Capítulo 2
Ela não tinha a certeza de ter entendido.
— Desculpe?
Ele sorriu levemente, encantado com a sua evidente confusão.
— O seu nome. Hesita em dizer-me o seu nome. Deve ser horrível ser-se assim...
— Inés — sussurrou ela, fechando os olhos e abanando a cabeça.
— Desculpe, Alteza — respondeu ele, recuando e tentando pôr distância entre ambos.
Ela não conseguia deixar de pensar no aroma daquele homem e todo o seu ser estremecia com o desejo de o tocar, de sentir os músculos que adivinhava sob a sua camisa de seda. Ele tinha arregaçado as mangas para lhe mostrar os antebraços e a força robusta dos braços ao flexionar-se com cada movimento.
Mas ele não iria permitir que desse esse passo.
Baixou a mão e segurou a dela, aproximando-a mais uma vez. Inés baixou o olhar para a mão escura dele, que segurava a sua pálida, fascinada pelo contraste.
— Inés é um nome lindo. Os dedos dele enviavam correntes de alta tensão por todo o corpo dela e ela queria desesperadamente retirar a mão. No entanto, ele segura-a com firmeza e aproxima-se ainda mais.
— Qual é a sua função no Hotel Liria? — perguntou ele suavemente.
Inés considerou a primeira pergunta difícil, mas esta deixou-a completamente perplexa. Procurou uma resposta na sua mente enquanto erguia os olhos para os dele. Ao fazê-lo, ficou cativada; a sua mente estava completamente confusa! — A minha função? — perguntou ela, ainda sem ter a certeza do que ele estava a perguntar.
— Sim, qual é a sua função? Ele pegou na sua mão, puxou-a para o sofá e empurrou-a suavemente até ela se sentar ao seu lado. Ela estava muito perto dele!
Inés moveu-se para que a coxa musculosa dele não a tocasse. Mas ele frustrou os seus planos, ajustando-se novamente de modo a que as suas pernas voltassem a tocar-se. Ela olhou para ele, depois para as suas mãos e pernas. A imagem que lhe veio à mente era tão intensa e inadequada que a deixou sem fôlego.
— O meu papel — repetiu ela, tentando compreender o que estava a acontecer.
Nunca antes ela tinha reagido assim com um homem. Na sua mente, os meninos, os homens e até as mulheres não passavam de concorrentes, obstáculos que ela precisava de superar para obter a melhor classificação, a melhor posição na turma ou a média mais alta para entrar na faculdade de Direito.
— Talvez faça parte da equipa da portaria? — sugeriu ele.
— Da portaria? Então, ela compreendeu. Qual era o trabalho dele! — De modo nenhum! — Eu sou a vice-diretora. Lembrar-se do seu cargo trouxe-a de volta à concentração. Levantou-se, retirou a mão e deu vários passos para trás, tentando recuperar a postura profissional.
— O gerente estaria aqui agora, mas a sua esposa entrou em trabalho de parto e... — Corou ao admitir um problema tão íntimo.
— De qualquer forma — respirou fundo —, o Sr. Lledó estaria aqui, mas a sua esposa precisava dele. Não o esperávamos até à próxima semana, mas peço desculpa pela sua ausência.
— Está a insinuar que não sou um representante adequado do hotel para lhe dar as boas-vindas? — sugeriu ele, recostando-se nas almofadas com os braços estendidos sobre o encosto.
O movimento fez com que o tecido macio da sua camisa branca se abrisse e ela não conseguiu evitar que os seus olhos deslizassem para baixo, contemplando a pele escura coberta por uma ligeira camada de pelos escuros e fascinantes. Os dois botões superiores da camisa estavam desabotoados e ela conseguia ver muito mais do que era apropriado.
Balançou a cabeça para apagar da mente a imagem daquele peito nu. Olhou para cima e tentou olhar nos olhos dele, mas era muito difícil, por isso, concentrou o olhar na raiz do cabelo dele. — Tenho a certeza de que alguém do seu nível preferiria falar com o diretor-geral.
Espero que aceite as desculpas do Sr. Lledó, uma vez que o estou a substituir. Os seus olhos desviaram-se acidentalmente e ela piscou os olhos ao ver a diversão no seu olhar. Fechou os olhos por um momento e prosseguiu com o discurso ensaiado. — Por favor, avise-me se precisar de algo para tornar a sua estadia no Hotel Liria mais agradável.
— Vai jantar comigo esta noite — ordenou ele, levantando-se, segurando a sua mão direita entre as suas e levando-a aos lábios. — Isso tornaria a minha estadia extremamente agradável.
Nesse momento, ouviu uma voz atrás de si a sussurrar uma única palavra...