Capítulo 5
Jacob se virou na direção dela e se apoiou no cotovelo, levantando-se o suficiente para dar uma boa olhada nela.
Ele imediatamente achou que ela era linda. A mais linda de todas, e ela sorriu para ele com amor e devoção.
Tere estendeu a mão para acariciar suavemente as covinhas que se formavam em suas bochechas toda vez que ele sorria.
Eles o fizeram parecer ainda mais jovem. E é por isso que ele os amava.
Ela ainda se lembrava da primeira vez que o viu.
Eles estavam bem ali, na margem daquele lago.
E a primeira coisa que chamou sua atenção foi aquele sorriso.
Ele o achou puro, sincero, sem máscaras. O sorriso de uma criança no rosto de uma criança.
"Case comigo", ele sussurrou, chegando perto o suficiente para tocar seus lábios e tirá-la de suas memórias.
Nessa primeira proposta, Tere começou a rir, pensando que estava brincando. Mas quando ela percebeu que sua reação o havia ofendido, ela percebeu que Jacob estava falando sério, muito sério.
-Jacob, temos apenas quinze anos-, embora muitas vezes se sentisse mais velho que seus colegas, sabia perfeitamente que ainda havia alguns limites a respeitar.
“O que há de errado nisso?”, ele perguntou, embora soubesse bem a resposta.
-Somos muito jovens, não podemos nos casar agora. Se quando tivermos dezoito anos você ainda quiser se casar comigo, então...-
“Sempre vou querer me casar com você, hoje, amanhã, daqui a um ou três anos”, ele a interrompeu antes de colocar definitivamente sua boca na dela, para selar uma segunda promessa.
-Agora você fala assim porque está apaixonado... Mas quem sabe se daqui a alguns anos você vai sentir o mesmo ou se vai querer uma garota mais linda que eu.
Tere disse isso brincando, mas não tinha dúvidas de que isso poderia acontecer.
O tempo pode mudar as coisas, especialmente se você for muito jovem.
Neste momento, se ela se imaginasse aos oitenta anos, não poderia ver nada além de Jacob em seu futuro.
Mas as coisas nem sempre saem como planejado.
-Você é a mais linda, Tere. O que há entre nós é muito especial, é único. É um amor que só acontece uma vez na vida, se você perdê-lo não poderá ter outras oportunidades.
Ela foi forçada a conter as lágrimas, comovida com aquelas palavras.
"Quero ser feliz pelo resto de nossas vidas, Jacob."
“Sempre seremos”, e com essa terceira promessa acalmou um dos maiores medos de Tere.
-Você quer pipoca ou cachorro-quente?-
Na fila do balcão, esperando sua vez, Tere continuou olhando os pôsteres de filmes pendurados na parede do cinema.
“Vamos levar os dois, o que você acha?”
Só então Jacob percebeu que Tere não o estava ouvindo.
Ele se virou para ela e seguiu seu olhar até os comerciais.
A expressão de Tere era hesitante e até um pouco arrependida. Acentuado por suas palavras.
-Temos que ver “A Máscara”? -.
Eu não entendia o amor de Jacob por certos filmes. Ou comediantes ou terror.
Assim como ele, por outro lado, não suportava os filmes de amor que tanto adorava.
-É a minha vez de escolher o filme, dessa vez. Da próxima vez você escolherá-.
Eles chegaram a esse acordo após diversas discussões e descobriram que o método funcionava.
Mas Tere fez beicinho e tentou convencê-lo: -E depois removem "Forrest Gump"? -.
Já o via exposto há semanas e o receio de não o encontrar mais disponível era sincero.
Jacob sorriu com a compreensão dela, estendendo a mão para envolver sua cintura para abraçá-la e beijar seu pescoço.
“Podemos voltar amanhã”, prometeu, apesar de não morrer por passar quase duas horas assistindo aquele filme.
Valeu a pena só ver seu sorriso feliz e calmo.
Ele a apertou ainda mais forte em seus braços antes de ouvi-la dizer: "Tudo bem, farei o sacrifício de assistir "A Máscara" hoje se você fizer o mesmo com "Forrest Gump" amanhã?"
-Parece um compromisso justo para mim.
Aproximar-se era o que melhor lhes convinha, como se estivessem programados para isso.
Na verdade, aos olhos de fora sempre pareceram uma frente unida, compacta e sempre do mesmo lado.
Entraram no cinema com os braços e as mãos cheios de doces.
No final, Jacó se deixou levar e comprou de tudo um pouco, inclusive comida e bebida.
-Talvez tenhamos exagerado! Quem vai comer todas essas coisas? - Perguntou Tere perplexo.
Jacob caminhou entre os sofás da sala, tomando cuidado para não deixar cair nada.
-Nós, claro-.
"Talvez você, eu não posso pagar", Tere franziu o nariz ao pensar nela na frente da balança.
“Mas você tem um corpo perfeito,” Jacob nunca parava de elogiá-la, fazendo-a se sentir cada vez mais apreciada e desejada.
-Isso é porque sou cuidadoso. “Se eu comesse como você, a essa altura seria mais uma baleia”, ressaltou enquanto se sentavam nas poltronas escolhidas por ele.
Fila de trás, à margem, escondida por uma coluna e completamente invisível para o resto da sala. Isso dizia muito sobre as reais intenções de Jacob.
-Bem, olhe assim, teria mais carne para abraçar e beijar. Quando se conheceram, Jacob não era do tipo otimista, muito pelo contrário.
Era Tere quem sempre via o copo meio cheio, enquanto ele tendia a vê-lo meio vazio.
