas e feministas, porém, bem menos piores. Hanna Devan, ela tinha que ser ela mesma e mudar tudo isso. Claro que ela conseguiu o perdão dele, a um preço alto, só que esse preço nós mulheres que viemos depois estamos pagando até hoje. Simples, você era mulher, apenas não tinha muito poder se você não fosse uma boa manipuladora de maridos, devia obediência e fidelidade ao marido e depois do casamento, fazer uma tatuagem ridícula dizendo que você o pertencia.
Agora a coisa é mais em baixo, renovando as leis antigas, você se casa virgem, se um homem tiver interesse em você ele pede seus direitos ao seu irmão ou pai que agota são considerados seus donos até que tenha um marido e este homem se tiver seus direitos cedidos, pode e vai controlar cada passo seu. Depois do casamento a constatação de se você era ou não virgem, se sim, passe para o próximo nível, se não, morte. Depois a tatuagem, filhos e uma vida inteira de submissão, bem pior do que era antes. Torcemos para que o marido seja bonzinho, quase nunca é, porém torcemos, assim nos livramos das surras e punições sem consequência alguma para os maridos. E isso tudo, é culpa da minha mãe, e da minha madrinha Kelly também que deu uma bela ajuda, ainda sim, minha mãe é a maior culpada.
Só que para ela, isso tudo não é nem de longe um problema, afinal, ela está perdoada. E na sua visão, qualquer mulher tão esperta quanto ela, consegue se livrar de todas essas leis.
Hanna Devan tem o poder de driblar qualquer lei, fazendo de qualquer um seu fantoche, sempre foi muito manipuladora, controladora e claro, mentirosa. Como ser tudo isso sem mentir, não é? Uma mulher difícil. E mesmo assim eu amo ela, e sei que ela também me ama, ama meu irmão, meu pai, Kelly e os filhos dela, Kate e Alexander. O problema da minha mãe não é falta de amor, só priorizar suas conveniências acima de tudo, principalmente dos escrúpulos. E o pior é que Stefan é do mesmo jeito.
Stefan tem vinte e seis anos. É o pior homem que eu já conheci, controlador, cruel, sanguinário, tirano e capaz de qualquer coisa para ter o que quer. Aprendeu isso com mais pais, e conseguiu pegar de cada um o pior lado. Não sei se ele me ama, se ele tem ao menos essa capacidade que minha mãe tem, as vezes, raramente... penso que sim, só que depois logo vejo que não.
Paro a música que eu escutava quando ouço batidas na porta, abafadas pelo som alto.
— LANA! - ela abre a porta e me olha.
— Oi, mãe.
— O almoço está servido, e feche a porta antes de sair porque não quero essa cobra solta pela casa.
Reviro os olhos com o tom de desprezo dela para Naguine.
[...]
Bebo um gole do suco de morango enquanto mexo com a ponta do garfo na comida, totalmente entediada com os assuntos na mesa. Tráfico, cargas, armas, festas, dinheiro, dinheiro, dinheiro...e mais dinheiro.
— O salão já está pronto. Amanhã a cerimônia de posse vai sair exatamente como o planejado.
— Obrigado, mãe. Não quero falhas. - Stefan diz.
— Não terá. Fico muito satisfeito em te passar meu cargo ainda em vida, não tive tanta sorte com meu pai. Com a morte dele não houve cerimônia, e tive que tomar o cargo as pressas.
— E mesmo assim foi grandioso, meu amor. - Minha mãe sobre a mão de meu pai com a sua, acariciando e sorrindo para ele em consolo. Está alimentando o ego dele, que é enorme, diga-se de passagem, só que não deixa de ser verdade, meu pai sempre foi muito respeitado.
— E você como primeira dama. A Kate será tanto quanto, quando se casar com Stefan...- E mais uma vez este assunto é tocado aqui. A obsessão doentia que meu irmão tem por Kate, filha da Kelly, melhor amiga da minha mãe. Eles tem a mesma idade, e quando eu era criança, Stefan já estava obcecado por ela. Meus pais só fizeram alimentar esse sentimento nele, essa obsessão, e quem sofrerá com isso é ela que está apaixonado por outro demais para notar que meu irmão é doentio por ela.
— Ela nem sabe sobre isso e pode não querer se casar com Stefan. - E dizendo isso, consigo ganhar um olhar mais do que mortal do meu irmão. Stefan não pode me bater aqui e agora, e nem me jogar no porão. Só que se meus pais saírem e ele guardar esse rancor, ninguém poderá me salvar.
