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Capítulo 4

Ela trabalhou diligentemente durante o resto da tarde e início da noite, mas não conseguia deixar de pensar no momento em que ele perceberia que ela não iria.

Inés pensou em falar com o porteiro, Bruno. Sabia que, por vezes, ele arranjava mulheres para os hóspedes mais solitários.

Ou para os hóspedes mais travessos.

Inês abanou a cabeça e passou da receção para a cozinha, tentando concentrar-se no trabalho e não no que Bruno levava aos diferentes quartos. Ela não se importava com o que os homens queriam: o estilo missionário, perverso ou direto. Não era da sua conta.

— Depressa! — gritava o exigente chefe francês ao seu ajudante de cozinha.

Todos corriam freneticamente de um lado para o outro, parecendo trabalhar num caos absoluto. — Thiago, está tudo bem?

Thiago olhou para ela, os olhos a percorrerem o seu uniforme azul impecável, mas enfadonho.

— Senhorita, deve mudar de roupa! Não pode encontrar-se com Sua Alteza para jantar assim! Vou preparar um banquete para si esta noite — disse ele, beijando os dedos dela antes que estes explodissem no ar.

— Não vou jantar com Sua Alteza — afirmou ela com firmeza, apertando com força o seu bloco de notas.

— Conheces as regras, Thiago. Não confraternizamos com os clientes do hotel.

Thiago olhou para ela como se ela tivesse enlouquecido.

— Mas ele é o príncipe! Ele não pode seguir as regras!

Os outros na cozinha olhavam para ela, nervosos, enquanto continuavam a preparar o jantar.

— Não vou quebrar as regras — disse ela com determinação, mas também com um sorriso.

— Mas, se houver algo em que eu possa ajudá-lo esta noite, avise-me.

O Sr. Lledó não se dava bem com o Thiago, que o achava muito irritante. Thiago achava que o Sr. Lledó era um esnobe metido que precisava de uma boa surra. Raramente concordavam, mas Inés achava que o homem era um artista. Provavelmente por isso ele nunca gritava com ela. Tratava-a com gentileza e paciência quando ela se aproximava.

— Volte para casa, mude de roupa e volte aqui às seis e quarenta e cinco! — disse Thiago, acenando para ela.

Inés sorriu levemente e saiu a abanar a cabeça. De forma alguma iria ela a correr para casa para mudar de roupa. Em primeiro lugar, não tinha nada para vestir. Todo o seu guarda-roupa consistia em fatos de trabalho e jeans com mais de dez anos, t-shirts ainda mais velhas e uma camisa grande salpicada de tinta. Em segundo lugar, recusava-se a fazê-lo simplesmente porque um homem achava que era importante o suficiente para impor a sua presença. Além disso, isso ia contra a política do hotel. Essas regras tinham sido estabelecidas para a proteger a ela e ao hóspede.

De forma alguma subiria à suíte do último andar daquele homem naquela noite. Enviaria um bilhete a pedir desculpa e a agradecer o convite. Pegou no papel de carta do hotel, mas hesitou quanto ao que escrever. Deveria oferecer os serviços de concierge? Seria indelicado ou presunçoso? Não fazia ideia de como um homem poderia pedir algo assim!

— O que ainda está a fazer aqui? — perguntou Rebeca, uma das rececionistas, quando Inés atravessou o piso de mármore.

— Deveria estar em casa a preparar-se!

Inés olhou à sua volta e percebeu que quase todos os funcionários a olhavam com preocupação. Ergueu o cartão e abanou a cabeça negativamente.

— Todos conhecem as regras. Não posso jantar com aquele homem, mesmo que quisesse. — O que não é o caso — enfatizou, ignorando o arrepio de traição que a percorreu ao sentir a tentação. Ignorou o arrepio de traição e fingiu não estar ciente da tentação.

As outras pessoas que estavam por perto olharam para ela como se tivesse perdido a cabeça e depois voltaram às suas tarefas. Alguns até abanaram a cabeça negativamente, mas Inés continuou a caminhar em direção à portaria.

— Bruno, podes, hum, explicar-me...? Ela olhou para o teto e depois para o chão.

— Como se pediria a si para encontrar companhia para passar a noite? — concluiu ela finalmente.

Bruno, que sempre se considerou um mulherengo, sorriu de imediato, como se agora tivesse conseguido o que desejava.

E, nesse momento, o telefone tocou novamente...
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