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A OBSESSÃO SECRETA DO DON

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Teriza O
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Resumo

Samira Bellandi vive entre duas identidades: de dia, é uma especialista respeitada em arte; à noite, transforma-se em Nyx, a mulher mais desejada de um clube exclusivo. Dominic DeLuca, o Don mais temido de Blackridge, é frio, perigoso e incapaz de esquecer o passado. Mas tudo muda quando ele passa a observá-la em segredo. Ela deveria fugir dele. Só que Dominic é o único homem capaz de fazê-la se sentir protegida… e Samira é a única mulher capaz de silenciar os demônios dele. Entre obsessão, segredos e desejo proibido, esse amor pode destruí-los — ou se tornar a única salvação dos dois.

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Capítulo 1

É o único vício dele.

Dominic Alessio DeLuca não era um homem de muitos pecados, apenas de fantasmas. O Deus de Blackridge não se associava com seus pares na Società; era um homem de honra, regido por um código. O Soldado não recorria a drogas ou violência para aplacar sua raiva, apenas a obsessões.

É o único vício dele.

Ela é o seu único vício.

Perdoe-o pelo seu pecado, mas não há remédio para ele.

Ele inspirou profundamente, o olhar distante, como sempre acontecia quando ela aparecia. Suas mãos, marcadas por cicatrizes e ásperas, apertavam o volante do carro.

Ela usava um longo casaco bege, acinturado com um cinto. Seu esmalte branco brilhava no copo de papelão. Não usava joias, exceto por pequenos brincos de argola dourados e uma corrente no pescoço: discretos, caros, apropriados para alguém que não precisava impressionar ninguém além de si mesma.

Seus cabelos estavam soltos. Longos. Negros. Espessos como tinta e macios como o pecado. Roçavam seus quadris como se pertencessem ali, como se tivessem crescido daquela forma de propósito, e não por vaidade.

Mas foi o rosto dela que o paralisou.

Maçãs do rosto sicilianas proeminentes com uma delicadeza persa suave ao redor dos olhos. Lábios carnudos e naturais. Pele da cor de mármore quente exposto ao luar. Era da cor de mel misturado com creme, com sombras que se depositavam suavemente nas cavidades do pescoço e das maçãs do rosto como o crepúsculo que persiste antes do surgimento das estrelas.

E aqueles olhos.

Sob certas luzes, eram de um dourado profundo, nítidos e oblíquos, quase selvagens. Eram contornados com kohl, limpos, porém hipnóticos. Inclinavam-se ligeiramente, delimitados por aquele traço de obsidiana, fazendo o dourado de suas íris cintilar como a luz do sol na areia. Sob outras luzes — como hoje — eram verdes, da cor de uma floresta pouco antes de uma tempestade.

Ela não sorriu. Não tinha pressa. Movia-se como se a cidade não existisse. Como se tivesse existido antes de ser construída e ainda estivesse lá quando desmoronasse. Sua beleza era tão intensa que despertava sede nos homens sem lhes oferecer uma gota d'água sequer.

As pessoas passavam por ela e a encaravam com espanto.

Ela parou na esquina, soprou na bebida e ergueu os olhos rapidamente; não olhou para ele, mas na direção dele. Seu coração disparou. Ela não fazia ideia de quem a observava.

Ele respirou fundo com dificuldade e pegou o caderno de capa de couro que estava no banco do passageiro. Já tinha uma caneta na mão. Suas mãos tremeram enquanto o abria e começava a escrever.

Ela está tomando café de novo hoje. Está usando sapatos diferentes. Alisou o cabelo. Coloca a franja atrás da orelha esquerda. Solta. Coloca de volta. Acha que precisa cortar o cabelo. Toma dois goles antes mesmo de atravessar a rua. Sempre o mesmo padrão: um gole, uma respiração, um passo. O casaco dela é o mesmo de ontem.

Feche o caderno.

Sua cabeça cai para trás contra o assento. Ele fecha os olhos.

Ela é o seu único vício.

As vozes haviam retornado.

Era como um relógio. Acontecia sempre que ele estava longe dela. Eles lhe contavam coisas. Contavam-lhe a verdade.

Você não conseguiu salvá-la.

Você é um merda.

A culpa é toda sua.

Eram tão fortes. Tão dolorosas. Tão verdadeiras. Não o deixavam dormir. Não o deixavam existir. Ele era escravo deles, escravo do passado. Silenciaram tudo o mais, qualquer outra voz sensata, qualquer pensamento racional.

Incluindo o pensamento racional de ficar longe dela.

"Está tudo pronto para você, chefe", disse uma voz. Uma voz real.

Seu olhar se concentra e ele retorna à realidade. Ele procura a origem da voz e encontra seu segundo em comando, Luca Santoro, natural de Blackridge. Um bom amigo e conselheiro de Dom. Aos poucos, ele estava se tornando como um irmão.

Dom não o deixaria chegar tão perto. Fazia apenas dois anos que Don Vitale o promovera a chefe da Família Blackridge; apenas dois anos desde que se mudara para aquele lugar insuportável. Dominic perdera membros da família em menos tempo.

"Me avise quando forem seis horas", diz Dom. Luca acena com a cabeça. Dom coloca a mão no bolso e entrega seu celular pessoal para Luca.