— Não vejo porque não. - meu pai defende, tomando um gole de vinho. E claro que ele não vê porque não, ele também consegue tudo que quer, ele quis minha mãe e conseguiu, pegou para si mesmo que ela amasse outro. E a história se repete, uma maldição de família, talvez. E novamente, a vontade da mulher não conta em nada. — Kate é solteira. - continua meu pai.
— Nem sempre se trata de estar ou não disponível, pai. Às vezes ela só não quer mesmo, eles se conhecem desde o nascimento, ela pode ver ele como um irmão.
— Lana, seu irmão será o capô. - minha mãe diz com todo orgulho e vitória. — Poderá ter Katherine facilmente se usar os meios, ela é uma menina boa e doce, vai se apaixonar por ele com facilidade. E a única irmã dele, é você. - Da ênfase.
Não amando outro...
— Cale a boca, Lana! - Stefan ordena, não pode, não manda, a palavra é sempre ordenar.
Idiota, querendo ou não, minha opinião aqui é a mais certa, eles só não sabem disso. E que relevância eu tenho aqui mesmo? Não sou a primeira dama, nem o capô e nem o futuro capô mesmo.
— Não fale assim com sua irmã. - Meu pai manda, o repreendendo com tom severo.
— Filha, você também tem que começar a se preocupar com isso. Não tem nenhum homem que tenha interesse? Um que seja bonito e tenha um bom cargo? - Minha minha mãe me questiona.
— Não tenho, mãe. Só que você com certeza tem.
Ela sorri. É, realmente tem e eu não vou perguntar, não quero saber de nada disso.
Revirando os olhos me levanto da mesa, esvaziando a taça de suco de uma só vez.
— Vou para casa da Kate, talvez lá alguém me escute.
— Tudo bem, querida. - Minha mãe concorda não dando a mínima para a minha alfinetada.
— Chegue antes do jantar.
Eu assinto a fala do meu pai e não olho para cara de Stefan para ver sua reação, apenas saio do local.
[...]
Encaro o caminho que passa rápido pela velocidade do carro, encostando a cabeça no banco de trás, eu penso em como será a minha vida. Agora que terminei o colégio, não sei ainda o que quero fazer. A melhor opção é ir para fora do país, fazer uma faculdade longe daqui antes que meus pais tenham a brilhante ideia de me juntar com alguém. Me dando de bandeja para alguém que oferecer o casamento mais conveninete.
Já estão nesse caminho, vi isso quando minha mãe tentou me jogar para Yuri, meu melhor amigo e filho de Ivan, um dos melhores amigos do meu pai. Por coincidência, também primo de Kate e Alexander. Yuri terá seu poder na máfia, sendo da terceira família mais importante, e isso já faz a cabeça da minha mãe por eu ser tão próxima dele. Só acho que ele não deve ser a primeira opção, ele pensa muito alto. Talvez acabe querendo me dar até para alguém fora da Salazar, uma máfia aliada para firmar alianças sólidas.
[...]
Sorrio para mensagem que recebi de Kira.
Festa daqui duas semanas, Lana.
Sabe que não pode faltar, nunca é o mesmo sem você no jogo da garrafa, os caras ficam loucos pra beijar você.
— Kira
Eu nunca falto em uma festa, não é como se eu tivesse algo para fazer.
— Lana
Meu corpo bate contra uma barreira dura, fazendo meu celular cair antes de mim que caio de bunda no chão.
Que merda!
— Não olha por onde anda, garota?!- a voz atinge meu corpo como se estivesse sendo emitida no meio do meu rosto, mas ainda estou no chão, tentando capturar meu celular.
— Porra. - Xingo, me levantando devagar, vendo de seus sapatos de couro polido brilhante até seus tornozelos cobertos pelos calça preta, subindo pelas pernas comprimidas e passando pelo volume no meio das pernas e parando no peitoral que é onde minha altura acaba, e para chegar meu olhar no seu, levanto o pescoço. — Foi mal.
— Foi péssimo. - diz de cima.
— Relaxa, intocável. - Meu dedo polegar esfrega a mancha de batom que deixei na camisa quando me choquei nela.
— Ah, ótimo! - Se afasta de mim com raiva pelo dano na camisa engomadinha.
— Quando entrar nessa casa, olha por onde anda, ou não entra mais aqui. - é só o que ele diz antes de entrar em um dos quartos e bater a porta com força.
