Capítulo 7
Parado na frente do carro, indeciso sobre que caminho seguir, o furioso parecia ser ele.
-Não ouvi, o que você disse?- Tere perguntou, já sentindo parcialmente a resposta.
Ele passou a mão pelo cabelo loiro escuro e suspirou.
-Três dias! Você se dá conta? Como é possível que a reserva tenha sido cancelada? -
-Você ouviu o que ele disse, certo? Um erro, coisas que podem acontecer.
A calma com que ela abordou todo o assunto deixou Jacob ainda mais nervoso.
Ele simplesmente não conseguia entendê-la. Ele não deveria ter ficado calmo, não nesta situação.
-Devemos esperar três dias para pegar o próximo avião? Eu não quero esperar-.
Ele estava se contendo para não explodir e gritar como um louco. Não teria ajudado de qualquer maneira.
Para tentar acalmar a raiva e a frustração, ele começou a andar na frente do carro.
-Além disso, o que três dias de espera podem mudar? Depois de quinze anos? -.
Ele tentou se convencer primeiro, mas ambos sabiam a verdade.
“Por outro lado, faz diferença”, disse Tere, traduzindo o que ambos estavam pensando.
-Podemos ir para casa e passar esses três dias sem dormir, com a ansiedade que nos desgasta por dentro. Ou podemos gastá-los na rua, cada vez mais perto do nosso destino.
Tere lhe apresentou duas possibilidades, ambas válidas. Mas apenas um aliviaria, mesmo que ligeiramente, o tormento que sentiam.
-Você quer encarar uma viagem dessas?- Ele estava desconcertado até na voz.
-Já fizemos isso.
-Éramos jovens e o que nos interessava era a viagem e não o destino. E então veja como ficou.
Quando foi a última vez que você falou sobre isso? Talvez quando eles ainda pudessem se considerar uma família.
Era sempre Tere quem queria falar sobre isso, quase a qualquer custo.
E mais uma vez foi ela quem insistiu.
“Tome isso como um sinal do destino”, afirmou com convicção.
O cético Jacob olhou para ela com reprovação: -Certamente não foi o destino que cancelou nossa reserva, foi?-
Ele olhou nos olhos dela, em busca de uma confissão. Porque parte de Jacob pensava que era tudo obra dele, mas ele estaria disposto a acreditar até mesmo em uma mentira.
A resposta de Tere foi um encolher de ombros e algumas palavras: -Eu acredito no destino, e houve um tempo em que você também acreditou nele.
Jacob queria revelar a ele que ele realmente queria ter esperança novamente, como quando eram crianças, mas que era mais forte que ele. Algo foi quebrado para sempre.
-Então o destino quer que enfrentemos a mesma jornada de quinze anos atrás?-
Para evitar iniciar uma discussão que nunca terminaria, Jacó deu-lhe o benefício da dúvida.
E aproveitou aquela pequena abertura para acrescentar, em tom de brincadeira: -Ou é o destino ou é minha mãe-.
Jacob soltou um sorriso sincero, antes de acrescentar: “Se ela é sua mãe então esta é uma forma de nos punir”.
Mas ele não parecia muito preocupado com isso. Na verdade, ele quase riu. E Tere estava bem atrás dele.
Mais calmo, Jacob parou por um momento para refletir. Era óbvio que sua ex-mulher queria liderar a viagem, mas ele ainda hesitava.
Eu não havia previsto esse primeiro obstáculo. Ele se iludiu pensando que poderia pegar um avião e chegar a Los Alamos em questão de horas.
Tudo estaria terminado em um ou dois dias no máximo.
E dirigir teria adiado seu retorno para casa.
Mas não era isso que mais o preocupava.
Seu maior medo era reviver lembranças muito dolorosas. E teria sido inevitável.
Foi até difícil para ele sentar-se ao volante daquele carro velho, sem pensar que há quinze anos, sentada entre ele e Tere, estava Lily.
Como teria sido refazer os mesmos lugares por onde viram e passaram naquela antiga jornada?
Ele não queria que Tere entendesse que ele não era mais o garoto corajoso que ela amara.
Eu não queria dizer a ele o quanto queria escapar dessa missão.
Porque ela parecia pronta e determinada, como se enfrentar aquele desafio não a incomodasse.
“E se não foi sua mãe quem nos enviou esse sinal?”, perguntou, tentando entender o que Tere esperava daquela viagem.
O xerife Colin tinha sido muito claro com ele, então tinha certeza de que sabia o que o esperava em seu destino.
Mas sempre houve uma pequena esperança que nunca poderia desaparecer. Nem nele, que sempre focava na realidade.
Imagine o que aconteceu com Tere, que sempre acreditou no melhor e sempre foi positivo.
Nem todas as decepções e oportunidades perdidas diminuíram completamente o seu otimismo.
Eles haviam atenuado, quase atenuado, mas ainda estava lá.
E mais uma vez ele não quis encarar a realidade: -E quem diabos poderia ser senão ela? -.
Era incrível, e quase impensável para ele, que mesmo então Tere não conseguisse admitir a verdade.
E de repente ela percebeu que esta peregrinação era tão útil para ela quanto para ele.
Para Jacob seria uma oportunidade de parar de fugir da dor e admitir que lembrar era a coisa certa a fazer.
Tere, por outro lado, precisaria de algum tempo. É hora de aceitar o que aconteceu.
Então ele sorriu de volta, mais para tranquilizar a si mesmo do que a ela.
“Podemos basicamente considerar que é a última coisa que faremos todos juntos”, quis aludir à sua unidade familiar, destruída anos atrás, já que nada mais seria como antes.