"Estou esperando uma ligação da Donna. Bata duas vezes quando ela chegar", diz Dom em voz baixa.

—Claro, chefe.

Dom entra em sua casa na isolada Hawthorne Heights. Não é Blackridge, mas é parecida. A mansão tem três andares, mas está construída na encosta, dando a impressão de que emerge da terra em vez de se assentar sobre ela; uma mistura de estilos neocolonial e brutalista. A propriedade ostenta varandas com balaustradas, uma varanda envolvente imponente e uma fachada perfeitamente simétrica com enormes portas duplas de madeira ebonizada e ferro forjado. Uma longa entrada de automóveis, com portão e mal pavimentada com terra compactada, era ladeada por plátanos repletos de câmeras escondidas. A guarita ficava a um quilômetro e meio da casa, guarnecida por atiradores de elite e guardas em alerta máximo.

Dom não gostou. O Velho Chefe reformou a casa há cinco anos. O primeiro dono faleceu há muito tempo. A propriedade em si tem cem anos.

Ele não reclamou quando Dom Vitale perguntou se estava tudo bem para ele. Já tinha passado por coisas piores; dormido em lugares piores. Como o chão enlameado de Qamar, quando era um Boina Verde. Uma fortuna de vinte e cinco milhões de dólares dificilmente era motivo para reclamação. Mesmo assim, ele preferia seu apartamento isolado em Kingsbridge.

Ele desceu as escadas que davam para o porão. Passou pela sala do pânico, pela academia totalmente equipada, pelo estande de tiro, pela adega e, finalmente, pela sala de segurança. Chegou ao fim do corredor, abriu a porta de aço e desceu mais um lance de escadas.

Estava escuro, iluminado apenas pelas lâmpadas de emergência nos apliques de parede. Era um corredor longo e incomum, com uma porta no final. Dois de seus homens faziam guarda na porta, acenando respeitosamente com a cabeça enquanto o olhavam. Adrian e Rafael.

Naquelas profundezas, no subsolo, não havia sinal; nem um grito de socorro. Não havia nada vivo. Estavam mais fundo do que qualquer cadáver.

"Sem interrupções, senhores", diz Dom, e Adrian e Rafael assentem com a cabeça antes de abrir a porta para ele.

Dom entra, sendo recebido por um estrondo metálico. Ele ouve a porta se fechar atrás de si.

A visão do sangue o chocou imediatamente. Não lhe causou repulsa. Esse foi o primeiro sinal de que ele era um ser humano terrível.

Mas ele é o carrasco de Dom.

Os açougueiros não sentiam nojo de sangue ou ossos.

Ele entra na área de abate e arregaça as mangas. Coloca luvas de látex como um cirurgião se preparando para uma operação. Em seguida, o avental de açougueiro, protegendo o tecido caro de sua camisa. Ele cobre seus sapatos de couro italiano com plástico.

O homem sentado na cadeira observa esse ritual, afundando cada vez mais no medo, cada vez mais na condenação.

A respiração do homem acelera. Torna-se superficial. Ele é tomado pelo pânico. Está amarrado à cadeira com fita adesiva e abraçadeiras de plástico, os tornozelos tremendo contra as pernas da estrutura metálica. O sangue já mancha sua camisa, um aviso de antes da chegada de Dom.

Dom não diz nada a princípio.

Ele termina de ajustar as luvas com precisão cirúrgica, alisando os dedos e estalando o pulso. A borracha range levemente. Um som que, se ele for esperto, faria você se borrar de medo.

Ele caminha até a mesa lateral de aço inoxidável, recém-limpa após sua última visita. Todas as ferramentas estão dispostas com perfeita simetria: serra para ossos, martelo, tesoura de poda, bisturis, cortadores de vergalhão. Uma coleção que diz: isto não é para velocidade. É para a memória.

"Você sabe por que está aqui?", pergunta Dom finalmente.

O homem gaguejou, e uma série de pedidos de desculpas e justificativas jorraram de sua boca como bile.

Dom não olha para isso. Ele escolhe a folha menor.

"Eu não pedi barulho", murmurou ele.

O silêncio reina mais uma vez.

Dom se agacha até ficar na altura dos olhos do homem. Não muito perto. Perto o suficiente para que ele sinta o cheiro do perfume sob o ferro de passar. Perto o suficiente para sentir o peso do julgamento.

Ele inclina a cabeça, estudando-a como um artesão estudaria a madeira: onde ela quebrará com mais facilidade, onde a fibra cederá.

"Você me roubou", diz Dom em voz baixa. "Você falou demais."

O homem balança a cabeça violentamente, com a negação já aparecendo em seus lábios.

Dom pressiona a lâmina plana contra a bochecha do homem. Não corta. Ainda não. Apenas o deixa sentir o frio.

"Você tomou uma decisão", diz Dom. "Agora eu também vou tomar uma."

Então ele se levanta. E começa.

E os gritos que se seguem nunca chegam à superfície. Nem através de seis metros de concreto, nem além de Adrian e Rafael, nem onde o mundo ainda finge que Dom DeLuca é civilizado.

As vozes recomeçam. Mais altas.

Ela não está aqui para fazê-los calar a boca.