[
....]
— Kate. - chamo. Eu não ia perguntar nada mas estou entediada, ela está ocupada demais falando com Bruno pelo netbook enquanto fico deitada no chão em cima do tapete felpudo no chão de seu quarto, encarando o lustre no teto.
— O que? - Pergunta e mesmo sem estar vendo ela direito sei que está com um sorriso no rosto, ouço o barulho dela digitando no computador.
— Qual é a do seu irmão?
— Como assim?
— Eu conheço ele a vida toda e ele nunca trocou mais de três palavras comigo em um mês. - Falo com a mão na testa.
— Então você está no lucro, meu irmão despreza as pessoas. Ele acha que elas não valem o tempo dele.
— Ele é esquisito. - Falo encarando minhas botas com minhas pernas erguidas para o alto.
— Ele é, nunca deixa eu me meter na vida dele.
— E ele tem namorada?
— Alexander? Namorada? - ri alto, me fazendo juntas as sobrancelhas. — Ele também acha que nenhuma das mulheres são boas o suficiente pra ele.
— E como vai se casar quando se tornar subchefe? A cerimônia dele é amanhã.
— Meu irmão não quer se casar, ele disse que é melhor ter suas visceras arrancadas do que ter uma mulher chata e entediante do lado dele.
Assinto com estranhamento, não sei nada sobre ele, mas ele parece mesmo o tipo de cara que diria algo assim.
— Nem meu irmão é assim.
— Pois é, meu irmão é estranhamento único. Aliás, por que está tão interessada nele?
— Eu gosto de coisas e possas esquisitas. Estava passando pelo corredor, ele me olhou como se eu tivesse lepra.
— Não se ofenda, ele olha assim para todos.
— Você tem medo dele?
— Não exatamente, ele adora implicar comigo mas não chega a ser assustador...só é irritante.
— Isso é legal. Ele não te bate e tal...
— Bater? Que tipo de irmão bate na irmã?
Sério sem mostrar os dentes, a olhando em silêncio. Eu sei que meus olhos não expressam a indiferença que meu sorriso tímido e explicativo transparece.
— Ah, Lana...- ela entende na hora, deixando o colchão alto e macio para se juntar a mim no chão. — Sinto muito, seus pais sabem?
— Não, eu não vou contar pra eles. Não contei a vida toda, acho que não iam acreditar agora. E ele não faz mais isso tanto.
— Cara idiota. - faz cara de raiva. — E se te consola, eu também tenho medo dele.
— Você é a pessoa no mundo que menos deveria ter medo dele.
— Eu não acho, se ele bate na irmã, o que não vai fazer com pessoas que não nada dele...
— Você não percebe, não é?
— Percebo o que?
— Nada não. - balanço a cabeça.
— Esse papo ficou muito pesado, vamos comer. - ela me puxa, fazendo com que eu fique de pé.
— Palha Italiana? - ergo a sobrancelha, ela sabe que é meu doce favorito, é só que eu gostaria de comer a vida toda. Balançando a cabeça com um sorriso, ela sai na minha frente.
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Passo pelo corredor do quarto de Kate a caminho do banheiro antes de ir embora, tem uma porta vermelha, última do corredor, que chama minha atenção.
— Não era assim antes...- digo a mim mesma. - Franzo o cenho, olhando a maçaneta dourada contratando com o vermelho. Muito tentador, volto três passos, tento abrir a maçaneta e praguejo ao falhar, vendo que está trancada. Óbvio que estaria. Pego um grampo do meu cabelo, colocando no trinco e forçando de diversas maneiras até abrir. Franzo os lábios em surpresa e admiração, achei que isso só funcionava em filmes.
Entro e encosto a porta, tem alguns varais um pouco acima da minha cabeça, com fotos polaroids penduradas sobre a luz de uma lâmpada vermelha. Estico a mão para pegar uma delas, é um animal peludo, a especie é irreconhecível pelo estado do cadáver, são só ossos, sangue e órgãos. Faço cara de nojo, todas fotos são desse tipo, com animais diferentes e alguma delas até de pessoas.
Doentio. E quanto mais eu olho...pior fica.
— O que faz aqui? - a voz dele chega em meu ouvido, em minha pele, em minha alma, estremecendo tudo. Não sou de sentir medo, mas é difícil nessa situação e ser pega no flagra por uma pessoa que usa esse tom tão mortal.
Ele com certeza não queria que seu segredinho sujo fosse descoberto.
Viro de frente para ele lentamente, girando na ponta da minha bota para encarar a face mais mortal que já vi na vida. Escondendo uma das fotos que peguei atrás de mim, eu movo a cabeça, fazendo uma das mechas rosa ir para trás com o balanço.
— Sabia que é feio bisbilhotar? - Anda até mim lentamente porém tudo parece muito rápido, é um cômodo pequeno, o espaço que nos distanciava era pouco e agora é nulo.
Em um movimento brusco ele arranca a foto de mim.
— Eu estava só....- mordo a bochecha, olhando ao redor sem mover a cabeça. — explorando o lugar. - sorrio forçado.
— A curiosidade matou o gato.
— E você gosta muito de matar eles. - olhando para cima, vendo as fotos de novo, não consigo evitar de descer o olhar para ele com reprovação. Não sou moralista mas tenho limites.
— Quem não iria gostar?
— Não de animais, louco. - Melhor palavra para definir o irmão da Kate, louco.
Não gostando muito do meu olhar, me joga na parede mais próxima, chocando minhas costas contra o concreto e me fazendo fechar os olhos pela dor. Seu corpo grande colocado ao meu, bloqueia minha passagem e qualquer possibilidade de fuga. Se as pernas dele não estivessem fechadas, eu daria uma bela joelhada.
— Cuidado, Lana. Os loucos podem matar. - Tem um canivete em baixo do meu queixo, sobre a pele quente do próxima ao pescoço.
— Meu irmão não ia gostar muito se você me matasse, ele é bem sanguinário, você sabe. - Abaixo o olhar, conseguindo ver a base do canivete em sua mão. Meu pescoço está erguido, tentando se esquivar do perigo.
— E onde está seu irmão agora? - Pergunta, passando a lâmina de leve no meu rosto, ele faz uma trilha suave pela minha pele do pescoço até chegar ao meu decote. Isso está ficando bem excitante...
— Boa pergunta. - falo baixo. — Você não vai me matar, não é? Eu não fiz nada de errado. - ergo as mãos para o alto em rendição.
— Acha que não fez? - Deixa claro que eu dei a resposta errada, descendo a lâmina com destreza pelo centro dos meios seios até chegar no decote profundo da camiseta, cortando um pouco mas meu sutiã é rasgado no meio.
— Essa roupa é nova, não corta. - Fecho os olhos, não posso ficar molhada, é nisso que eu que me concentrar.
— Ah, o que é isso? - Avalia meu rosto, seu olhar é quase demoníaco e eu vejo desejo nele. — Uma pitada de medo no rosto da menina corajosa. - Seu rosto está a milímetros do meu, nossas respirações quentes se misturam no ar.
— Eu não tenho medo.
— Menina corajosa. - ri. Pela primeira vez vejo ele exibir um sorriso, é lindo e sexy. O meu medo excita ele, e isso me excita.
— Tira a faca de mim se não eu cravo ela em você. - falo calma. Não sei como faria isso.
— Está irritada? Normal. A maioria das pessoas ficam nervosas quando tem objetos cortantes em sua pele.
Concluímos que não sou como as pessoas normais porque eu fui excitada.
— É normal ficaram nervosos quando seus medos estão prestes a serem expostos?
— Nervosismo é para quem tem medo, eu não tenho medo de nada. - diz olhando as fotos acima de nós.
— Que ótimo, eu vou ficar com isso. - pego outra foto. - E isso. - pego mais uma. — A Kate vai amar saber que o irmão dela é fotógrafo. - sorrio cínica.
Não vou contar para ela de verdade, mas é legal fazer ele achar que sim. Se ele está escondendo, é porque é um problema se souberem.
Rapidamente ele me puxa de volta, castigando meu corpo com outro baque. O lado da minha bochecha está colado na madeira fria da porta, enquanto eu sinto seu corpo contra minhas costas. Perto demais.
— Muito cuidado, bobinha. Ser irmã de quem é, não te livra de castigos severos. - A voz rouca e grave está perto do meu ouvido, sinto até seu hálito fresco contra meu ouvido, me causando arrepio da nuca até o fim da costas.
— E o que você faria?
— Não queira saber do que eu sou capaz, vai se assustar. - ele não sabe que eu posso gostar disso. — Eu fico com isso. - ele tira o polaroid da minha mão. — E você sai. - ele me empurra para fora e fecha a porta, me deixando do lado de fora, desorientada pelo que acabou de acontecer.
